O que é Sustentabilidade? Parte 3: Hoje!

Bom, falamos um pouco  de como surgiu o termo Sustentabilidade, como consequência o termo Desenvolvimento Sustentável, e também, sobre os eventos que nortearam como os setores públicos e privados teriam que agir diante do assunto, antes visto como um impedimento para o crescimento, hoje, mais do que nunca, uma crise mundial. Agora vou dar minha contribuição (meu conceito pessoal) para a Sustentabilidade.

Na Parte 1 (século XX), quando a ONU fez sua primeira Conferência sobre o Meio Ambiente, em 1972, foi quando estalou um problema, a poluição. Houve a preocupação com o meio ambiente e com a saúde da sociedade, mas não tinham noção ainda de como quantificar tudo isso, nem noção da aceleração progressiva e onde terminaria os efeitos dela. Mesmo assim, ações foram tomadas, principalmente no âmbito regulatório, como por exemplo: o estado de São Paulo regulamentou a Lei 997 de 1976 que dispõe sobre A Prevenção e o Controle da Poluição do Meio Ambiente através do Decreto 8468 de 8 de setembro de 1976, e a primeira Resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 01  que dispõe sobre a Avaliação do Impacto Ambiental foi em 1986. No entanto, o desejo (entendida como necessidade) pelo crescimento econômico era maior, ainda existia aquela sensação da Revolução Industrial, “onde há poluição, há progresso”, mas sem perceber os efeitos colaterais do modelo industrial, marcado pela desigualdade social, o que tornava a questão mais complexa.

Na parte 2 (século XXI), após a Rio-92 o assunto teve muito mais repercussão, pois instalou-se outro medo: a falta de recurso para continuar o crescimento econômico. Como resposta surgiram as Agendas com metas e objetivos, que passaram a incluir também os problemas sociais como pobreza e desigualdade como efeitos da crise ambiental, antes relacionada somente com a saúde. A partir da Rio-92, Rio+10 e Rio + 20 aconteceram mais aplicações da legislação existente, fiscalização e cumprimento das exigências para conter a poluição. Houve o movimento por parte das empresas de investir obrigatoriamente (ou melhor, pagar pelo seu uso) em tratamento de efluentes e resíduos por exemplo (de forma tardia, após já terem poluído muito). E, houve algum movimento para preservação dos recursos finitos, visando o desenvolvimento sustentável, que foi quando a reciclagem começou a ganhar um pouco mais de espaço, bem como os recursos renováveis.

Mas mesmo com todas essas ferramentas, metas e objetivos, muita coisa ficou só no mundo das ideias e pouca coisa saiu do papel. A desigualdade social só aumentou. Eu diria que, isso foi devido a um pequeno erro na interpretação do termo Desenvolvimento Sustentável: desenvolvimento ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazer suas próprias necessidades. A força e a fraqueza dessa definição encontra-se vago, pois deixaram em aberto quais seriam as necessidades humanas atuais e futuras. Embora, desde a publicação da Carta da Terra, já terem relacionado a crise ambiental aos padrões dominantes de produção e consumo, o sistema (organizações públicas e privadas) teve medo dessa divulgação afetar o crescimento econômico, pois era o modelo vigente e conhecido (maior do que o próprio planeta pode fornecer). Divulgar esse problema em massa e investir na educação ambiental da sociedade, com certeza afetaria o crescimento econômico e o sistema navegaria em águas desconhecidas, não sabendo como salvar O capital, porque o sistema econômico visa sempre ganhar mais, gerar mais lucro e riqueza, e não apenas o necessário para sua sobrevivência.

Mas, chegamos na Parte 3: Hoje! Agora estamos mais do que endividados com o meio ambiente. O que antes era um medo de afetar a economia, agora estamos prestes a passar pela pior crise econômica de todas, a crise ambiental que integra todas as outras crises.

Até alguns anos atrás, a atenção para o desenvolvimento sustentável estava para a dimensão ambiental (foco em proteção aos recursos e preservação para sua autorregeneração) e para a economia (foco em consumo de recursos renováveis e melhor distribuição dos mesmos). Agora mais do que nunca precisa atingir a dimensão SOCIAL.

A ficha caiu. A sociedade precisa fazer parte do desenvolvimento sustentável, afinal, compõem 7 bilhões de pessoas. O objetivo mais do que nunca é que todos os cidadãos tenham o mínimo necessário para uma vida digna e que ninguém absorva bens, recursos naturais e energéticos que sejam prejudiciais a outros. Isso significa erradicar a pobreza e definir o padrão de desigualdade aceitável, delimitando os níveis mínimos e máximos de acesso a bens materiais. Para isso, a sociedade precisa receber mais informação e educação, consumir conscientemente, e além de tudo, ser também mais política.

A política é necessária no processo de mudanças. Mudanças passam por instancias econômicas e espaços políticos. As empresas não se voltarão de forma decisiva para uma produção economizadora de recursos naturais, menos produtiva de gás carbono e protetora do meio ambiente. A distribuição de riquezas e a igualdade de oportunidades não serão construídas sem embates políticos e pressões sobre os governantes e o mercado. Agora a voz da sociedade tem força. Mais do que nunca, o poder de imposição precisa partir da sociedade e a tendência do mercado também.

Mas não será possível haver mudança no padrão de consumo e no estilo de vida se não ocorrer uma TRANSFORMAÇÃO de valores e comportamentos, se não substituir o valor TER MAIS para o valor TER MELHOR, se a noção de felicidade não se deslocar de CONSUMIR  para USUFRUIR, se não alterar a moda INSTANTÂNEA para o produto DURÁVEL, se não tivermos pressões para a adoção e valorização. Acima de qualquer nova tecnologia, é necessário uma nova forma de viver.

Por isso, estou aqui, te convidando para a MUTAÇÃO SUSTENTÁVEL. 

Isso não quer dizer que haverá um decréscimo na economia (vamos falar mais sobre economia nos próximos post), e nem teremos que parar de consumir (também vamos aprender juntos sobre consumo consciente), afinal o capitalismo é inerente as condições populacionais e territoriais de hoje. Só temos de aprender um estilo de vida sustentável, que acima tudo, faça sentido para nossa própria consciência.

 

 

 

 

 

 

 

Um comentário em “O que é Sustentabilidade? Parte 3: Hoje!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s