RETROSPECTIVA 2019: um convite para o início da era da REGENERAÇÃO em 2020!

Este ano de 2019 foi bem in(tenso). Quando olho para trás e faço uma retrospectiva interna eu sinto um turbilhão de sensações. Grandes transformações internas, mudanças externas, profundas e aceleradas. E quando olho o todo? Não consigo nem mensurar. Mas, o que me conforta um pouco diante deste cenário imprevisível é exatamente o entendimento da imprevisibilidade e da incontrolabilidade das transformações sistêmicas.

Tudo funciona como uma perfeita dança, onde vários indivíduos tem seus movimentos que se integram para formar a coreografia final. Você se prepara, treina, planeja, mas o resultado final vai depender do todo.

Sabendo que há uma integração e relação em todo o sistema, qualquer ação de qualquer integrante terá uma reação no todo, até um dia voltar diretamente para o executante.

“A transformação acontece como no resultado emergente de tudo que está acorrendo no mundo – há sempre um terceiro horizonte emergindo em cada escala da vida – da individual à planetária e até além. Algumas coisas serão resultado de ações intencionais, e outras, para o bem ou para o mal, vão nos surpreender. A forma de como vivemos hoje já foi, um dia, o terceiro horizonte, em parte imaginado e pretendido, e amplamente desconhecido. A consciência futura não fará com que tenhamos controle sobre o futuro, mas nos permite desenvolver a nossa capacidade de resposta transformacional a suas possibilidades.”                                                               

Bill Sharpe (2013).

2019 não foi um ano fácil para o Brasil, ocorreram três tragédias/crimes ambientais de grande impacto ambiental, social e econômico. Fomos inundados por lama de minério, pelas chamas do fogo e pela toxicidade do petróleo. E em todos eles, o país, os envolvidos estavam despreparados. Não tiveram previsão da intensidade dos danos e muito menos controle da situação. Mas, poderia ter sido evitado? Poderia ter reduzido os danos? A resposta a prevenção, mitigação poderia ter sido mais rápida? São muitas as perguntas, E se?

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Após estas ocorrências somadas às consequências das mudanças climáticas no mundo, foi sentido na pele que a reação dos impactos causados na natureza está de voltando diretamente para as pessoas e a economia. O ano 2019 foi um chacoalhão por todos os lados para que o mundo acordasse. O universo permitiu que passássemos por estas experiências para aprender, refletir e agir diferente.

Vejo uma correria desenfreada de alguns para recuperar o tempo perdido e buscar soluções para não levarmos a humanidade ao colapso. Mas, muitas destas soluções estão sendo criadas com o mesmo pensamento que foram criados os problemas de hoje.

Está na hora de rever o plano de ação em busca da sustentabilidade. E o primeiro passo é entender o que é a sustentabilidade e o que queremos sustentar.

Temos de encontrar maneiras de fazer a transição deste status quo, que agora é profundamente insustentável, para um novo. A sustentabilidade não é um objetivo a ser alcançado, mas um processo contínuo de aprendizagem coletiva.

“A sustentabilidade é uma progressão em direção a uma consciência funcional de que todas as coisas estão conectadas; que os sistemas de comércio, de construção, de sociedade, de geologia e da natureza são na verdade um sistema de relações integradas; e que tais são coparticipantes na evolução da vida.”

Bill Reed (2007).

Mas é difícil pensar em integração quando faço a retrospectiva política ambiental. O ano de 2019 foi de desconstrução, a começar pelo próprio Ministério do Meio Ambiente, que se não fosse pela pressão de organizações e sociedade, hoje ele não faria parte da pasta do atual governo. Entendo perfeitamente que a renovação era precisa, passar um pente fino em todo o setor, mas as exonerações do Ibama fizeram diferença ao agir diante ao aumento do desmatamento ilegal na Amazônia. Dentro deste mesmo cenário, perdemos a credibilidade nos acordos internacionais e o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e seu ex-diretor Ricardo Galvão, foi desvalorizado pelo nosso próprio presidente.

A liberação excessiva de agrotóxicos também foi uma das ações contrárias ao direcionamento para a prevenção e regeneração ambiental. Além da falta de agilidade, informação e conclusão do vazamento de petróleo no oceano Atlântico, perto da costa nordestina do Brasil.

Para fechar a frustamento do ano com as políticas ambientais e climáticas, a COP 25 não conseguiu fechar o acordo do mercado de carbono e foi postergado por mais um ano as definições das novas metas de redução de carbono.

Uma pausa para respirar profundamente para me recompor.

Há muitas outras coisas para relembrar este ano, não só negativo, muitas ações positivas. O principal destaque que eu dou é o número de empreendedores sociais que está crescendo por todo o Brasil, inclusive em regiões periféricas. Start ups surgindo aliando tecnologias aos conceitos de economia colaborativa e circular e têm propósitos de solucionar problemas socioambientais para construir uma Cultura Regenerativa. Isso mostra a força que vem da sociedade, os 99% da população em ação para a mudança de um mundo melhor. E esse é o caminho para a Sustentabilidade que queremos.

“Uma vez que mudamos essa perspectiva, podemos entender a vida como um processo completo de evolução contínua para relacionamentos significativos, mais diversificados e mutuamente benéficos. A criação de sistemas regenerativos não é uma mudança simplesmente técnica, econômica, ecológica ou social: tem que andar de mãos dadas com uma mudança subjacente na forma de como pensamos sobre nós mesmos, nossos relacionamentos uns com os outros e com a vida como um todo.”

Daniel Christian Wahl (2016)

Que esta retrospectiva trágica sirva de motivação junto com os projetos causadores de impactos socioambiental positivos para o ano de 2020.

Sinto que 2020 é um ano de transição, virada da chave para a construção de uma nova cultura. Desconstrução do Ser Competitivo, para o Ser Cooperativo. Desconstrução da mentalidade de escassez, para a mentalidade de abundância. Desconstrução de uma comunicação violenta para um diálogo empático. Desconstrução da Separação Ecológica, Social e Individual para o Reencontro com o verdadeiro self e Consciência Ecológica.

Em 2020 estaremos a 10 anos dos cumprimentos das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030. Estaremos a 10 anos da determinação do clima do planeta Terra. Estaremos a 10 anos da definição do futuro da Humanidade.

E o objetivo 2020 da Mutação Sustentável – processo de evolução sistêmica para a regeneração da vida –  é apoiar esta transição.

Desejamos um Feliz Natal, cheio de amor, luz e paz. Desejamos um ano de muitos despertares, de abundância daquilo que nos nutre, alimentos, água, energia, vitalidade e principalmente, AMOR!

E que em 2020 não tenhamos mais tragédias/acidentes/crimes ambientais como o que tivemos este ano.

Gratidão por este ano de 2019, quando a Mutação só começou!

Nos vemos em 2020.

Um beijo.

 

Fonte: Livro Design de Culturas Regenerativas. Imagem: @rebecasjmachado

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