Análise do resultado 2019 dos meus indicadores pessoais de sustentabilidade.

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Mais um ano se inicia, 2020, início de mais uma década, a qual chamo de determinante para o futuro da humanidade. Daqui 10 anos teremos os resultados alcançados dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Saberemos também se conseguiremos limitar o aumento da temperatura média da Terra em 1,5ºC para evitar alterações mais drásticas no clima e nos serviços ecossistêmicos.

Mas, antes de definir as estratégias para atendimento as metas e objetivos 2020 e montar o plano de ação, é necessário analisar os resultados dos indicadores de sustentabilidade de 2019. Quem disse que uma gestão ambiental é realizada apenas em grandes corporações? Já falei algumas vezes por aqui e nas redes sociais que senti que eu precisava aplicar os métodos de gestão ambiental na minha vida particular. Há um ano e meio atrás despertei para as minhas atitudes pessoais nada coerente com o que eu praticava na minha vida profissional da área ambiental e sustentabilidade.

2019 foi um ano de muitas mudanças e em 2020 a transição continua. Mas antes de mudar qualquer coisa, precisamos conhecer o que é preciso mudar. Então, compartilho com vocês aqui meus indicadores e minhas mudanças de 2019.

Vamos começar pela minha pegada ecológica (você pode saber mais sobre o que é e calcular a sua aqui). Em março de 2019 a minha pegada foi de 1,92 planetas, ou seja, se todas as pessoas do mundo seguissem o meu estilo de vida, seriam necessários 1,92 planetas para suprir a demanda. Como assim? Tudo que consumimos é produzido em hectares de terra e superfície aquática, e tudo que descartamos volta para a terra. Dentro do ciclo natural a Terra tem um tempo para regenerar, assimilar os resíduos gerados e voltar a produzir. Nossa demanda mundial excede este limite, os recursos renováveis não tem seu tempo de regeneração. Não conseguimos viver só com os “juros” dos recursos, então utilizamos o “capital” natural, e ficamos com déficit para o ano seguinte.

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Minha pegada ecológica março 2019

Fiquei chocada com meu resultado, mas sem me culpar (sentimento que paralisa), comecei a mapear meus consumos, escolhas e hábitos para reduzir este indicador. Minha meta para 2030 sem dúvidas é chegar com a pegada ecológica de 1 planeta!

Durante um mês inteiro de março eu anotei tudo o que eu descartava como resíduo (com exceção dos restos de alimentos porque já havia iniciado a compostagem doméstica). Mais um choque da realidade. Em 30 dias eu descartei 126 tipos de resíduos diferentes! Isso mesmo, sem repetir, 126 tipos de resíduos entre plástico, papel, metal, etc.

Vou fazer um post mais específico sobre resíduos e este levantamento com as porcentagens de cada item depois. Agora abaixo segue as principais reduções dos meus impactos ambientais.

RESÍDUOS

Antes das alterações de descartáveis e compostagem doméstica, a minha geração de resíduos seguia a média brasileira de 1kg por pessoa por dia (ABES), sendo enviado para aterros sanitários.

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Coleta seletiva de recicláveis e balança

Em novembro e dezembro pesei todos resíduos que gerei separando em rejeitos (os que de fato são enviados ao aterro sanitário), orgânicos (que composto em casa e volta para o ciclo da terra como adubo) e recicláveis (metal, papel, plástico e vidro).

A minha média diária de rejeitos passou de 1kg/dia para 143g/dia. Isso mesmo! Redução de 85% sendo enviado para aterro sanitário, consequentemente redução de emissão de gás carbônico!

Este resultado se dá principalmente devido a compostagem que faço em casa, pois os resíduos orgânicos compõem em média 50% dos resíduos sólidos urbanos enviado aos aterros sanitários!

ALIMENTAÇÃO

Como vocês podem ver na imagem da minha pegada ecológica, 37% dos recursos utilizados provem do consumo de alimentos. Nossa alimentação tem grande parcela no uso da terra e nas emissões de gases do efeito estufa, principalmente devido ao consumo de proteína animal, sendo o mais crítico a carne bovina.

As minhas mudanças na alimentação foram:

1º Substitui as verduras com agrotóxicos por verduras orgânicas. Além de evitar os impactos ambientais eu contribuo com a minha saúde. Ainda não tenho condição de substituir 100% para uma alimentação orgânica livre de agrotóxicos devido a custos, localização e disponibilidade, mas, faz parte da minha meta 2030 uma alimentação 100% orgânica.

2º Aumentei a variedade e diversidade no meu prato. Temos o costume de comer sempre os mesmos alimentos, mesmo quando não são produtos da época. Isso acaba estressando o solo e os impactos da monocultura são enormes. Eu celebro a diversidade e minha saúde também, porque a qualidade nutricional aumenta.

3º Eliminação de ultraprocessados. Este não foi difícil, porque já não fazia muito uso devido à minha reeducação alimentar de anos atrás. Mas, também tenho reduzido os processados, pois alimentos industrializados além de ter compostos químicos para conservar, dar sabor, etc, eles utilizam de muitas embalagens plásticas, e o objetivo 2030 é zera o plástico descartável!

4º Redução da carne bovina. Minha média de consumo era de 900g por semana! Em novembro e dezembro essa média passou para 267g por semana, ou seja, uma redução de 70%. Com essa redução de consumo de carne eu reduzo consequentemente, 44.460L de água utilizada na criação e produção de carne e 871kg de CO2 por mês!

TRANSPORTE

Outro grande vilão das emissões de gás carbônico são os combustíveis fósseis utilizados nos transportes. Era (ainda sou na verdade) muito dependente do uso do carro. Acho muito complicado hoje em dia deixar de usar o carro, pois as cidades não tem uma mobilidade urbana eficiente. Vivemos na correria, pegar um ônibus demanda tempo maior em trânsito. Não consegui mensurar a redução do uso do carro em Km e combustível, mas com certeza as mudanças trouxeram redução de emissão de gás carbônico.

1º Troquei de carro. O carro que eu tinha até agosto de 2019 era de motor 1.8, mas eu e meu marido decidimos substituir por um carro 1.0, porque consome menos combustível.

2º Usamos somente etanol, biocombustível, renovável.

3º Mudança de cidade. Um dos vários motivos de eu ter me mudado para Curitiba é poder viver em uma cidade com boa estrutura onde tem tudo mais perto. Nossos deslocamentos de rotinas em Jundiaí eram distantes. Reduzi a distancia da academia de 10km para 5km.  Supermercado, padarias, bancos, e muito mais, agora eu tenho na avenida próximo a minha casa, a poucos quarteirões.

4º Não utilizava ônibus por nada. Hoje, em Curitiba, me programo para usar o ônibus quando tem que atravessar a cidade.

CONSUMOS EM GERAL

1º Em 2019 comprei apenas uma calça, uma blusa e um tênis novos, as demais peças de roupas que comprei (que não foram muitas, acho que 3 ou 4) foram de brechó! Ou seja, essas peças usadas não contabilizaram mais impactos no meio ambiente como consumo de água e outros recursos.

2º Substitui o antitranspirante por desodorante orgânico natural. Esta mudança está muito mais relacionado com a minha saúde. Para mim, não faz sentido tampar o suor da axila com alumínio. Se a natureza do nosso corpo é eliminar água através do suor, ir contra a própria natureza pode não ser uma boa ideia para a saúde.

3º Substituição de shampoo, condicionador, cremes para o rosto, pasta de dente, entre outros produtos de estética e higiene. Hoje em dia há várias opções mais saudáveis para nossa saúde, sem os compostos sintéticos proveniente do petróleo (parabeno, ftalatos, etc). Tenho testado algumas marcas, conhecendo, adaptando, variando com os produtos padrões as vezes quando não acho fácil ou quando a grana está mais curta, pois ainda os produtos naturais mais saudáveis tem um custo maior.

4º Produtos de limpeza. Também tenho testado algumas marcas de produtos de limpeza que utilizam apenas componentes biodegradáveis, e também tenho feito algumas receitinhas caseiras (vou compartilhar). Devido ao custo ser um pouco mais alto, não é todo o mês que consigo comprar estas marcas, e os caseiros tenho que convencer o marido que também ajuda na limpeza da casa, rsrsrs.

OUTRAS SUBSTITUIÇÕES PARA REDUÇÃO DE USO DE PLÁSTICO

1º Coletor menstrual. Já falei várias vezes nas redes sociais, o coletor menstrual é libertador! Eu me adaptei super e amo! Além de todas as vantagens eu deixo de descartar uma média de 7kg de absorventes por ano em aterros sanitários!

2º Compras de grãos, castanhas e farinhas a granel. Levo sempre meus potinhos e a loja tara o peso, com isso não gero mais resíduos!

3º Os de praxe! Ecobag, copo, garrafa de água, colher. Já falei que eu sou marmiteira mesmo?

4º Lâmina de barbear. Uso pouco, adquiri um reutilizável que só troca a lâmina, a famosa gilete!

4º Bucha vegetal ainda não consegui fazer a transição por completo. Motivo: é difícil adaptar quando você divide a louça com o seu marido, ele não curtiu. E para ser sincera, dá mais trabalho mesmo lavar panela com ela.

Bom, após todas estas mudanças, refiz minha pegada ecológica e tcharam! Reduzi para 1,67 planetas!

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Pegada ecológica início de 2020.

Termino o ano de 2019 orgulhosa e feliz com os resultados. Todo o processo de chegar até aqui foi muito divertido, aprendi muito comigo mesma. Aplicar os conceitos e métodos de gestão ambiental na minha vida acabou somando em outras áreas mais disciplina e organização também.

Além do mais, as mudanças não pararam por aí. Para sermos pessoas mais sustentáveis as primeiras mudanças partem de dentro, na forma de pensar. Os benefícios são muito mais do que aqueles que são mensuráveis. Pensar e agir na sustentabilidade também me fez amar mais, respeitar, ter mais empatia, ser mais grata, ter mais confiança… tudo isso fez do meu ano de 2019 a base, para onde quero chegar em 2030.

E você, já reveu suas metas de 2019? Atingiu resultados? Teve dificuldade?

As minhas metas 2020 já estão prontas e em breve vou compartilhar com vocês.

Se interessou pelos indicadores e quer montar uma planilha para você se autoconhecer no setor sustentabilidade da sua vida ou do seu pequeno negócios? Mande um e-mail, podemos te ajudar a conquistar resultados incríveis, regeneradores e de impacto positivo para o meio socioambiental!

Um beijo!

 

 

 

 

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