Experiência e visão sistêmica para solucionar problemas em tratamento de efluentes.

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A foto acima é a uma lagoa parte do tratamento de efluentes da multinacional fábrica de embalagens de alumínio que eu fui responsável pela gestão de operação da ETE/ETA.

Olha só como a vida prepara cada uma durante a nossa caminhada, para poder aprender mais com experiências anteriores. O meu primeiro emprego, após a formação em Engenheira Ambiental, foi como vendedora técnica e integradora de soluções para tratamento de efluentes, na empresa que fabrica este aerador horizontal de superfície.

Este aerador é uma ótima solução para um retrofit em lagoa de estabilização facultativa. Aeração em lagoa facultativa?

Sim.

A aeração superficial não revolve o fundo da lagoa, então não corre o risco misturar o lodo decantado e mudar o processo de tratamento. Mas para isso, é preciso aplicar a disposição correta do aerador de acordo com a sua área e circuito hidráulico.  A função da aplicação do aerador na lagoa facultativa é para aumentar a capacidade de volume, ou seja, manter TDH (Tempo de Detenção Hidráulica) de projeto, mesmo que tenha aumento de volume de efluente na entrada. Com isso,  aumenta a concentração de oxigênio disponível para as bactérias facultativas aeróbias fazerem o processo de biodegradação da matéria orgânica, consequentemente, aumenta a eficiência de remoção de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio).

Bom, mas no caso da fábrica de embalagem metálica, os aeradores, não resolveu.

Eu não participei do projeto da aplicação desses aeradores na época, porque entrei após a instalação deles.

Após entrar como gestora na fábrica, devido minha experiência, meu desafio era exatamente solucionar a baixa eficiência de tratamento de efluentes. De início, eu não entendia porque os resultados não eram positivos com os aeradores na lagoa.

Depois de quase um ano alterando e melhorando os processos físico-químico da ETEI e conhecendo mais o efluente industrial e suas variações, entendi e, confirmei via análises que, naquele efluente as bactérias não se desenvolveriam por faltar alimentos e nutrientes para elas, e que o alto valor de 7mg/L de oxigênio na lagoa era porque as bactérias morriam e não havia consumo de oxigênio.

A conclusão que tirei disso é que, mesmo que você tenha a melhor solução de equipamento para um tipo de processo, ele não será a solução para tudo! Sempre é necessário avaliar o contexto, o ambiente, todas as variáveis e RELAÇÕES para fazer as perguntas corretas e se certificar.

Em uma consultoria ou projeto para tratamento de efluentes não se pode analisar apenas um único ponto, de forma individualizada, como foi o caso desta lagoa. Eles foram comprados porque a vazão de efluente aumentou com a partida da 3ª linha de produção e os aeradores aumentariam o TDH sem precisar aumentar o volume da lagoa. De fato eles fizeram isto, mas não foi solução para a remoção do aumento de carga orgânica. Ainda existia uma condição não favorável, não identificada para as bactérias fazerem a função delas, como qualquer ser da natureza.

A segunda conclusão que tiro dessa minha experiência é que testar, experimentar e ajustar sempre é necessário. O mercado exige que a solução venha pronta, de forma rápida para solucionar o seu problema, modelos plug and play, mas nem sempre isso dá o resultado esperado. Por que a solução não funciona?

Pode até ser não mesmo.

Mas, na maior parte das vezes a solução não funciona para AQUELE problema específico porque o modelo plug and play ou a teoria estudada, não foi desenhado para relações de processos diferentes. O ambiente muda tudo. O processo também.

No meu caso, a teoria existente que não funcionou foi ao dimensionar as dosagens necessárias de nutrientes para corrigir a proporção DBO:N:F na lagoa. A dosagem mesmo que baixa deu condição para proliferar algas e com isso, mais um problema para o efluente final. E, por que não deu resultado?

Porque não existiam consumidores para os nutrientes. As bactérias não estavam sobrevivendo porque não tinha alimento (energia) suficiente. O efluente de um processo de fabricação de latas de alumínio tem alta DQO (Demanda Química de Oxigênio) e baixa DBO.

Então, qual foi a solução? Todas as melhorias que foram feitas, contribuíram para o atendimento da legislação ambiental, mas, para avançar na melhoria contínua foi preciso conhecer muito mais o problema, o efluente em si.. E, claro, para a característica deste efluente, a lagoa facultativa aerada não era capaz de SUSTENTAR a qualidade requerida, foi necessário desenvolver um novo projeto para atender o segundo desafio: entregar uma DBO de 5 mg/L.

Portanto para uma consultoria, o levantamento e solução de problema tem que partir de uma análise sistêmica.  Conhecer muito mais o problema, a causa.

Já dizia Albert Einstein:

Se eu tivesse uma hora pra resolver um problema e minha vida dependesse dessa solução, eu passaria 55 minutos definindo a pergunta certa a se fazer. Porque quando eu souber a pergunta correta, poderia resolver o problema em menos de cinco minutos”.

Para isto exige-se muito mais de conhecimento do consultor, mas não apenas na área técnica, mas conhecimento também sobre processos, relações e sistemas, ou seja, experiências e vivências na prática!

 

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