RECONSTRUIR A VERDADEIRA SEGURANÇA NA ERA DA INSEGURANÇA – Vandana Shiva.

ESTE TEXTO É DA VANDANA SHIVA, QUE FOI PUBLICADO NO LIVRO ECONOMIA DE GAIA,  ORGANIZAÇÃO DO GAIA EDUCATION.

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A HUMANIDADE PARECE ESTAR em queda livre rumo ao desastre. A estrutura ecológica da nossa existência está sendo destruída à medida que a violência da globalização corporativa se une à violência da guerra.

Alternativas à guerra, à não sustentabilidade e à justiça social e econômica têm se tornado uma imposição para sobrevivência. Ela precisa combinar a atitude de fazer as pazes com o planeta com atitude de fazer as pazes entre pessoas de culturas distintas. Uma não é possível sem a outra. As raízes do terrorismo, da violência e da guerra encontram-se na exclusão econômica e ambiental e na segurança que ela gera. A segurança das pessoas não está em orçamentos militares mais volumosos, bombas maiores e nem estados policialescos mais fortes. Está na segurança ecológica, econômica, cultural e política. A reconstrução dessas múltiplas seguranças é a única maneira de criar paz, justiça e sustentabilidade.

Por que nós, como espécie, estamos destruindo o próprio alicerce de nossa sobrevivência e existência? Por que a insegurança tem sido o resultado de todas as tentativas de criar segurança? Como nós, na condição de membros da comunidade da terra, podemos reinventar a segurança para garantir a sobrevivência de todas as espécies e o futuro de culturas distintas? Como passar das ruínas da cultura da morte da destruição para cultura que sustenta e celebra a vida?

Podemos fazer essa passagem libertando-nos da prisão mental da separação e da exclusão, para ver o mundo em toda sua interconexão e indissociabilidade, permitindo que novas alternativas surjam. O desespero se transforma em esperança. A violência abre caminho para não violência. A escassez se transforma em abundância, e a insegurança, em segurança. Precisamos mais uma vez sentir em casa na Terra e entre nós. Temos necessidade de um novo paradigma que nos permita passar da cultura difusa da violência para cultura da não-violência, da criatividade e da paz: esse é o paradigma da Democracia da Terra.

 A Democracia da Terra se baseia na criação de ECONOMIAS VIVAS que protejam a vida na Terra, supram as necessidades básicas e promovam segurança econômica para todos. Ela tem como base uma democracia ativa, que é inclusiva. O movimento da Democracia da Terra é um compromisso de superar a crise da injustiça e da desigualdade econômica, da não sustentabilidade ecológica, o declínio da democracia e a ascensão do terrorismo. Esse movimento oferece uma visão de mundo alternativa, na qual seres humanos estão integrados a família terrestre. Começamos a ver que estamos conectados pelo amor, pela compaixão, pela responsabilidade ecológica e pela justiça econômica, que substituem a ganância, consumismo e a competição como objetivos da vida humana.

Na Democracia da Terra, a economia, política e a sociedade passam de sistemas negativos, que beneficiam apenas alguns em curto prazo, para sistemas positivos, que garantem o direito fundamental a vida de todas as espécies. A manutenção da vida em sua diversidade e a integridade é a base das relações na Democracia da Terra.

Assim, ela transforma nossa mente e nossas ações, e nos livra de padrões de pensamento e para que nos levaram a situação difícil em que estamos hoje. Também nos ajuda a enfrentar as raízes comuns de problemas que são definidos, isoladamente, como econômicos, ecológicos e políticos. A Democracia da Terra nos capacita a fazer mudanças mentais e contribuem para a satisfação de nossas necessidades tem dentre outras espécies e culturas, e para o aprimoramento do bem-estar humano, enquanto assegura o bem-estar de todos os seres. Na Índia, rogamos: “Que todos os seres sejam felizes”.

A Democracia da Terra agrega princípios que nos permitem transcender a polarização, as divisões e as discussões que colocam a economia contra ecologia, o desenvolvimento contra o meio ambiente, as pessoas contra o planeta, e as nações umas contra as outras, em uma nova cultura de medo e ódio. A Democracia da Terra está simbolizada nas fazendas que revitalizam a biodiversidade e nas espécies que atuam em mutualidade para beneficiar umas às outras. Ela também oferece um novo contexto ao ser humano, como um dos membros da família terrestre e das diversas culturas no mosaico da diversidade cultural.

Visto que as outras espécies não votam, não podem influenciar políticos e não tem poder de compra no mercado, a Democracia da Terra nos obriga, como humanos, a levar em conta o bem-estar das espécies. Como Sua Santidade o Dalai Lama disse em seu 60º aniversario: “Todos os seres têm direito ao bem-estar e a felicidade. Temos o dever de garantir o seu bem-estar”. Isso cria a responsabilidade humana de atuarmos com administradores, em vez da noção preponderante de soberania, controle e posse.

A Democracia da Terra privilegia a diversidade de forma e de função na natureza e na sociedade. Quando a relevância e o valor intrínseco de todas as formas de vida são reconhecidos, as diversidades biológicas e cultural desabrocham. As monoculturas são resultado da exclusão e da dominação de espécies: único tipo, uma única raça, uma única religião, uma única visão de mundo. Elas são uma indicação de coerção e de perda da liberdade. Liberdade implica diversidade. Diversidade significa liberdade.

A Democracia da Terra nutre a diversidade pela superação da lógica da exclusão, do Apartheid, do “nós e eles” e do “uma coisa ou outra”. Ela implica a multifuncionalidade, na lógica do “e” e da inclusão. Transcende a polarização falsa do selvagem versus o refinado, da natureza versus a cultura, e até mesmo falso choque de culturas. Leva em consideração o conjunto da agrofloresta, tanto a área agrícola quanto a florestal, reconhece que a biodiversidade pode ser preservada e também pode suprir as necessidades humanas. Por meio da substituição das monoculturas pela diversidade e dos sistemas unidimensionais pela multidimensionalidade, a economia negativa da criação de escassez pode ser substituída pela economia positiva da abundância compartilhada, da provisão garantida das necessidades básicas e do acesso aos recursos vitais. Diversidade a criatividade prosperam na natureza e na cultura.

A Democracia da Terra coloca a responsabilidade do centro das nossas relações com os direitos decorrentes dela; diferentemente do paradigma dominante, em que há direito sem responsabilidade e vice-versa. A separação de direitos e responsabilidade está na raiz da devastação ecológica e das desigualdades de gênero e classe. As corporações que lucram com a indústria química, ou a poluição genética derivada das plantações geneticamente modificadas, não são obrigadas a arcar com o fardo dessa poluição. Os custos sociais e ecológicos são exteriorizados e pesam sobre os outros, que foram excluídos das decisões e dos benefícios.

A Democracia da Terra baseia-se na aqueles que pagam o preço por terem voz, e aqueles que carregam uma responsabilidade por terem direitos. Isso cria uma democracia direta ou básica. Por um lado, implica o deslocamento descendente das decisões, indo das instituições globais e dos governos centralizados para as comunidades locais. Por outro, implica uma mudança na nossa interpretação de soberania. Portanto, a Democracia da Terra transfere a constelação de poder das corporações para as pessoas, e desse modo, reequilibra o papel e as funções do Estado, que vem se tornando cada vez mais antidemocrático.

A Democracia da Terra tem a ver com a vida, com direito natural às condições de estar vivo. Trata-se da vida cotidiana das decisões e liberdades relacionadas ao dia a dia – a comida que comemos, as roupas que vestimos, água que bebemos. Não se trata apenas de eleições e do ato de votar. É uma democracia permanentemente vibrante. Combina democracia econômica com as democracias política e ecológica. Ela gera economia, políticas e identidades positivas. Também cria segurança e, assim, condições para a paz.

 Ela oferece potencial para mudar a maneira como o governo, organizações e corporações intergovernamentais operam. Cria um novo paradigma para a governança global, enquanto dá poder as comunidades locais. Também cria a possibilidade de fortalecimento da segurança ecológica, à medida que aprimora a segurança econômica. Com base nas seguranças ecológica e econômica, ela torna as sociedades imunes ao vírus do ódio e do medo. A Democracia da Terra oferece uma nova maneira de ver as coisas, na qual algo não está em guerra como com todo o resto, mas por meio da qual podemos cooperar para a criação da paz, da sustentabilidade e da justiça.

CORONAVÍRUS: DECRESCIMENTO ECONÔMICO FORÇADO, SOFRIDO, MAS NECESSÁRIO PARA UM NOVO RECOMEÇO.

Desde a década de 70, um economista chamado André Gorz, baseado nas teses do criador da Bioeconomia Nicholas Georgescu-Roegen, vem apostando que seria necessário um decrescimento econômico para que atingíssemos a sustentabilidade.

A tese do decrescimento baseia-se na hipótese de que a economia neoclássica – entendida como aumento constante do Produto Interno Bruto (PIB) – não ser sustentável para o ecossistema global. Esta ideia é oposta ao pensamento econômico dominante, segundo o qual a melhoria do nível de vida seria decorrência do crescimento do PIB e portanto, o aumento do valor da produção deveria ser um objetivo permanente da sociedade.

A questão principal, segundo os defensores do decrescimento é que os recursos naturais são limitados e portanto não existe crescimento infinito. A melhoria das condições de vida deve, portanto, ser obtida sem aumento do consumo, mudando-se o paradigma dominante.

Muitos compreenderam esta tese, tanto que, durante muitas décadas vem sendo proposto o Desenvolvimento Sustentável (tem posts anteriores falando sobre, procure pela tag Sustentabilidade): desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Em outras palavras, o desenvolvimento sustentável é aquele que assegura um crescimento econômico viável, sem esgotar os recursos para o futuro, atuando de uma forma socialmente justa e ambientalmente correta.

No entanto, 50 anos após a tese do decrescimento econômico, o que aconteceu foi um aumento do PIB em 8x, e por outro lado a poluição ambiental e os problemas sociais também aumentaram, além do aumento da temperatura da atmosfera causando as mudanças climáticas e outros impactos nos serviços ecossistêmicos que suportam a vida humana no planeta Terra.

Entramos em 2020 com a maior certeza de que o modelo econômico atual é insustentável, e que medidas urgentes precisariam ser tomadas. Afinal, iniciamos a década da ação para atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, entramos na década decisiva para conseguir frear o ritmo de aquecimento global antes de que seja tarde demais.

Apesar de muitos movimentos propondo mudanças e novas formas mais saudáveis de atingir o desenvolvimento sustentável, o ano de 2020 era esperado por muitos a tão retomada do crescimento econômico, como era o caso do Brasil.

Mesmo sabendo o que se têm de fazer, as grandes economias não pareciam querer abrir mãos do poder, dos lucros, crescimento e da competitividade em prol da Sustentabilidade.

Mas por ironia do destino, parece que a natureza sabendo que nós, humanos, não abriríamos as mãos do crescimento econômico, e que dificilmente conseguiríamos atingir o equilíbrio socioambiental para permitir que ela se regenerasse para continuar nos suprindo com os recursos renováveis e serviços ecossistêmicos, ela (natureza) decidiu frear todos, igualmente.

Através da antiga cultura de dominação homem-natureza, de superioridade homem-animal, um novo vírus surgiu, o Covid-19, e em um ritmo extremamente acelerado, parou o mundo.

De repente, obrigatoriamente atingimos um decrescimento econômico. E ao contrário do que estávamos acostumados, onde as decisões dos homens de poder não afetavam igualmente a todos, e estávamos acostumados uns terem mais do que outros, o Covid-19 não foi seletivo. Pela primeira vez todos estão sendo igualmente afetados. É claro que, no resultado final, os mais vulneráveis sairão muito mais impactados.

O Coronavírus chegou para dar fôlego ao Planeta Terra. É incrível como podemos ver a Regeneração da Natureza. O primeiro exemplo veio da China, após a publicação das imagens de satélite da NASA, com o antes e depois do isolamento e parada das indústrias, o índice de qualidade do ar melhorou significativamente. Depois as imagens do rio Veneza, na Itália, que voltou a ter água clarificada, e também imagens do céu da maior cidade da América Latina, São Paulo, onde muitos paulistanos não estavam acostumados a ver estrelas com frequência.

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Fonte: NASA

É claro que, não precisaríamos aprender desta forma, na dor e sofrimento. Milhares de pessoas estão morrendo e milhões perdendo empregos no mundo inteiro, além de muitas empresas que irão a falência. Mas, não aprendemos e/ou não quisemos fazer diferente ao longo das últimas décadas, mesmo sob tantos avisos dos cientistas. E mesmo que se tivéssemos um pouco mais conscientes e preventivos, não era garantido que não seríamos atingidos por esta pandemia. Afinal, é impossível ter o controle sobre esta grande teia de relações sociais e ecológicas.

O Coronavírus parece ser o novo dilúvio só que na época depois de Cristo. Um reseat ao nosso modo de vida, aos nossos valores. Nós estamos passando por uma grande transformação juntos, em escala planetária. Será necessário um grande recomeço, uma reconstrução, e agora mais do que nunca temos a chance de fazer diferente.

Durantes os últimos 2 anos eu tenho acompanhado e me especializado em novos modelos de se relacionar com o meio ambiente. Ao contrário da cultura atual ser de soma zero (ganha-perde), precisamos passar para uma cultura de soma não-zero (ganha-ganha) exigindo uma cultura de colaboração generalizada a fim de que a natureza também vença (ganha-ganha-ganha) e vença primeiro, afinal ela que é a provedora de toda abundância da qual dependemos. Para isso, é necessário agir como ela. Utilizar o exemplo dos processos naturais que não desperdiça nada, além de ser extremamente eficiente, a natureza é EFETIVA, faz da melhor forma possível o que precisa ser feito, gerando transformação, para levar de volta ao seu estado de equilíbrio.

Durante centenas de anos, o homem aprendeu a ciência, mas não muito de como utilizá-la. Os métodos de pensamentos fragmentados, reducionistas e mecanicistas já não cabem mais no ecossistema que vivemos. Diversos físicos e cientistas modernos vem apontando para uma nova realidade sistêmica e um mindset ecológico.

Além do propósito de trazer estes conceitos ecológicos para os processos a fim de atingir a Gestão Efetiva dos Aspectos Ambientais, a Mutação Sustentável tem a visão de ser um agente para disseminar essa nova cultura emergente, uma Cultura Regenerativa.

O desenvolvimento Regenerativo é a evolução do desenvolvimento Sustentável. Quando falamos em Sustentabilidade, significa manter o equilíbrio daquilo que existe do jeito que é para ser, natural e saudável para todos. Só que o que temos feito atualmente é a “Sustentabilidade” do que não pode ser sustentável, do desequilíbrio. Agora, primeiramente temos que regenerar e dar a condição de voltar para o estado de equilíbrio dinâmico natural, para posteriormente sim, apoiar-se no desenvolvimento sustentável.

Já existem muitos movimentos com novas formas de pensar a Sustentabilidade e atingir a Regeneração, como por exemplo a Economia Circular, a Bioeconomia, Economia Colaborativa, dentre outros, mas eram vistos por muitos como: “isso não é viável”, “não é possível”, “não funciona”, “é muito (…)ismo”, simplesmente porque muda vários paradigmas, tiram da zona de conforto e por isso, é pouco difundido e discutido. Porém, diante da pandemia Coronavírus, estes novos movimentos precisam ser intensificados e considerados para a reconstruir a sociedade e a economia de uma forma mais justa e saudável para todos.

Ao longo dos próximos dias irei compartilhar nas redes da Mutação Sustentável quais ensinamentos a crise do Coronavírus está nos trazendo que está relacionado com modelos e conceitos existentes, novos paradigmas que, devem se manter para um recomeço Regenerativo transformando as nossas relações, modo de vida e os nossos negócios.

Círculo de Ouro da Mutação Sustentável

Mutação Sustentável acredita na transformação individual de dentro para fora como a primeira engrenagem para iniciar as transformações nas organizações. Um negócio é feito por pessoas, então para transformar o negócio, as pessoas que o integral também passam pela Evolução para a Regeneração. Por isso, nossos serviços começam com um uma análise detalhada.

Como fazemos?

A nossa metodologia parte do conhecimento dos processos envolvidos dentro da empresa. Para isso é preciso ter uma análise sistêmica, criar indicadores e medir para saber como iniciar um processo de evolução para a regeneração, mas de uma forma saudável e sustentável para a organização.

Para se ter o valor da sustentabilidade, a direção, os colaboradores, a cadeia de fornecedores têm que caminhar juntos, porque assim os resultados atingidos serão muito mais positivos. Por isso, é importante existir o diálogo e fazemos isso com Palestras e Treinamentos de Educação Ambiental e Consciência Ecológica.

Além de buscar os Atendimentos Legais na parte Ambiental, a prática de Gestão Ambiental traz muitas oportunidades para iniciar a busca pela Sustentabilidade. Porém, o objetivo dentro do antigo conceito era de reduzir e minimizar os impactos negativos causados ao meio ambiente. Hoje sabemos que causar menos impacto não é suficiente e não vai evitar uma crise climática e nem riscos econômicos para os negócios.

Hoje, o desenvolvimento sustentável pede mais, o futuro, que já começou, é a busca por um design Regenerativo. Desenvolver negócios, produtos e comunidades que ajudem a regenerar o meio socioambiental, dando condições para o planeta recuperar sua saúde e capacidade de fornecer os serviços ecossistêmicos. A partir deste conceito empresas e Startups começaram a surgir com propósitos de solucionar problemas. Os consumidores também estão mais conscientes, devido a isso estão emergindo organizações do quarto setor (leia mais sobre aqui), as quais estão inovando o mercado, aumentando a competitividade e gerando impactos positivos.

Dentro do Design Regenerativo está o Design para a Economia Circular (leia mais aqui), conceito baseada na inteligência da natureza, opondo ao processo produtivo linear o processo circular, onde os resíduos são insumos para a produção de novos produtos (oportunidades) para evitar mais extração e impactos ao meio ambiente.  Esse conceito também é chamado de “cradle to cradle” (do berço ao berço), onde não existe a ideia de resíduo, e tudo é continuamente nutriente para um novo ciclo, seja ele técnico ou biológico. O conceito “cradle to cradle” também visa a saúde dos materiais ao desenvolver novos produtos, evitando ao máximo materiais tóxicos.

E a partir da Economia Circular, também iniciou um movimento chamado Lixo Zero. Este conceito visa o máximo de aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis, orgânicos e a redução – ou até mesmo o fim – do encaminhamento destes materiais para os aterros sanitários e/ou incineradores, ou seja, zerar o desperdício de materiais e nutrientes, sem perdas inclusive no processo de destinação final.

A Mutação Sustentável trabalha com estes conceitos em seus projetos e consultorias, buscando eliminar impactos negativos e potencializar os impactos positivos. É um processo até chegar na Regeneração, mas ele pode iniciado agora!

E para fazer tudo isto possível, a Mutação Sustentável conta com parceiros capacitados com soluções diversas para entregar o melhor custo-benefício-sustentável-regenerativo. Até porque dois de nossos VALORES são a Colaboração e Celebração da (Bio)Diversidade!

Por quê fazemos?

Dentro da atual visão de negócios e economia que visa somente o crescimento dos lucros, investir em Responsabilidade Ambiental e em Sustentabilidade custava caro para a empresa.

Hoje entendemos o valor do capital natural. A natureza fornece todos os recursos necessários para manter o negócio vivo! Mas como ela também é viva, os usuários têm responsabilidade de manter o ecossistema saudável. Afinal, vivemos em uma teia interdependente e conectada.

Iniciar um processo de Mutação Sustentável trará muitos resultados positivos para os seus negócios, clientes e comunidade, como por exemplo:

  • Mudanças de hábitos nos colaboradores; 
  • Melhoria de governança;
  • Desempenho na gestão;
  • Identificação de desperdícios de energia, água, insumos e consequentemente soluções para a redução;
  • Redução de geração de resíduos;
  • Valorização dos resíduos de processos podendo virar outro produto;
  • Relacionamento com fornecedor e outros stakeholders;
  • Redução de custos e tempo com otimização dos processos;
  • Atração de investimentos devido ao melhor posicionamento de mercado;
  • Aumento de visibilidade e fidelização do cliente;
  • Conservação da natureza e recursos naturais;
  • Regeneração do meio ambiente;
  • Redução de emissão de gás carbônico;
  • Redução de riscos econômicos;
  • Inovações;
  • E muitos outros, tudo dependendo do Objetivo e Perfil da Empresa. 
E isso é possível para Micro, Pequenas e Médias Empresas?

Até um tempo atrás, buscar o Desenvolvimento Sustentável era responsabilidade de grandes multinacionais e pautas de governos federais. Diante da crise ecológica e climática, alinhada aos riscos econômicos, a velocidade de mudança no mercado e ao aumento da desigualdade social no mundo, surgiu a necessidade de questionar os modelos de negócios, o sistema econômico e até mesmo, a cultura e a nossa cognição individual e coletiva. Neste contexto, a necessidade de um desenvolvimento sustentável é para todos os setores e organizações sejam elas públicas, privadas, sociais e individuais. Estamos em um sistema interdependente de todos os processos naturais e biodiversidade necessitando de cuidados e atenção para uma Cultura Regenerativa do Planeta e da Humanidade.

Por que o Processo Mutação Sustentável é ideal para MicroPequenas e Médias Empresas?

  1. Porque elas correspondem quase que 99% do setor da indústria e serviços no Brasil (SEBRAE e CNI, 2018).
  2. Porque geralmente criou-se uma crença cultural nestes setores de que cumprir a responsabilidade ambiental e investir em sustentabilidade é caro.
  3. Porque o processo Mutação Sustentável permite que você busque o a Evolução para a Regeneração de uma forma equilibrada, flexível, mantendo a Sustentabilidade do negócio sem gerar riscos econômicos.
  4. Porque estas empresas criam relações mais diretas com o consumidor final, então elas se tornam um agente de educação ambiental e transformação social.
  5. Porque os consumidores estão mais conscientes e buscando relações com as empresas responsáveis.

Entre em contato  e agende uma reunião Online  para tirar dúvida sobre o processo Mutação Sustentável.

Análise do resultado 2019 dos meus indicadores pessoais de sustentabilidade.

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Mais um ano se inicia, 2020, início de mais uma década, a qual chamo de determinante para o futuro da humanidade. Daqui 10 anos teremos os resultados alcançados dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Saberemos também se conseguiremos limitar o aumento da temperatura média da Terra em 1,5ºC para evitar alterações mais drásticas no clima e nos serviços ecossistêmicos.

Mas, antes de definir as estratégias para atendimento as metas e objetivos 2020 e montar o plano de ação, é necessário analisar os resultados dos indicadores de sustentabilidade de 2019. Quem disse que uma gestão ambiental é realizada apenas em grandes corporações? Já falei algumas vezes por aqui e nas redes sociais que senti que eu precisava aplicar os métodos de gestão ambiental na minha vida particular. Há um ano e meio atrás despertei para as minhas atitudes pessoais nada coerente com o que eu praticava na minha vida profissional da área ambiental e sustentabilidade.

2019 foi um ano de muitas mudanças e em 2020 a transição continua. Mas antes de mudar qualquer coisa, precisamos conhecer o que é preciso mudar. Então, compartilho com vocês aqui meus indicadores e minhas mudanças de 2019.

Vamos começar pela minha pegada ecológica (você pode saber mais sobre o que é e calcular a sua aqui). Em março de 2019 a minha pegada foi de 1,92 planetas, ou seja, se todas as pessoas do mundo seguissem o meu estilo de vida, seriam necessários 1,92 planetas para suprir a demanda. Como assim? Tudo que consumimos é produzido em hectares de terra e superfície aquática, e tudo que descartamos volta para a terra. Dentro do ciclo natural a Terra tem um tempo para regenerar, assimilar os resíduos gerados e voltar a produzir. Nossa demanda mundial excede este limite, os recursos renováveis não tem seu tempo de regeneração. Não conseguimos viver só com os “juros” dos recursos, então utilizamos o “capital” natural, e ficamos com déficit para o ano seguinte.

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Minha pegada ecológica março 2019

Fiquei chocada com meu resultado, mas sem me culpar (sentimento que paralisa), comecei a mapear meus consumos, escolhas e hábitos para reduzir este indicador. Minha meta para 2030 sem dúvidas é chegar com a pegada ecológica de 1 planeta!

Durante um mês inteiro de março eu anotei tudo o que eu descartava como resíduo (com exceção dos restos de alimentos porque já havia iniciado a compostagem doméstica). Mais um choque da realidade. Em 30 dias eu descartei 126 tipos de resíduos diferentes! Isso mesmo, sem repetir, 126 tipos de resíduos entre plástico, papel, metal, etc.

Vou fazer um post mais específico sobre resíduos e este levantamento com as porcentagens de cada item depois. Agora abaixo segue as principais reduções dos meus impactos ambientais.

RESÍDUOS

Antes das alterações de descartáveis e compostagem doméstica, a minha geração de resíduos seguia a média brasileira de 1kg por pessoa por dia (ABES), sendo enviado para aterros sanitários.

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Coleta seletiva de recicláveis e balança

Em novembro e dezembro pesei todos resíduos que gerei separando em rejeitos (os que de fato são enviados ao aterro sanitário), orgânicos (que composto em casa e volta para o ciclo da terra como adubo) e recicláveis (metal, papel, plástico e vidro).

A minha média diária de rejeitos passou de 1kg/dia para 143g/dia. Isso mesmo! Redução de 85% sendo enviado para aterro sanitário, consequentemente redução de emissão de gás carbônico!

Este resultado se dá principalmente devido a compostagem que faço em casa, pois os resíduos orgânicos compõem em média 50% dos resíduos sólidos urbanos enviado aos aterros sanitários!

ALIMENTAÇÃO

Como vocês podem ver na imagem da minha pegada ecológica, 37% dos recursos utilizados provem do consumo de alimentos. Nossa alimentação tem grande parcela no uso da terra e nas emissões de gases do efeito estufa, principalmente devido ao consumo de proteína animal, sendo o mais crítico a carne bovina.

As minhas mudanças na alimentação foram:

1º Substitui as verduras com agrotóxicos por verduras orgânicas. Além de evitar os impactos ambientais eu contribuo com a minha saúde. Ainda não tenho condição de substituir 100% para uma alimentação orgânica livre de agrotóxicos devido a custos, localização e disponibilidade, mas, faz parte da minha meta 2030 uma alimentação 100% orgânica.

2º Aumentei a variedade e diversidade no meu prato. Temos o costume de comer sempre os mesmos alimentos, mesmo quando não são produtos da época. Isso acaba estressando o solo e os impactos da monocultura são enormes. Eu celebro a diversidade e minha saúde também, porque a qualidade nutricional aumenta.

3º Eliminação de ultraprocessados. Este não foi difícil, porque já não fazia muito uso devido à minha reeducação alimentar de anos atrás. Mas, também tenho reduzido os processados, pois alimentos industrializados além de ter compostos químicos para conservar, dar sabor, etc, eles utilizam de muitas embalagens plásticas, e o objetivo 2030 é zera o plástico descartável!

4º Redução da carne bovina. Minha média de consumo era de 900g por semana! Em novembro e dezembro essa média passou para 267g por semana, ou seja, uma redução de 70%. Com essa redução de consumo de carne eu reduzo consequentemente, 44.460L de água utilizada na criação e produção de carne e 871kg de CO2 por mês!

TRANSPORTE

Outro grande vilão das emissões de gás carbônico são os combustíveis fósseis utilizados nos transportes. Era (ainda sou na verdade) muito dependente do uso do carro. Acho muito complicado hoje em dia deixar de usar o carro, pois as cidades não tem uma mobilidade urbana eficiente. Vivemos na correria, pegar um ônibus demanda tempo maior em trânsito. Não consegui mensurar a redução do uso do carro em Km e combustível, mas com certeza as mudanças trouxeram redução de emissão de gás carbônico.

1º Troquei de carro. O carro que eu tinha até agosto de 2019 era de motor 1.8, mas eu e meu marido decidimos substituir por um carro 1.0, porque consome menos combustível.

2º Usamos somente etanol, biocombustível, renovável.

3º Mudança de cidade. Um dos vários motivos de eu ter me mudado para Curitiba é poder viver em uma cidade com boa estrutura onde tem tudo mais perto. Nossos deslocamentos de rotinas em Jundiaí eram distantes. Reduzi a distancia da academia de 10km para 5km.  Supermercado, padarias, bancos, e muito mais, agora eu tenho na avenida próximo a minha casa, a poucos quarteirões.

4º Não utilizava ônibus por nada. Hoje, em Curitiba, me programo para usar o ônibus quando tem que atravessar a cidade.

CONSUMOS EM GERAL

1º Em 2019 comprei apenas uma calça, uma blusa e um tênis novos, as demais peças de roupas que comprei (que não foram muitas, acho que 3 ou 4) foram de brechó! Ou seja, essas peças usadas não contabilizaram mais impactos no meio ambiente como consumo de água e outros recursos.

2º Substitui o antitranspirante por desodorante orgânico natural. Esta mudança está muito mais relacionado com a minha saúde. Para mim, não faz sentido tampar o suor da axila com alumínio. Se a natureza do nosso corpo é eliminar água através do suor, ir contra a própria natureza pode não ser uma boa ideia para a saúde.

3º Substituição de shampoo, condicionador, cremes para o rosto, pasta de dente, entre outros produtos de estética e higiene. Hoje em dia há várias opções mais saudáveis para nossa saúde, sem os compostos sintéticos proveniente do petróleo (parabeno, ftalatos, etc). Tenho testado algumas marcas, conhecendo, adaptando, variando com os produtos padrões as vezes quando não acho fácil ou quando a grana está mais curta, pois ainda os produtos naturais mais saudáveis tem um custo maior.

4º Produtos de limpeza. Também tenho testado algumas marcas de produtos de limpeza que utilizam apenas componentes biodegradáveis, e também tenho feito algumas receitinhas caseiras (vou compartilhar). Devido ao custo ser um pouco mais alto, não é todo o mês que consigo comprar estas marcas, e os caseiros tenho que convencer o marido que também ajuda na limpeza da casa, rsrsrs.

OUTRAS SUBSTITUIÇÕES PARA REDUÇÃO DE USO DE PLÁSTICO

1º Coletor menstrual. Já falei várias vezes nas redes sociais, o coletor menstrual é libertador! Eu me adaptei super e amo! Além de todas as vantagens eu deixo de descartar uma média de 7kg de absorventes por ano em aterros sanitários!

2º Compras de grãos, castanhas e farinhas a granel. Levo sempre meus potinhos e a loja tara o peso, com isso não gero mais resíduos!

3º Os de praxe! Ecobag, copo, garrafa de água, colher. Já falei que eu sou marmiteira mesmo?

4º Lâmina de barbear. Uso pouco, adquiri um reutilizável que só troca a lâmina, a famosa gilete!

4º Bucha vegetal ainda não consegui fazer a transição por completo. Motivo: é difícil adaptar quando você divide a louça com o seu marido, ele não curtiu. E para ser sincera, dá mais trabalho mesmo lavar panela com ela.

Bom, após todas estas mudanças, refiz minha pegada ecológica e tcharam! Reduzi para 1,67 planetas!

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Pegada ecológica início de 2020.

Termino o ano de 2019 orgulhosa e feliz com os resultados. Todo o processo de chegar até aqui foi muito divertido, aprendi muito comigo mesma. Aplicar os conceitos e métodos de gestão ambiental na minha vida acabou somando em outras áreas mais disciplina e organização também.

Além do mais, as mudanças não pararam por aí. Para sermos pessoas mais sustentáveis as primeiras mudanças partem de dentro, na forma de pensar. Os benefícios são muito mais do que aqueles que são mensuráveis. Pensar e agir na sustentabilidade também me fez amar mais, respeitar, ter mais empatia, ser mais grata, ter mais confiança… tudo isso fez do meu ano de 2019 a base, para onde quero chegar em 2030.

E você, já reveu suas metas de 2019? Atingiu resultados? Teve dificuldade?

As minhas metas 2020 já estão prontas e em breve vou compartilhar com vocês.

Se interessou pelos indicadores e quer montar uma planilha para você se autoconhecer no setor sustentabilidade da sua vida ou do seu pequeno negócios? Mande um e-mail, podemos te ajudar a conquistar resultados incríveis, regeneradores e de impacto positivo para o meio socioambiental!

Um beijo!

 

 

 

 

RETROSPECTIVA 2019: um convite para o início da era da REGENERAÇÃO em 2020!

Este ano de 2019 foi bem in(tenso). Quando olho para trás e faço uma retrospectiva interna eu sinto um turbilhão de sensações. Grandes transformações internas, mudanças externas, profundas e aceleradas. E quando olho o todo? Não consigo nem mensurar. Mas, o que me conforta um pouco diante deste cenário imprevisível é exatamente o entendimento da imprevisibilidade e da incontrolabilidade das transformações sistêmicas.

Tudo funciona como uma perfeita dança, onde vários indivíduos tem seus movimentos que se integram para formar a coreografia final. Você se prepara, treina, planeja, mas o resultado final vai depender do todo.

Sabendo que há uma integração e relação em todo o sistema, qualquer ação de qualquer integrante terá uma reação no todo, até um dia voltar diretamente para o executante.

“A transformação acontece como no resultado emergente de tudo que está acorrendo no mundo – há sempre um terceiro horizonte emergindo em cada escala da vida – da individual à planetária e até além. Algumas coisas serão resultado de ações intencionais, e outras, para o bem ou para o mal, vão nos surpreender. A forma de como vivemos hoje já foi, um dia, o terceiro horizonte, em parte imaginado e pretendido, e amplamente desconhecido. A consciência futura não fará com que tenhamos controle sobre o futuro, mas nos permite desenvolver a nossa capacidade de resposta transformacional a suas possibilidades.”                                                               

Bill Sharpe (2013).

2019 não foi um ano fácil para o Brasil, ocorreram três tragédias/crimes ambientais de grande impacto ambiental, social e econômico. Fomos inundados por lama de minério, pelas chamas do fogo e pela toxicidade do petróleo. E em todos eles, o país, os envolvidos estavam despreparados. Não tiveram previsão da intensidade dos danos e muito menos controle da situação. Mas, poderia ter sido evitado? Poderia ter reduzido os danos? A resposta a prevenção, mitigação poderia ter sido mais rápida? São muitas as perguntas, E se?

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Após estas ocorrências somadas às consequências das mudanças climáticas no mundo, foi sentido na pele que a reação dos impactos causados na natureza está de voltando diretamente para as pessoas e a economia. O ano 2019 foi um chacoalhão por todos os lados para que o mundo acordasse. O universo permitiu que passássemos por estas experiências para aprender, refletir e agir diferente.

Vejo uma correria desenfreada de alguns para recuperar o tempo perdido e buscar soluções para não levarmos a humanidade ao colapso. Mas, muitas destas soluções estão sendo criadas com o mesmo pensamento que foram criados os problemas de hoje.

Está na hora de rever o plano de ação em busca da sustentabilidade. E o primeiro passo é entender o que é a sustentabilidade e o que queremos sustentar.

Temos de encontrar maneiras de fazer a transição deste status quo, que agora é profundamente insustentável, para um novo. A sustentabilidade não é um objetivo a ser alcançado, mas um processo contínuo de aprendizagem coletiva.

“A sustentabilidade é uma progressão em direção a uma consciência funcional de que todas as coisas estão conectadas; que os sistemas de comércio, de construção, de sociedade, de geologia e da natureza são na verdade um sistema de relações integradas; e que tais são coparticipantes na evolução da vida.”

Bill Reed (2007).

Mas é difícil pensar em integração quando faço a retrospectiva política ambiental. O ano de 2019 foi de desconstrução, a começar pelo próprio Ministério do Meio Ambiente, que se não fosse pela pressão de organizações e sociedade, hoje ele não faria parte da pasta do atual governo. Entendo perfeitamente que a renovação era precisa, passar um pente fino em todo o setor, mas as exonerações do Ibama fizeram diferença ao agir diante ao aumento do desmatamento ilegal na Amazônia. Dentro deste mesmo cenário, perdemos a credibilidade nos acordos internacionais e o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e seu ex-diretor Ricardo Galvão, foi desvalorizado pelo nosso próprio presidente.

A liberação excessiva de agrotóxicos também foi uma das ações contrárias ao direcionamento para a prevenção e regeneração ambiental. Além da falta de agilidade, informação e conclusão do vazamento de petróleo no oceano Atlântico, perto da costa nordestina do Brasil.

Para fechar a frustamento do ano com as políticas ambientais e climáticas, a COP 25 não conseguiu fechar o acordo do mercado de carbono e foi postergado por mais um ano as definições das novas metas de redução de carbono.

Uma pausa para respirar profundamente para me recompor.

Há muitas outras coisas para relembrar este ano, não só negativo, muitas ações positivas. O principal destaque que eu dou é o número de empreendedores sociais que está crescendo por todo o Brasil, inclusive em regiões periféricas. Start ups surgindo aliando tecnologias aos conceitos de economia colaborativa e circular e têm propósitos de solucionar problemas socioambientais para construir uma Cultura Regenerativa. Isso mostra a força que vem da sociedade, os 99% da população em ação para a mudança de um mundo melhor. E esse é o caminho para a Sustentabilidade que queremos.

“Uma vez que mudamos essa perspectiva, podemos entender a vida como um processo completo de evolução contínua para relacionamentos significativos, mais diversificados e mutuamente benéficos. A criação de sistemas regenerativos não é uma mudança simplesmente técnica, econômica, ecológica ou social: tem que andar de mãos dadas com uma mudança subjacente na forma de como pensamos sobre nós mesmos, nossos relacionamentos uns com os outros e com a vida como um todo.”

Daniel Christian Wahl (2016)

Que esta retrospectiva trágica sirva de motivação junto com os projetos causadores de impactos socioambiental positivos para o ano de 2020.

Sinto que 2020 é um ano de transição, virada da chave para a construção de uma nova cultura. Desconstrução do Ser Competitivo, para o Ser Cooperativo. Desconstrução da mentalidade de escassez, para a mentalidade de abundância. Desconstrução de uma comunicação violenta para um diálogo empático. Desconstrução da Separação Ecológica, Social e Individual para o Reencontro com o verdadeiro self e Consciência Ecológica.

Em 2020 estaremos a 10 anos dos cumprimentos das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030. Estaremos a 10 anos da determinação do clima do planeta Terra. Estaremos a 10 anos da definição do futuro da Humanidade.

E o objetivo 2020 da Mutação Sustentável – processo de evolução sistêmica para a regeneração da vida –  é apoiar esta transição.

Desejamos um Feliz Natal, cheio de amor, luz e paz. Desejamos um ano de muitos despertares, de abundância daquilo que nos nutre, alimentos, água, energia, vitalidade e principalmente, AMOR!

E que em 2020 não tenhamos mais tragédias/acidentes/crimes ambientais como o que tivemos este ano.

Gratidão por este ano de 2019, quando a Mutação só começou!

Nos vemos em 2020.

Um beijo.

 

Fonte: Livro Design de Culturas Regenerativas. Imagem: @rebecasjmachado