Análise do resultado 2019 dos meus indicadores pessoais de sustentabilidade.

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Mais um ano se inicia, 2020, início de mais uma década, a qual chamo de determinante para o futuro da humanidade. Daqui 10 anos teremos os resultados alcançados dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Saberemos também se conseguiremos limitar o aumento da temperatura média da Terra em 1,5ºC para evitar alterações mais drásticas no clima e nos serviços ecossistêmicos.

Mas, antes de definir as estratégias para atendimento as metas e objetivos 2020 e montar o plano de ação, é necessário analisar os resultados dos indicadores de sustentabilidade de 2019. Quem disse que uma gestão ambiental é realizada apenas em grandes corporações? Já falei algumas vezes por aqui e nas redes sociais que senti que eu precisava aplicar os métodos de gestão ambiental na minha vida particular. Há um ano e meio atrás despertei para as minhas atitudes pessoais nada coerente com o que eu praticava na minha vida profissional da área ambiental e sustentabilidade.

2019 foi um ano de muitas mudanças e em 2020 a transição continua. Mas antes de mudar qualquer coisa, precisamos conhecer o que é preciso mudar. Então, compartilho com vocês aqui meus indicadores e minhas mudanças de 2019.

Vamos começar pela minha pegada ecológica (você pode saber mais sobre o que é e calcular a sua aqui). Em março de 2019 a minha pegada foi de 1,92 planetas, ou seja, se todas as pessoas do mundo seguissem o meu estilo de vida, seriam necessários 1,92 planetas para suprir a demanda. Como assim? Tudo que consumimos é produzido em hectares de terra e superfície aquática, e tudo que descartamos volta para a terra. Dentro do ciclo natural a Terra tem um tempo para regenerar, assimilar os resíduos gerados e voltar a produzir. Nossa demanda mundial excede este limite, os recursos renováveis não tem seu tempo de regeneração. Não conseguimos viver só com os “juros” dos recursos, então utilizamos o “capital” natural, e ficamos com déficit para o ano seguinte.

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Minha pegada ecológica março 2019

Fiquei chocada com meu resultado, mas sem me culpar (sentimento que paralisa), comecei a mapear meus consumos, escolhas e hábitos para reduzir este indicador. Minha meta para 2030 sem dúvidas é chegar com a pegada ecológica de 1 planeta!

Durante um mês inteiro de março eu anotei tudo o que eu descartava como resíduo (com exceção dos restos de alimentos porque já havia iniciado a compostagem doméstica). Mais um choque da realidade. Em 30 dias eu descartei 126 tipos de resíduos diferentes! Isso mesmo, sem repetir, 126 tipos de resíduos entre plástico, papel, metal, etc.

Vou fazer um post mais específico sobre resíduos e este levantamento com as porcentagens de cada item depois. Agora abaixo segue as principais reduções dos meus impactos ambientais.

RESÍDUOS

Antes das alterações de descartáveis e compostagem doméstica, a minha geração de resíduos seguia a média brasileira de 1kg por pessoa por dia (ABES), sendo enviado para aterros sanitários.

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Coleta seletiva de recicláveis e balança

Em novembro e dezembro pesei todos resíduos que gerei separando em rejeitos (os que de fato são enviados ao aterro sanitário), orgânicos (que composto em casa e volta para o ciclo da terra como adubo) e recicláveis (metal, papel, plástico e vidro).

A minha média diária de rejeitos passou de 1kg/dia para 143g/dia. Isso mesmo! Redução de 85% sendo enviado para aterro sanitário, consequentemente redução de emissão de gás carbônico!

Este resultado se dá principalmente devido a compostagem que faço em casa, pois os resíduos orgânicos compõem em média 50% dos resíduos sólidos urbanos enviado aos aterros sanitários!

ALIMENTAÇÃO

Como vocês podem ver na imagem da minha pegada ecológica, 37% dos recursos utilizados provem do consumo de alimentos. Nossa alimentação tem grande parcela no uso da terra e nas emissões de gases do efeito estufa, principalmente devido ao consumo de proteína animal, sendo o mais crítico a carne bovina.

As minhas mudanças na alimentação foram:

1º Substitui as verduras com agrotóxicos por verduras orgânicas. Além de evitar os impactos ambientais eu contribuo com a minha saúde. Ainda não tenho condição de substituir 100% para uma alimentação orgânica livre de agrotóxicos devido a custos, localização e disponibilidade, mas, faz parte da minha meta 2030 uma alimentação 100% orgânica.

2º Aumentei a variedade e diversidade no meu prato. Temos o costume de comer sempre os mesmos alimentos, mesmo quando não são produtos da época. Isso acaba estressando o solo e os impactos da monocultura são enormes. Eu celebro a diversidade e minha saúde também, porque a qualidade nutricional aumenta.

3º Eliminação de ultraprocessados. Este não foi difícil, porque já não fazia muito uso devido à minha reeducação alimentar de anos atrás. Mas, também tenho reduzido os processados, pois alimentos industrializados além de ter compostos químicos para conservar, dar sabor, etc, eles utilizam de muitas embalagens plásticas, e o objetivo 2030 é zera o plástico descartável!

4º Redução da carne bovina. Minha média de consumo era de 900g por semana! Em novembro e dezembro essa média passou para 267g por semana, ou seja, uma redução de 70%. Com essa redução de consumo de carne eu reduzo consequentemente, 44.460L de água utilizada na criação e produção de carne e 871kg de CO2 por mês!

TRANSPORTE

Outro grande vilão das emissões de gás carbônico são os combustíveis fósseis utilizados nos transportes. Era (ainda sou na verdade) muito dependente do uso do carro. Acho muito complicado hoje em dia deixar de usar o carro, pois as cidades não tem uma mobilidade urbana eficiente. Vivemos na correria, pegar um ônibus demanda tempo maior em trânsito. Não consegui mensurar a redução do uso do carro em Km e combustível, mas com certeza as mudanças trouxeram redução de emissão de gás carbônico.

1º Troquei de carro. O carro que eu tinha até agosto de 2019 era de motor 1.8, mas eu e meu marido decidimos substituir por um carro 1.0, porque consome menos combustível.

2º Usamos somente etanol, biocombustível, renovável.

3º Mudança de cidade. Um dos vários motivos de eu ter me mudado para Curitiba é poder viver em uma cidade com boa estrutura onde tem tudo mais perto. Nossos deslocamentos de rotinas em Jundiaí eram distantes. Reduzi a distancia da academia de 10km para 5km.  Supermercado, padarias, bancos, e muito mais, agora eu tenho na avenida próximo a minha casa, a poucos quarteirões.

4º Não utilizava ônibus por nada. Hoje, em Curitiba, me programo para usar o ônibus quando tem que atravessar a cidade.

CONSUMOS EM GERAL

1º Em 2019 comprei apenas uma calça, uma blusa e um tênis novos, as demais peças de roupas que comprei (que não foram muitas, acho que 3 ou 4) foram de brechó! Ou seja, essas peças usadas não contabilizaram mais impactos no meio ambiente como consumo de água e outros recursos.

2º Substitui o antitranspirante por desodorante orgânico natural. Esta mudança está muito mais relacionado com a minha saúde. Para mim, não faz sentido tampar o suor da axila com alumínio. Se a natureza do nosso corpo é eliminar água através do suor, ir contra a própria natureza pode não ser uma boa ideia para a saúde.

3º Substituição de shampoo, condicionador, cremes para o rosto, pasta de dente, entre outros produtos de estética e higiene. Hoje em dia há várias opções mais saudáveis para nossa saúde, sem os compostos sintéticos proveniente do petróleo (parabeno, ftalatos, etc). Tenho testado algumas marcas, conhecendo, adaptando, variando com os produtos padrões as vezes quando não acho fácil ou quando a grana está mais curta, pois ainda os produtos naturais mais saudáveis tem um custo maior.

4º Produtos de limpeza. Também tenho testado algumas marcas de produtos de limpeza que utilizam apenas componentes biodegradáveis, e também tenho feito algumas receitinhas caseiras (vou compartilhar). Devido ao custo ser um pouco mais alto, não é todo o mês que consigo comprar estas marcas, e os caseiros tenho que convencer o marido que também ajuda na limpeza da casa, rsrsrs.

OUTRAS SUBSTITUIÇÕES PARA REDUÇÃO DE USO DE PLÁSTICO

1º Coletor menstrual. Já falei várias vezes nas redes sociais, o coletor menstrual é libertador! Eu me adaptei super e amo! Além de todas as vantagens eu deixo de descartar uma média de 7kg de absorventes por ano em aterros sanitários!

2º Compras de grãos, castanhas e farinhas a granel. Levo sempre meus potinhos e a loja tara o peso, com isso não gero mais resíduos!

3º Os de praxe! Ecobag, copo, garrafa de água, colher. Já falei que eu sou marmiteira mesmo?

4º Lâmina de barbear. Uso pouco, adquiri um reutilizável que só troca a lâmina, a famosa gilete!

4º Bucha vegetal ainda não consegui fazer a transição por completo. Motivo: é difícil adaptar quando você divide a louça com o seu marido, ele não curtiu. E para ser sincera, dá mais trabalho mesmo lavar panela com ela.

Bom, após todas estas mudanças, refiz minha pegada ecológica e tcharam! Reduzi para 1,67 planetas!

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Pegada ecológica início de 2020.

Termino o ano de 2019 orgulhosa e feliz com os resultados. Todo o processo de chegar até aqui foi muito divertido, aprendi muito comigo mesma. Aplicar os conceitos e métodos de gestão ambiental na minha vida acabou somando em outras áreas mais disciplina e organização também.

Além do mais, as mudanças não pararam por aí. Para sermos pessoas mais sustentáveis as primeiras mudanças partem de dentro, na forma de pensar. Os benefícios são muito mais do que aqueles que são mensuráveis. Pensar e agir na sustentabilidade também me fez amar mais, respeitar, ter mais empatia, ser mais grata, ter mais confiança… tudo isso fez do meu ano de 2019 a base, para onde quero chegar em 2030.

E você, já reveu suas metas de 2019? Atingiu resultados? Teve dificuldade?

As minhas metas 2020 já estão prontas e em breve vou compartilhar com vocês.

Se interessou pelos indicadores e quer montar uma planilha para você se autoconhecer no setor sustentabilidade da sua vida ou do seu pequeno negócios? Mande um e-mail, podemos te ajudar a conquistar resultados incríveis, regeneradores e de impacto positivo para o meio socioambiental!

Um beijo!

 

 

 

 

RETROSPECTIVA 2019: um convite para o início da era da REGENERAÇÃO em 2020!

Este ano de 2019 foi bem in(tenso). Quando olho para trás e faço uma retrospectiva interna eu sinto um turbilhão de sensações. Grandes transformações internas, mudanças externas, profundas e aceleradas. E quando olho o todo? Não consigo nem mensurar. Mas, o que me conforta um pouco diante deste cenário imprevisível é exatamente o entendimento da imprevisibilidade e da incontrolabilidade das transformações sistêmicas.

Tudo funciona como uma perfeita dança, onde vários indivíduos tem seus movimentos que se integram para formar a coreografia final. Você se prepara, treina, planeja, mas o resultado final vai depender do todo.

Sabendo que há uma integração e relação em todo o sistema, qualquer ação de qualquer integrante terá uma reação no todo, até um dia voltar diretamente para o executante.

“A transformação acontece como no resultado emergente de tudo que está acorrendo no mundo – há sempre um terceiro horizonte emergindo em cada escala da vida – da individual à planetária e até além. Algumas coisas serão resultado de ações intencionais, e outras, para o bem ou para o mal, vão nos surpreender. A forma de como vivemos hoje já foi, um dia, o terceiro horizonte, em parte imaginado e pretendido, e amplamente desconhecido. A consciência futura não fará com que tenhamos controle sobre o futuro, mas nos permite desenvolver a nossa capacidade de resposta transformacional a suas possibilidades.”                                                               

Bill Sharpe (2013).

2019 não foi um ano fácil para o Brasil, ocorreram três tragédias/crimes ambientais de grande impacto ambiental, social e econômico. Fomos inundados por lama de minério, pelas chamas do fogo e pela toxicidade do petróleo. E em todos eles, o país, os envolvidos estavam despreparados. Não tiveram previsão da intensidade dos danos e muito menos controle da situação. Mas, poderia ter sido evitado? Poderia ter reduzido os danos? A resposta a prevenção, mitigação poderia ter sido mais rápida? São muitas as perguntas, E se?

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Após estas ocorrências somadas às consequências das mudanças climáticas no mundo, foi sentido na pele que a reação dos impactos causados na natureza está de voltando diretamente para as pessoas e a economia. O ano 2019 foi um chacoalhão por todos os lados para que o mundo acordasse. O universo permitiu que passássemos por estas experiências para aprender, refletir e agir diferente.

Vejo uma correria desenfreada de alguns para recuperar o tempo perdido e buscar soluções para não levarmos a humanidade ao colapso. Mas, muitas destas soluções estão sendo criadas com o mesmo pensamento que foram criados os problemas de hoje.

Está na hora de rever o plano de ação em busca da sustentabilidade. E o primeiro passo é entender o que é a sustentabilidade e o que queremos sustentar.

Temos de encontrar maneiras de fazer a transição deste status quo, que agora é profundamente insustentável, para um novo. A sustentabilidade não é um objetivo a ser alcançado, mas um processo contínuo de aprendizagem coletiva.

“A sustentabilidade é uma progressão em direção a uma consciência funcional de que todas as coisas estão conectadas; que os sistemas de comércio, de construção, de sociedade, de geologia e da natureza são na verdade um sistema de relações integradas; e que tais são coparticipantes na evolução da vida.”

Bill Reed (2007).

Mas é difícil pensar em integração quando faço a retrospectiva política ambiental. O ano de 2019 foi de desconstrução, a começar pelo próprio Ministério do Meio Ambiente, que se não fosse pela pressão de organizações e sociedade, hoje ele não faria parte da pasta do atual governo. Entendo perfeitamente que a renovação era precisa, passar um pente fino em todo o setor, mas as exonerações do Ibama fizeram diferença ao agir diante ao aumento do desmatamento ilegal na Amazônia. Dentro deste mesmo cenário, perdemos a credibilidade nos acordos internacionais e o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e seu ex-diretor Ricardo Galvão, foi desvalorizado pelo nosso próprio presidente.

A liberação excessiva de agrotóxicos também foi uma das ações contrárias ao direcionamento para a prevenção e regeneração ambiental. Além da falta de agilidade, informação e conclusão do vazamento de petróleo no oceano Atlântico, perto da costa nordestina do Brasil.

Para fechar a frustamento do ano com as políticas ambientais e climáticas, a COP 25 não conseguiu fechar o acordo do mercado de carbono e foi postergado por mais um ano as definições das novas metas de redução de carbono.

Uma pausa para respirar profundamente para me recompor.

Há muitas outras coisas para relembrar este ano, não só negativo, muitas ações positivas. O principal destaque que eu dou é o número de empreendedores sociais que está crescendo por todo o Brasil, inclusive em regiões periféricas. Start ups surgindo aliando tecnologias aos conceitos de economia colaborativa e circular e têm propósitos de solucionar problemas socioambientais para construir uma Cultura Regenerativa. Isso mostra a força que vem da sociedade, os 99% da população em ação para a mudança de um mundo melhor. E esse é o caminho para a Sustentabilidade que queremos.

“Uma vez que mudamos essa perspectiva, podemos entender a vida como um processo completo de evolução contínua para relacionamentos significativos, mais diversificados e mutuamente benéficos. A criação de sistemas regenerativos não é uma mudança simplesmente técnica, econômica, ecológica ou social: tem que andar de mãos dadas com uma mudança subjacente na forma de como pensamos sobre nós mesmos, nossos relacionamentos uns com os outros e com a vida como um todo.”

Daniel Christian Wahl (2016)

Que esta retrospectiva trágica sirva de motivação junto com os projetos causadores de impactos socioambiental positivos para o ano de 2020.

Sinto que 2020 é um ano de transição, virada da chave para a construção de uma nova cultura. Desconstrução do Ser Competitivo, para o Ser Cooperativo. Desconstrução da mentalidade de escassez, para a mentalidade de abundância. Desconstrução de uma comunicação violenta para um diálogo empático. Desconstrução da Separação Ecológica, Social e Individual para o Reencontro com o verdadeiro self e Consciência Ecológica.

Em 2020 estaremos a 10 anos dos cumprimentos das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030. Estaremos a 10 anos da determinação do clima do planeta Terra. Estaremos a 10 anos da definição do futuro da Humanidade.

E o objetivo 2020 da Mutação Sustentável – processo de evolução sistêmica para a regeneração da vida –  é apoiar esta transição.

Desejamos um Feliz Natal, cheio de amor, luz e paz. Desejamos um ano de muitos despertares, de abundância daquilo que nos nutre, alimentos, água, energia, vitalidade e principalmente, AMOR!

E que em 2020 não tenhamos mais tragédias/acidentes/crimes ambientais como o que tivemos este ano.

Gratidão por este ano de 2019, quando a Mutação só começou!

Nos vemos em 2020.

Um beijo.

 

Fonte: Livro Design de Culturas Regenerativas. Imagem: @rebecasjmachado

Mudanças climáticas: 2ª parte sobre a Conferência Nacional pelo Clima e Climate Talks

Olá amigos, estou há um tempo sem aparecer por aqui, eu sei. E também sei que estou devendo compartilhar mais as informações sobre a Conferência Nacional pelo Clima que aconteceu em Recife/PE, entre 6 e 8 de novembro. Mas, as “mutações sustentáveis” não param de acontecer e tive o programa do Water Inovation Labs logo em seguida da Conferência, o qual escreverei sobre  na próxima postagem. Por outro lado, foi bom, pois participei no dia 20 de novembro do Climate Talks, que fez parte do programa 24h de diálogos sobre as Mudanças Climáticas proposta pela organização Climate Reality Project, e contribuiu com mais informações sobre o tema. Além da COP 25, começar no próximo dia 02, assim a postagem serve para entrar no clima do assunto.

Os temas que assisti na Conferência Nacional pelo Clima estavam muito relacionados a parte econômica e talvez mais complexa dessa crise que estamos enfrentando. As mudanças climáticas tem causado disrupções significativas no sistema de uma forma tão profunda e acelerada, que aqueles que detém do controle mundial nunca estiveram tão incertos e inseguros, porque elas tem trazido riscos, mas ao mesmo tempo muitas oportunidades.

Vamos falar primeiramente das oportunidades, que é o financiamento de baixo carbono. Já existe um mercado de carbono e alguns mecanismos como a precificação de carbono e o MDL (mecanismo de desenvolvimento limpo), implantado no Protocolo de Kyoto, o qual o Brasil tem bons exemplos de projetos e saiu na frente de outros países. Inclusive, uma das discussões durante a COP 25 é do artigo 6, principal item do livro de regras do Acordo de Paris que ficou sem conclusão, que refere-se sobre o mercado de carbono. Se concluído este ano, poderá movimentar a economia no Brasil positivamente, pois o Brasil é o país que possui maiores índices de uso de energia renováveis e possui a maior área em extensão de florestas no mundo, a Amazônia. É só saber fazer a gestão (o que está difícil com o atual ministro do Meio Ambiente).

Bancos e seguradoras tem cobrado de uma forma massificante ações mais concretas e eficientes da ONU e do Pacto Global para a redução das emissões de carbono, pois as mudanças climáticas é o maior risco para a economia global. Afinal, já somam 683 bilhões de dólares de prejuízos econômicos causados por eventos meteorológicos no mundo nos últimos 2 anos, segundo a Climate Reality Project.

E é por este motivo, de alto risco financeiro, que bancos e financiadoras em todo o mundo tem avaliado com mais critério os investimentos de empresas poluidoras. Ademais, novos fundos de financiamentos para soluções “verdes” têm surgido, como a Green Climante Fund, Global Environmental Facilities e Bonus Verde da CAF.

Outra novidade que a crise climática trouxe para a nossa realidade e necessidade de planejamento é o Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas, onde participei de um workshop realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). O ODS 13 – Combater a mudança climática e seus impactos, da agenda 2030 da ONU, já traz em uma das metas: Reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a riscos relacionados ao clima e às catástrofes naturais em todos os países.

O Brasil instituiu seu PNA (Plano Nacional de Adaptação) em 10 de maio de 2016 por meio da Portaria 150  e, desde então, foi emitido apenas um Relatório de Monitoramento e Avaliação do PNA em 2017. Bom, pelo menos é o que está disponível no site do MMA.

Ao participar deste workshop de Plano de Adaptação, fiquei me perguntando, de que forma isso tem sido levado até aos municípios e empresas. Eu, particularmente, desconhecia o PNA. A corporação que eu estava atuando também não sabia. Após este workshop, eu perguntei para duas pessoas do setor público, como estava o Plano de Adaptação do setor, e elas, simplesmente afirmaram que ainda não existe.

Gente, isto é sério. Várias cidades no mundo já declararam emergência climática. Aqui no Brasil, Recife foi a primeira e não é por menos. As previsões de chuvas intensas, alagamentos e maré alta são enormes, e já são reais hoje.

É por estes e outros motivos que, o diálogo e o conhecimento são as ações mais necessárias para o entendimento de todos sobre o que estamos passando e o que é preciso fazer para frear as emissões e mitigar os impactos.

Ter um plano de adaptação climática é hoje uma questão de sobrevivência das empresas, ligado à sua resiliência, porque se sofrer impacto e estiver preparado, conseguirá retornar ao seu estado de equilíbrio, assegurando a competitividade e sustentabilidade. Mas, para isso também é preciso investimento e inovação. Logo, encaro tudo isso, como mais oportunidades.

Oportunidades não só de movimentar a economia, surgir novos empreendimentos e serviços, mas principalmente como uma oportunidade de DESENVOLVIMENTO HUMANO. Com tantas mudanças, não tem como escapar das mudanças internas dentro de cada um de nós, dentro das corporações, do governo, do SISTEMA.

A mudança do clima é a questão que define nosso tempo e estamos em um momento decisivo. Nós enfrentamos uma ameça existencial direta. 

A MUDANÇA CLIMÁTICA ESTÁ SE MOVENDO MAIS RÁPIDO DO QUE NÓS.

O secretário-geral das Nações Unidas António Guterres

É impossível acompanhar tanta informação no dia de hoje. Mas se até o clima do planeta Terra que tem 4,5 bilhões de anos está mudando, porque nós humanos, uma das espécies existentes, também não podemos mudar?

É inevitável.

Um beijo.

 

 

 

 

 

 

 

Conferência Brasileira pela Mudança do Clima em Recife/PE: 1º resumo dos painéis que participei.

Aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de novembro a Conferência Brasileira pela Mudança do Clima em Recife, um encontro  que reuniu organizações não governamentais, movimentos sociais, governos, comunidade científica e o setor privado e público brasileiro para três dias de diálogo e formulação de propostas para a implementação da NDC brasileiraO encontro foi de organização coletiva e tem como base a NDC Brasileira, o Acordo de Paris e a agenda 2030.

Foi uma programação bem intensa, infelizmente não dá para assistir a tudo, mas vou compartilhar em duas ou três posts o que foi novidade para mim e algumas das minhas percepções.

O Acordo de Escazú como impulsionador para o acesso à informação, participação e acesso à justiça em questões climáticas e ambientais no Brasil – Não tinha ouvido falar ainda, é um Acordo Regional da América Latina e Caribe. Praticamente é a Lei de Acesso à Informação sobre questões ambientais MAIS a participação da sociedade. A intenção desse acordo teve como motivação o 10º Princípio da agenda da Conferência do Rio-92 que diz respeito à participação de todos os interessados nas questões ambientais, à garantia de acesso às informações sobre o meio ambiente e ao acesso a mecanismos judiciais e administrativos destinados à compensação e reparação de danos ambientais. Este acordo inclui 27 países, onde 24 já assinaram em março de 2018 e o Brasil é um deles. Agora só falta o Brasil ratificar, está nas mãos do presidente (que agonia). Se metade ratificar, o acordo já estará valendo.

Quais os pontos principais do acordo? No quesito de acesso à informação: o Estado tem que disponibilizar informações de maneira passiva e ativa, inclusive dados de poluentes que são emitidos  que podem afetar a saúde pública. Acesso à participação: garante a participação pública aberta e inclusiva no processo de tomada de decisão em projetos, atividades ambientais e em processos de concessão de licenças ambientais que tenham ou possam ter impactos no meio ambiente. Isso geralmente acontecia após a divulgação do EIA-RIMA (Estudo/Relatório de Impactos Ambientais), com o acordo, esta participação tem que acontecer até mesmo antes de realizar o estudo, para que a sociedade possa opinar para dizer o quê que ela quer ver no relatório. Acesso à justiça: reconhece o direito à justiça em temas ambientais, assegurando o princípio de não-discriminação e observando o devido processo legal eliminando as barreiras ao exercício dos direitos de acesso por pessoas em situações de vulnerabilidade. Uma das formas de combater estas barreiras é a oferta de assistência técnica e jurídica gratuita àqueles que necessitam, além de dispositivos de redução de custos dos processos judiciais. E a novidade do acordo: é o primeiro a criar obrigações aos Estados em relação aos Defensores Ambientais que trabalham para proteger o meio ambiente, incluindo a obrigação de proteger essas pessoas de ameaças e violência, além da obrigação de garantia de um ambiente adequado para execução do seu trabalho. Em visto que no Brasil é lider em morte de ativistas ambientais, segundo a ONG Global Witness (2018), este artigo (9) foi um grande avanço.

Minha reflexão: Sabemos que todos os problemas relacionados com o meio ambiente não são novos, são antigos e estão sendo discutidos desde 1972 e que avançaram mais a partir de 1992, no Rio. Mas vemos que, as soluções propostas também não são novas, visto que já em 1992 levantaram a necessidade de incluir a sociedade nestes assuntos e garantir sua participação. De novo aqui, só tem a CONSCIÊNCIA da gravidade da crise que estamos enfrentando, e que, é necessário o engajamento de TODOS, sem exceção. A Terra, a Biosfera, os recursos naturais são direitos de todos nós. Cuidar e preservar também é a obrigação de todos! A responsabilidade de garantir os serviços ecossistêmicos para as próximas gerações é muito grande para ficar aguardando pelas definições de acordos mundiais e de ações do governo federal. Temos que começar a participar, a se informar e agir em nível local, municipal, que é onde as coisas acontecem! Este acordo é um convite para que nós façamos nosso papel e as pessoas precisam saber disso!

Para saber na íntegra a versão final do acordo, clique aqui.

Atualização de cumprimento do Princípio 10: Observatório do Princípio 10.

Vamos compartilhar o tema!

Um beijo!

Seva: Retrospectiva de um ano da questão do lixo

Participação da Mutação Sustentável na Semana Lixo Zero de Curitiba!

Agroecologia Interna

Imagem destacada: Photo by Henry & Co. on Unsplash

No último dia 22 de novembro, ocorreu na Universidade Positivo da Santos Andrade uma aula especial, que foi como uma roda de conversa, durante a semana do lixo zero, pelo convite da professora Taís Canova, e que foi dirigida aos alunos do curso de gestão de resíduos. Nessa aula fomos convidados, eu (Rodrigo Fagundes) lincando minha startup Alocate e a ambientalista Sabrina Correia. Levei aos alunos a abordagem do desenvolvimento humano e sustentável, a qual me dedico, sobre a questão do lixo, apontando para o cenário nessa causa. E a Sabrina fez uma apresentação das tendências do meio ambiente e consciência ecológica. Ao começo da aula fomos apresentado à turma pela professora e falamos sobre o que havíamos planejado lhes apresentar. A Sabrina que tem uma empresa chamada Mutação Sustentável em referência ao livro Ponto de Mutação do escrito e físico…

Ver o post original 636 mais palavras

1º Workshop: Como Trazer a Sustentabilidade para o nosso dia-a-dia

Olá amigos (as) que estão lendo esta postagem, eu sei que se passaram 2 (dois), DOIS!!! meses sem uma postagem por aqui, mesmo estando ativa pelas redes do Instagram e Facebook. Mas, muitas “Mutações” acontecendo na minha vida (que falarei mais em uma próxima postagem) , em sua boa parte planejadas. E uma das que foram planejadas foi o Workshop Como trazer a Sustentabilidade para o nosso dia-a-dia, que realizei com a ajuda de parceiros, no dia 26 de outubro, em Lins, minha cidade natal.

Estou muito feliz com o resultado da minha primeira facilitação, curadoria (são tantas palavras novas) ou melhor, organizadora e ao mesmo tempo palestrante de um evento. Evento este que estava incluso na programação da Semana Lixo Zero, que aconteceu no Brasil todo entre os dias 18 e 27 de outubro.

Desde que eu despertei para uma consciência ecológica (ou falta dela), que foi quando entrei nas profundezas do meu ser, das crenças e de toda a trajetória da mente humana (minha) até chegar onde estamos (estou), sinto a necessidade de compartilhar e dialogar sobre este tema e o quanto ele está relacionado com a Sustentabilidade que queremos atingir.

Dentro da programação então, tivemos:

  • Uma meditação guiada chamada: O homem como uma galáxia em miniatura;
  • Palestra no estilo roda de conversa: Despertando a consciência ecológica; e em seguida:
  • Consumo Consciente;
  • Lanche colaborativo, onde todos participaram com a contribuição para termos um momento de distração e aproximação;
  • Apresentação do CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) de Lins;
  • Palestra sobre a situação dos Resíduos Sólidos Urbanos de Lins, com a apresentação da minha amiga Engenheira Ambiental e Civil Danielle Ferreira;
  • Oficina de compostagem doméstica em baldes, no tipo da vermicompostagem;
  • Bazar da troca no final, onde algumas pessoas levaram e participaram, mesmo não sendo ainda uma prática comum da nossa cultura de hoje.

Tivemos uma participação muito rica de ex-colegas da turma de Engenharia Ambiental da Unilins, dos alunos que ainda vão se formar, professora de educação infantil e da sociedade como um todo.

E para finalizar antes de compartilhar as fotos, deixo duas frases sobre a Mudança que sonhamos, que gosto sempre de mentalizar, principalmente quando penso que minhas ações são pequenas… (PS. não sei quem são os autores originais)

“Ninguém faz nada sozinho, e mudar o mundo é uma delas!”

“Todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo primeiro”.

A mudança que queremos para o mundo, começa, primeiramente dentro de cada um de nós… por isso, que passo constantemente pela minha Mutação Sustentável.

Um beijo a todos!

 

Nossas rupturas: pessoal, social e ecológica.

Hoje vivemos em um mundo rápido, interligado, eficiente, conectado e desconectado. Nós nos desenvolvemos muito na direção tecnológica, nas relações com as máquinas e relacionamentos virtuais sem conexão real. Aos poucos fomos nos distanciando de nós mesmos, do outro e da natureza. E essa será a nossa reflexão aqui.

A primeira ruptura é aquela ruptura com nós mesmos. Passamos a olhar tanto para fora a ponto de não nos conhecermos mais. Fica difícil reconhecer nossos sentimentos,  expressá-los e lidar com eles. E assim fica quase impossível. 

Se nessa equação adicionarmos o senso de comparação que as redes sociais nos proporcionam, aí é que escondemos nossos sentimentos desafiadores debaixo do tapete. 

Afinal de contas não temos tempo pra isso, já que temos que focar nos filtros que usaremos nas fotos que vamos postar hoje às 19h horário em que as pessoas estão saindo do trabalho e acessam as redes sociais para que nosso post fique em evidência.

É claro que de início não nos damos conta de que isso nos faz mal. E quando vemos já estamos sobrecarregados com tantas cobranças internas e externas. 

Porém, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulga que o suicídio mata mais do que as guerras e a violência, ficamos chocados. Mas, vamos voltar um pouco. Há 10 anos, quantas pessoas você ouvia falar que tinham se suicidado? E hoje, quantos casos você já ouviu?

Não fazemos isso de propósito, mas coletivamente estamos fazendo. Por isso que, apesar de exigir muito esforço, energia e dedicação precisamos ficar em silêncio, conversar com nós mesmos, acolher os sentimentos desafiadores, lidar com eles e nos respeitarmos. Precisamos nos reconectar com o nosso EU

Quer uma dica? Busque autoconhecimento, práticas, livros, terapia, natureza ou qualquer outra coisa que te leve a esse resgate!

A segunda ruptura é a ruptura social, a desconexão com o outro. 

Vamos pensar juntos: se estamos com dificuldade na relação eu-comigo, imagine na relação eu-com o outro

Enquanto sociedade perdemos a ligação com o outro, segundo o Banco Mundial conseguimos diminuir a extrema pobreza ao redor do globo, mas os ricos nunca estiveram tão ricos. Se hoje você tem um curso superior saiba que você pertence a 8% da população brasileira. 

Isso é assustador! Eis mais um dado do IBGE (2017): 10% da população do Brasil possui 43% da renda do país, enquanto os 10% mais pobres possuem 0,7% da renda total (ZERO PONTO SETE).

Da mesma forma como em nossa quebra do eu-comigo, nós não estamos contribuindo com isso propositalmente, mas ainda assim o fazemos. Não acordamos de manhã, olhamos no espelho e dizemos: hoje vou tornar mais rico ainda os 10% mais ricos e trabalharei para que 92% da população brasileira continue sem ensino superior. 

Mas ao não parar e analisar o impacto das nossas ações, o fazemos inconscientemente.

E aqui cabe entender que fazemos parte do sistema, ainda que ele tenha mais 7,7 bilhões de participantes. Posso não ter a intenção de prejudicar ninguém, mas ao não pensar e agir sistematicamente, acabo prejudicando.

E essa minha última fala me leva à nossa terceira ruptura, que é a quebra ecológica, a desconexão do eu-natureza. Tratamos a natureza como uma fonte inesgotável de recursos e disso com certeza você já ouviu falar. Mas quer ver como ainda estamos desconectados? 

Quando você está cansado, estressado, o final de semana está chegando e você vê uma oportunidade de sair da cidade, o que você falaria? Provavelmente que precisa ir para a praia e ficar em contato com a natureza (ou algo do tipo)! 

De fato, essa fala ainda retrata uma desconexão com a natureza. Ela nos diz que a natureza está lá, longe da gente, em um lugar específico praia, campo, montanha mas nós também somos natureza. Nós somos organismos vivos igual a uma árvore, precisamos de água e luz do sol tal qual uma árvore. 

A natureza não é um recurso, aqui também fazemos parte desse sistema.

E acontece que assim como nas outras duas rupturas, não estamos fazendo por mal. Pelo menos eu imagino que você não saia por aí cortando as árvores que encontra pelo caminho e nem deixa o seu carro ligado o dia inteiro para poluir nosso ar ainda mais. 

Mas ao se deixar levar pelo consumismo, ao incorporar a frase: “não consigo viver sem esse produto”, e ao consumir sem se preocupar com o destino final do copinho descartável e até mesmo ao acreditar que o copinho de plástico é realmente descartável, nós estamos contribuindo com essa ruptura. Hoje consumimos os recursos naturais de 1,7 planetas Terra por ano.

Para acabar com essa quebra, além de entender que também fazemos parte desse sistema vivo, precisamos repensar nossa maneira de consumir. Antes de comprar o próximo produto, pare e se pergunte: será que eu não consigo viver sem isso? Já não tenho o suficiente disso?

Sei que é muita coisa para pensar. Eu fiquei paralisada quando o Otto Scharmer apresentou essas 3 rupturas na Teoria U. Para mim fez muito sentido e por isso decidi compartilhar com você.

Levamos anos para chegar até esse nível de ruptura, então não vamos nos cobrar pela reconexão de uma vez só. 

Mas eu gostaria de saber se fizer sentido pra você qual será o seu primeiro passo?

 

Obrigada.

Patrícia Cassaca.