4 dicas que me ajudaram a eliminar o hábito de consumir copos de plástico descartável.

bg-tituloA Mutação Sustentável surgiu da consciência do uso de copo de plástico descartável. Sim, eu estava com um hábito de me distrair por alguns minutos das atividades no trabalho, passava na sala de café, pegava um copo descartável, tomava um “golinho” de café, batia um papo ou resolvia algo do trabalho e descartava o copo. Este ciclo se repetia pelo menos 3 vezes por dia!

Até que um dia, eu despertei desta ato em modo automático e me vi afundada em um monte de copos descartáveis sendo aterrados em aterro sanitário. Pensei: preciso mudar isto! A princípio, parecia ser simples. Ter minha própria xícara.

É possível mudar um hábito definitivamente?

Esta é uma pergunta clichê, pois todos nós queremos a fórmula mágica para mudar algum hábito que consideramos ruim ou criar um hábito novo. A boa notícia é: existe esta fórmula mágica. O fato é: mesmo assim não é fácil mudar ou criar hábitos. A resposta para isto é que, somos atraídos – intensamente atraídos – pelas coisas que são fáceis, práticas e habituais e é incrivelmente difícil dominar essa inércia.

Mas vamos à fórmula mágica, retirada do livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg (lá tem referências de todos os pesquisadores, psicólogos e cientistas envolvidos nestes estudos). Para alguma ação ou comportamento virar um hábito é necessário existir três componentes:

  1. Deixa: um estímulo que manda seu cérebro entrar em modo automático para você agir. Pode ser um odor, o clima, um sentimento, um barulho, enfim, várias coisas.
  2. Rotina: é a sua reação à deixa: ação, comportamento, pensamento.
  3. Recompensa: benefício/prazer que você recebe por completar o hábito, quanto mais agradável for, mais este ciclo se repete, porque você vai ansiar sentir o mesmo prazer novamente.

Como surge um hábito

São os anseios que impulsionam os hábitos. Por isso, o primeiro passo para mudar um hábito é entender as deixas e os anseios que impulsionam este hábito. Isto não faz com que eles desapareçam de repente, mas vai lhe fornecer um meio de planejar como mudar este padrão.

Dica 1 – Observar e entender um anseio existente ou criar um anseio, para incorporar uma rotina em atendimento à recompensa.

Dica 2 – Repetição. A prática leva à perfeição. Se você deseja criar uma rotina, tem que praticar, senão seu cérebro não vai atuar de forma automática.

Bom, mas o que vai levar à nossa disciplina e iniciativa de repetição? Nossa força de vontade. A questão é que a força de vontade é como um músculo, quando mais a exercita, mais você consome energia e ela enfraquece.

“Infelizmente, enfrentamos um fluxo estável de tarefas que exaurem nossa força de vontade todos os dias. Seja evitar comer sobremesa no almoço, manter-se concentrado em uma planilha no computador durante horas a fio ou participar de
uma reunião de três horas, mas, em qualquer um desses casos, nossa força de vontade está sendo continuamente posta à prova. Então, não é surpresa alguma que voltemos com tanta facilidade aos nossos velhos hábitos, ao caminho mais fácil e mais conhecido, à medida que avançamos ao longo do dia. Essa atração invisível exercida pelo caminho da menor resistência pode determinar mais fatores da nossa vida do que percebemos, criando uma barreira intransponível à mudança e ao crescimento positivo.”                                                             Shawn Achor

O que muitas vezes falta, segundo os estudos, é uma energia de ativação, um fagulha inicial necessária para catalisar uma reação. A mesma energia, tanto física quanto mental, é necessária para as pessoas superarem a inércia e dar início a um hábito positivo. Caso contrário, a natureza humana nos conduz eternamente pelo caminho da menor resistência.

Segundo o autor do livro O jeito Harvard de ser feliz, Shawn Achor, reduzir o tempo gasto para iniciar uma ação, ou seja, se diminuir a energia de ativação, há mais chances de o hábito ser realizado. Isso significou em seus estudos que poupar 20 segundos a menos para iniciar uma atividade seria o suficiente para realizá-la.

“Na verdade, muitas vezes leva mais de 20 segundos para fazer a diferença – e algumas vezes pode levar muito menos –, mas a estratégia em si pode ser aplicada a qualquer coisa: reduza a energia de ativação para os hábitos que deseja adotar e aumente-a para hábitos que deseja evitar.”

Dica 3 – Aumente ou reduza a energia de ativação, ou seja, se planeje.

Bom, sem saber da parte teórica que aprendi após ler estes livros, acabei utilizando as três estratégias acima para parar de consumir copos de plástico descartável.

meu hábitomeu hábito certo

Observei e identifiquei o anseio e as recompensas para beber café, substitui a rotina, ou melhor, o copo descartável pela caneca, e ainda, criei uma dificuldade para beber café toda vez que o anseio surgisse aumentando a energia de ativação: atravessar a fábrica com uma caneca na mão (o que não era comum) até a sala do café. Assim, consegui reduzir o hábito, alterei o copo pela caneca, e por fim, foquei na recompensa, ou seja, nos benefícios que estava causando para minha saúde e para o meio ambiente.

Dica 4 – Focar nos benefícios.

Não lembro de ter aprendido com alguém específico, mas sempre tive em mente que, se eu quero muito fazer de algo um hábito, que sei que vai ser positivo para mim, eu foco nos benefícios. Pensar positivo ajuda a você buscar aquele restinho de força de vontade. E dependendo do que for, ainda eu estipulo metas e amarro estas metas para ser condicionantes de outros objetivos. Não tem erro!

Estas dicas podem ser usadas para qualquer área que você queira introduzir um hábito positivo. Você pode usar para melhorar sua alimentação, iniciar a prática da musculação, deixar de comprar alguma coisa e até mesmo melhorar a produtividade no trabalho, ou seja, criar HÁBITOS SUSTENTÁVEIS!

Segundo estudos de neurocientistas para um hábito ser formado de forma automática é preciso uma prática de pelo menos 21 dias consecutivos para nosso cérebro passar por uma reprogramação.

Para te ajudar nesta tarefa de criar um hábito positivo eu vou compartilhar uma ferramenta poderosa! É só clicar no link abaixo. Mas ao baixar este arquivo, você tem que se comprometer com você mesmo, dando seu melhor para completar os 21 dias. E se sentir confortável, queremos saber sua experiencia! Compartilhe conosco nos comentários abaixo ou nas redes sociais da Mutação Sustentável.

COMO CRIAR UM HÁBITO

Um beijo e boa jornada Mutantes Sustentáveis!

Pessoas que bebem água engarrafada ingerem 100.000 partículas adicionais anualmente

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que as pessoas que bebem apenas água de garrafas plásticas consomem anualmente 100.000 ou mais partículas de microplásticos.

Sabemos que existem pequenas partículas de plástico, chamadas microplásticos, que se infiltram no meio ambiente quando os plásticos se decompõem. Mas ultimamente eles vêm aparecendo em alguns lugares perigosos e inesperados. Um estudo descobriu recentemente microplásticos em gotas de chuva nas Montanhas Rochosas. Outro os encontrou em frutos do mar. Um estudo recente realizado em pequenas amostras em humanos também encontrou microplásticos no sistema gastrointestinal de todos os que participaram.

Uma análise recente de 26 estudos estimou a quantidade de pequenas partículas de microplásticos que os americanos consomem a cada ano, por ingestão e inalação. O número é de 74.000 a 121.000, centenas por dia, dependendo do sexo e da idade. Os pesquisadores alertaram que, porque apenas 15% das calorias consumidas estavam na análise, os números provavelmente são subestimados.

Microplásticos e Saúde

Quão ruim é a situação? Embora a resposta ainda não esteja clara, pesquisas preliminares sugerem que os microplásticos prejudicam as pessoas por meio de vias tanto físicas e químicas, incluindo uma exacerbação da resposta inflamatória, toxicidade relacionada ao tamanho das partículas e alteração do microbioma intestinal.

Eles podem entrar e provavelmente interferir com os sistemas linfático e circulatório, acumular-se em órgãos secundários e impactar a saúde imunológica e celular.

Outra preocupação com os microplásticos é a adsorção de substâncias químicas perigosas que aderem às partículas. O autor do estudo, Kieran Cox, advertiu o seguinte:

Os microplásticos são hidrofóbicos e isso significa que outras toxinas, como um hidrocarboneto ou DDT ou outros contaminantes, podem aderir a estes plásticos, e se os consumimos não é uma boa notícia.

Ainda não está claro se os microplásticos atuam como vetores de transporte para contaminantes orgânicos persistentes (COPs, por sua sigla em inglês), mas eles demonstraram que aderem a substâncias nocivas, como produtos farmacêuticos.

Como os Microplásticos Entram no Meio Ambiente?

Os microplásticos entram na cadeia alimentar e na atmosfera de várias maneiras. Alguns começam como fragmentos de itens de plástico maiores, que então se degradam em pedaços cada vez menores até se tornarem partículas de 5 mm ou menos de largura. A maioria é tão pequena que é invisível sem aumento. Os animais os comem e são arrastados pelo vento. Os microplásticos entram em nossos sistemas quando comemos animais ou respiramos ar ou simplesmente comemos alimentos nos quais as partículas foram depositadas. Cox disse:

Como colocamos muito plástico em diferentes ambientes, não é de se surpreender que ele encontre seu caminho para o nosso interior.

Uma grande surpresa para os pesquisadores foi que as pessoas que bebem água exclusivamente de garrafas de plástico consomem anualmente 100.000 ou mais partículas de microplásticos, em comparação com as pessoas que tomam água da torneira. Menciona Cox: É um aumento de 22 vezes no consumo de plástico de somente um aspecto do estilo de vida”.

Eliminação de Microplásticos com Tratamento de Efluentes

As plantas de tratamento de efluentes já removem uma quantidade significativa de partículas microplásticas da água, mas o enorme volume de efluentes gerados significa que muitos ainda estão chegando. A Water UK, um grupo comercial de purificação de água no Reino Unido, relatou o seguinte:

A indústria da água não tem experiência ou tecnologias atuais para separar os microplásticos, e o tratamento deles pela indústria da água nunca foi explorado.

Mas a digestão anaeróbica pode eliminar uma parte significativa dos microplásticos do lodo do tratamento de efluentes e os processos de membrana estão mostrando grande interesse na filtração de partículas. Embora o problema seja muito recente para que a indústria da água possa resolvê-lo completamente, é provável que isso mude à medida que o corpo de pesquisa sobre o assunto continue a crescer.

Fonte: Portal Tratamento de Água

Como um hábito angular pode contribuir para que você alcance resultados melhores em sua vida?

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Primeiramente, qual a influência de um hábitos em nossas vidas?  Segundo Charles Duhigg, em seu livro “O Poder do Hábito”, 40% do nosso dia são regidos por hábitos, ou seja, atuamos no modo automático. E isso é ruim?

Depende! Por um lado isto pode ser considerado bom, pois assim poupamos nossas energias para a realização de atividades comuns, como: tomar banho, escovar os dentes e etc.

Entretanto, é preciso tomar muito cuidado com aqueles ‘velhos hábitos’ que não estão agregando em  nada, ou pior ainda, estão contribuindo pra uma involução. Para estes, temos que estar dispostos a criar um novo mindset que implicará diretamente em nossas atitudes mentais que influenciarão novos pensamentos e comportamentos.

E como fazer isso?

Estudos apontam que leva 21 dias para que haja uma reprogramação cerebral, neste sentido, se você praticar algo novo por 21 dias consecutivos, você é capaz de transformar isto em um hábito. Aqui a sua determinação, vontade, foco e constância são essenciais no processo, afinal, “aquilo que você foca, expande!”

Já os hábitos angulares são aqueles que após serem adotados, proporcionam uma reforma interior que é capaz de alcançar diversas áreas de nossas vidas, mesmo que não seja a área específica do hábito. Assim podemos dizer que muitas vezes basta uma mudança para que diversas outras mudanças aconteçam. Para ficar mais claro, listei abaixo alguns exemplos de hábitos angulares:

– meditação

– atividade física

– praticar a gratidão

– leitura

Nota-se que pequenas mudanças que você pode começar hoje mesmo podem interferir em várias áreas da sua vida e te ajudar à alcançar resultados muito melhores.  E ai, bora juntos? Comente abaixo qual hábito você gostaria de mudar e como você acredita que isso contribuirá para te aproximar do seu sonho ou objetivo de vida.

Um beijo,

Rapha.

CRISES… de percepção

bg-tituloAs últimas décadas vêm registrando um estado de profunda crise mundial. É uma crise complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos da vida – a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. É uma crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e premência sem precedentes em toda a história da humanidade. Temos conseguido evitar uma guerra nuclear, mas não estamos conseguindo evitar a deterioração do meio ambiente natural que tem sido acompanhada de um correspondente aumento nos problemas de saúde.

Enquanto as doenças nutricionais e infecciosas são as maiores responsáveis pela morte nos países em desenvolvimento, os países de primeiro mundo são flagelados pelas doenças crônicas e degenerativas chamadas de doenças de civilização, sobretudo enfermidades cardíacas, câncer, depressão, esquizofrenia, entre outros. Existem numerosos sinais de desintegração social, incluindo recrudescimento de crimes violentos, acidentes e suicídios, aumento de alcoolismo e consumo de drogas, crianças com deficiência de aprendizagem e distúrbios de comportamento. A par dessas patologias sociais, temos presenciado anomalias econômicas que parecem confundir nossos principais econômicos e políticos. Inflação galopante, desemprego maciço e uma distribuição grosseiramente desigual de renda e da riqueza passaram a ser características estruturais da maioria das economias nacionais. A consternação e o desalento resultantes disso são agravados pela energia e os recursos naturais que estão sendo exauridos rapidamente, além das mudanças climáticas.

Todos estes problemas são sistêmicos, ou seja, estão intimamente interligados e são interdependentes. Além disso, eles tem mais uma coisa em comum, partem de uma única crise, uma crise de percepção. Precisamos de uma nova visão de realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores.

Evolução para a Regeneração

Mutação Sustentável é o processo de evolução sistêmica de um indivíduo ou organização, para a  regeneração da vida ou do negócio, de uma forma equilibrada e dinâmica, ressignificando a visão de mundo para uma consciência ecológica.

Para entender esta abordagem de Evolução para a Regeneração precisamos aprender um pouco sobre quem possui estas características para evoluir e regenerar, os organismos vivos. Para isso vamos relembrar conceitos, alguns tirados do livro O Ponto de Mutação.

Evolução é a mudança das características hereditárias de uma população de seres vivos de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem e se diversifiquem ao longo do tempo.

Na evolução subsequente da vida, duas etapas aceleraram grandemente o processo evolutivo e produziram uma abundância de novas formas. A primeira delas foi o desenvolvimento da reprodução sexual, a qual introduziu a variedade genética. A segunda foi a evolução da consciência, que tornou possível substituir os mecanismos genéticos da evolução por mecanismos sociais mais eficientes, baseados no pensamento conceitual e na linguagem simbólica. A evolução da consciência deu-nos não só a Teoria a Relatividade e novas tecnologias, como também deu-nos a bomba de Hiroshima e doenças desconhecidas. Mas essa evolução da consciência nos oferece liberdade de escolha. Podemos deliberadamente alterar nosso comportamento mudando nossas atitudes e nossos valores, a fim de readquirirmos a espiritualidade e a consciência ecológica que perdemos.

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Um organismo vivo é um sistema auto-organizador, o que significa que sua ordem em estrutura e função não é imposta pelo meio ambiente, mas estabelecida pelo próprio sistema. Os sistemas auto-organizadores exibem um certo grau de autonomia; por exemplo, eles tendem manter seu tamanho de acordo com princípios internos de organização, independentemente, de influencias ambientais. Isso não significa que os sistemas vivos sejam isolados do seu meio ambiente, pelo contrário, interagem continuamente com ele, mas essa interação não determina sua auto-organização. Os dois principais fenômenos dinâmicos da auto-organização são a autorrenovação – a capacidade dos sistemas vivos de renovar e reciclar continuamente seus componentes, sem deixar de manter sua integridade de sua estrutura global, e a autotranscedência – a capacidade de se dirigir criativamente para além de fronteiras físicas e mentais nos processos de aprendizagem, desenvolvimento e evolução.

A Autorrenovação é regulada de modo o padrão geral do organismo seja preservado, e essa notável capacidade de automanutenção persiste em uma grande variedade de circunstâncias, incluindo mudanças de condições ambientais e espécies de interferência.

O poder de regeneração das estruturas orgânicas diminui com a crescente complexidade do organismo. Estrela do mar e pólipos podem regenerar seu corpo quase que inteiramente, a partir de um pequeno fragmento; lagartos, lagostas e insetos são capazes de renovar um órgão ou membro, e animais superiores, incluindo os humanos podem renovar tecidos e assim se curar ferimentos.

Vivemos em flutuação, homeostase: estado de equilíbrio dinâmico, transacional, em que existe grande flexibilidade, em outras palavras, o sistema tem um grande número de opções para interagir com seu meio ambiente. Quando ocorre uma perturbação o organismo tende a regressar ao seu estado original, e o faz adaptando-se de várias maneiras as mudanças ambientais.

Nesta lógica, quando pensamos no sistema planeta Terra, esta capacidade de autorrenovação diminui ainda mais, diante da acelerada necessidade de adaptação em que é colocada devido às alterações ambientais drásticas. Ainda que sejam capazes de se manter e se regenerar, os organismos complexos não podem funcionar indefinidamente.

A concepção sistêmica vê o mundo em termos de relações e de integração. Os sistemas são totalidades integradas. Os exemplos de sistemas são abundantes na natureza. Todo e qualquer organismo – desde a menor bactérias até os seres humanos, passando pela imensa variedade de plantas a animais – é uma totalidade integrada e, portanto, um sistema vivo. Os mesmos aspectos de totalidade são exibidos para sistemas sociais como uma colmeia, e por ecossistemas que consistem em uma variedade de organismos e matéria inanimada em interação mútua. As propriedades sistêmicas são destruídas quando um sistema é dissecado em elementos isolados. Logo, se uma parte for afetada por algum impacto, a totalidade também é afetada.

Nosso sistema planeta Terra, organismos vivo, precisa se regenerar. Para isto, temos de fornecer condição para tal, construindo a capacidade para sua autoregeneração. Mas isso só será possível quando a nossa evolução voltar a ter uma consciência ecológica.

Páscoa e Sustentabilidade: Libertação e Reencontro.

No post anterior sobre a  Páscoa e Sustentabilidade eu manifestei, como um ato político, contra o uso da Páscoa para comercializar ovos de chocolate com preços abusivos, e que não faz sentido algum se, olharmos para as externalidades e impactos (positivo e negativo) envolvidos. Mas, e pelo lado espiritual, será que também há alguma outra mensagem subliminar por trás da Páscoa?

Eu não sou exemplo nenhum de uma pessoa religiosa, mas sei que a espiritualidade é essencial para entender seu propósito no universo e ter equilíbrio na vida. Sinto que estou em um processo de transformação e evolução neste aspecto essencial da vida de um ser vivo.

Se me perguntassem há um ano atrás o que a Páscoa significa, eu responderia que representa a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Hoje eu mudaria a pergunta. O que a Páscoa quer me ensinar? A Morte e a Ressurreição: encontro do corpo com a alma.

Deus, nosso criador, quis ensinar que as vezes precisamos morrer para nos reencontrar. Isso significa despertar nossas maiores virtudes sepultadas na nossa consciência e coração.  Deus sacrificou Jesus para nos libertar dos pecados, desde que, utilizássemos seus ensinamentos. Jesus não morreu para nos salvar. Jesus viveu para nos mostrar o caminho da salvação. E salvação também refere-se a reparação e restauração, libertação de um estado indesejável.

Salvação não é ganhar o reino dos céus e nem o encontro com o paraíso após a morte. Salvação é a libertação do nosso ego. É colocar em prática o verdadeiro amor de uns pelos outros. Porque não seremos salvos das complicações criadas por nós mesmos como brigas, violência, exploração, desequilíbrios, frustrações e outros problemas que fazem a nossa infelicidade.

Logo, o mutação sustentável, também representa nossa renovação espiritual. Porque uma vez que você se reencontra com sua consciência e se enche de amor, você se reconecta com sua essência ecológica, com o Todo e com o amor de Cristo. Você sente a verdadeira humildade se igualando a todas as espécies vindo da mesma fonte que você, você se gratifica por tudo aquilo que foi feito para você. E junto vem a esperança de uma vida nova.

Transforma-se.

Mutação Sustentável.

 

Páscoa e Sustentabilidade: The Walking Dead consumers.

Mais uma vez chegando a época mais doce do ano, a Páscoa, que há muito tempo deixou de ter um significado espiritual para ter mais um sentido comercial, rendido aos anseios capitalistas pelo lucro e poder, o qual instalou-se a cultura do TER é importante.

Mas até quando seremos cúmplices em aceitar esses “padrões impostos” e dar outro significado para a data em que celebra a ressurreição de Jesus Cristo?

Para a mutação sustentável, seguir os padrões de consumo de ovos de chocolate não faz mais sentido se queremos construir uma sociedade política, consciente e sustentável! Não precisamos repetir os mesmos comportamentos e hábitos só porque sempre foi assim ou porque todo mundo faz. Isso significa que mais uma vez estamos dando mais valor em TER do que SER. Não é preciso provar que fazemos parte de uma sociedade e cultura comprando ovos de chocolate, e consequentemente um monte de brindes e brinquedos de plástico. Tem até ovo vindo com aquele headphone estilo americano. A Páscoa passou de ovos de chocolate para brinquedos e surpresinhas, e agora, para presentes mais caros e tecnológicos! Capitalismo agindo e nós, cegos para enxergar tudo o que está por trás disso (as famosas externalidades que chamo). Continuamos gastando nosso dinheirinho suado com “Coisas” sem sentido, ficando estagnados no mesmo lugar, trabalhando muito para continuar na mesma classe social e manter a qualidade de vida atual, enquanto isso, os grandes crescem mais, desfrutam mais, e a desigualdade social só aumenta. Isso não é ódio mortal do sistema capitalista, porque eu Sou Capitalista e não sou mão de vaca (alguns pensam assim), mas o que eu não quero ser é cega e consumir coisas desnecessárias.

Quer motivos para concordar comigo que no fundo no fundo estávamos nos enganando ao aceitar esse padrão de Páscoa?

  1. Preço – O valor dos ovos de chocolate é superfaturado se comparar com os mesmos ingredientes e quantidades utilizadas para fazer barras de chocolate, ou seja, não é sustentável para seu bolso, porque não é economicamente viável.
  2. Saúde – A maior parte das marcas de chocolates é industrializada, contendo emulsificantes artificiais, além da grande quantidade de açúcar e outros carboidratos, que ao final da quebra da molécula também viram açúcar também. Vivemos uma crise na saúde proveniente de uma má alimentação com muitos produtos processados e com altos índices de açúcar. Que tal isso servir de incentivo para não comprar essa bomba calórica e se confortar com um pedaço de chocolate amargo? Seja sustentável nas suas escolhas alimentares em busca de uma vida saudável.
  3. Redução de matéria prima e geração de lixo. Já reparou quantas embalagens (em sua maioria de plástico) tem em um ovo de páscoa?
  • Lâminas metalizadas em cada bombom interno e na casca do ovo;
  • Suporte plástico tipo cabide para deixa-lo em pé;
  • Suporte plástico em formato de ovo para proteger o chocolate;
  • Folha plástica decorativa;
  • Fita decorativa;
  • Brinquedos de plástico.

Atualmente estamos em uma briga para proibir materiais descartáveis com intuito de reduzir a geração de lixo e economizar matéria prima, seria totalmente uma hipocrisia apoiar este tipo de produto, porque são embalagens de vida útil baixíssima. Até mesmo os brinquedos, quantas vezes seu filho (a) vai brincar com eles? Depois vão virar mais um acúmulo de coisas em casa ou serão descartados.

4. E a reciclagem dessas embalagens? Bom, resolveria se houvesse uma taxa alta de reciclagem, mas no caso da folha plástica decorativa, ela é considerada não-reciclável e acaba não sendo coletada pelos catadores ou separada em cooperativas municipais. E não é, por que? Porque este tipo de plástico, chamado de BOPP, ou bi-axially oriented polypropylene (BOPP), geralmente vem sem identificação da simbologia de reciclagem, gerando falta informação dos recicladores e produtores acerca das possibilidades de reaproveitamento, e ainda, falta-se tecnologia disponível e acessível para reciclar este tipo de material aqui no Brasil. A tecnologia de reciclagem desse tipo de plástico separa os componentes que constituem o material, produzindo alumínio secundário limpo e hidrocarbonetos, que podem ser utilizados na produção de combustível. O processo utilizado é o de pirólise induzida, que permite o tratamento dos materiais sem o uso de oxigênio, onde não há queima de material e a energia utilizada é de fonte renovável.

5. As vezes você se sente sugado e frustrado pelo sistema econômico? Pois é, a produção em massa de ovos de páscoa de chocolate para mim se compara com a produção de produtos chineses. Aí já vemos as pessoas ansiosas para saber qual vai comprar ou pedir, qual é mais gostoso, ou então, preocupadas, porque não terão dinheiro para agradar os filhos ou namoradas… E aí, quem está deixando as pessoas depressivas de uma forma lenta e silenciosa?

6. E por fim, o que leva o atual modelo econômico? À desigualdade social. Quem vai enriquecer mais? As empresas. Quem vai ter de passar no crédito ovos no valor  de R$60 a R$80,00? O namorado para agradar a namorada (porque senão der ovo de páscoa significa que não ama), ou os pais para agradar os filhos (porque senão vão sofrer bullynig na escola porque o ovo dele não foi caro e não tinha brinquedinhos).

Ganhou?

E ainda somaria mais motivos: exaustão de recursos como a água para fabricação de um não bem de consumo, de um alimento que não vai ajudar a combater a fome, mas sim, um produto para alimentar o ego e as lombrigas da barriga.

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Bom, se você concorda com ao menos 1 desses motivos apresentados, você não deve ser influenciado por marcas, mídias, estômago, desejo, hábito, ego…

Ahhhh, mas é bom para o Brasil, movimenta a economia. Movimenta, dá mais lucro para empresas, mas ainda é a minoria que consegue emprego fixo após o período temporário. Vamos ajudar as marcas e mercados ganharem mais, enquanto isso a gente gasta à toa, fica com o saldo calórico positivo e gera mais um impacto ambiental e social negativo. Dá uma falsa impressão de crescimento econômico, por que? Porque é por pouco tempo e favorece alguns setores, ou seja, não é sustentável. Sustentável é quando o processo e o sistema se fecha em círculo obtendo impactos positivos nas pessoas e meio ambiente como um todo.

“-Então você está querendo dizer que não se deve mais celebrar a Páscoa?”

Não. Só estou dizendo para não sermos consumidores-zumbis como no The Walking Dead.

E qual o significado de Páscoa para o Mutação Sustentável?

Isso, eu escrevo no próximo post da série Páscoa e Sustentabilidade.

 

 

Fonte: BOPP: ecycle; Imagem: Steve Cutts