Economia de um jeito que você nunca viu: seria possível mudar nosso indicador econômico?

Continuado a série de artigos sobre uma Nova Economia, compartilho um artigo publicado no Linkedin, da minha amiga gaiana e também designer para a Sustentabilidade, Amanda Colmenero.

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Esse texto é dividido em 2 partes. A primeira é como a economia se comporta hoje: infinita, degenerativa, linear e eliminadora. E depois como podemos nos movimentar para evoluir nosso sistema econômico, incluindo a explicação do modelo doughnut recém adotado pela Holanda.

Qual principal indicador da economia hoje?

O PIB. Que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país em um ano. Simples assim: um número que mede riqueza anual.

Quando existe uma crise, um PIB negativo, temos menos moeda em circulação, com menos bens e serviços sendo produzidos e monetizados em relação ao ano anterior. Porém, ainda existe riqueza intelectual e braçal para serviços que não foram prestados, bens já produzidos no passado que ainda existem e funcionam como imóveis, automóveis, roupas etc.

A forma de mensurar a economia atualmente, estabelece que tenhamos que crescer de modo infinito sempre produzindo e trocando moeda, mesmo que já sejamos ricos em relação ao que temos. Afinal, PIB negativo = crise, PIB em crescimento = sucesso.

Yuval Noah Harari, em seu livro Sapiens: uma breve história da humanidade, escreveu: “No ano 1500, havia cerca de 500 milhões de Homo sapiens em todo mundo. Hoje, há 7 bilhões. Estima-se que o valor total dos bens e serviços produzidos pela humanidade no ano 1500 era de 250 bilhões de dólares. Hoje, o valor de um ano de produção humana é aproximadamente 60 trilhões de dólares. Em 1500, a humanidade consumia por volta de 13 trilhões de calorias de energia por dia. Hoje, consumimos 1,5 quatrilhão de calorias por dia. (Preste atenção nesses números: a população humana aumentou 14 vezes; a produção, 240 vezes; e o consumo de energia, 115 vezes)”.

Sabe o que isso significa? Que para sustentar o crescimento infinito da economia, o ser humano está precisando cada vez de mais coisas, com uma produção crescendo em uma proporção 17 vezes maior que o crescimento populacional.

Mas, se praticamente tudo o que é produzido precisa de matéria-prima e energia, e isso vem da natureza, como podemos contar com um crescimento infinito se o planeta, e diversos recursos explorados são finitos? (Aqui estamos falando de longo prazo também, não podemos limitar a existência do planeta a nossa existência. Não é porque enquanto estivermos vivos ainda existirá petróleo, por exemplo, que não tenhamos que pensar que alguma geração viverá sem petróleo.)

E a que custo crescemos infinitamente? Com a outra característica da economia atual: ela é degenerativa. Não importa a maneira que iremos fazer a exploração da natureza para o PIB crescer. Sabemos que existem animais extintos por influência humana, sistemas florestais derrubados, gases emitidos na atmosfera em ritmo superior ao que a natureza consegue absorver e que ficam acumulados por até 100 anos, águas poluídas, entre outros.

Enquanto se discute bastante em meio a pandemia do coronavírus a importância de acreditar e validar a ciência, a mesma já diz há muito tempo que esse crescimento infinito pode nos levar ao esgotamento do planeta. E sem matéria-prima e energia, o valor do PIB no longo prazo será zero.

A economia hoje também é linear. Baseada em um sistema de extrai – produz – consome – descarta. Isso não só é ruim do ponto de vista de agressão à natureza, pois cada extração causa impacto e o descarte é sempre de materiais que a natureza definitivamente não precisa, como ainda é um sistema ineficiente do ponto de vista produtivo que gera muitos desperdícios. Ao invés de lucrar com o descarte de materiais ou desperdícios de processos, na pressa, muitas possíveis matérias-primas são jogadas fora encerrando um ciclo que ainda poderia gerar dinheiro. Apenas 3% do lixo é reciclado no Brasil, isso é desperdício de matéria que vai para aterros sanitários. O prejuízo de alimentos jogados fora são estimados em 750 bilhões de dólares no mundo, e metade desse valor ocorre na comercialização dos alimentos, ou seja, eles são jogados fora porque não são mais atrativos no mercado.

Outra característica atual é ser eliminadora. Como quanto mais produzimos e lucramos, mais sucesso temos, precisamos produzir mais com menos. Isso inclui pessoas, que são uma parte elevada dos custos de uma empresa. Portanto, sobrecarregamos algumas pessoas de trabalho, enquanto outras estão desempregadas.

Se de um lado, as pessoas sobrecarregadas podem sofrer de estresse, ansiedade, burnout, pânico, etc, do outro lado as pessoas desempregadas tem potenciais enormes de produção e muitas vezes estão fazendo trabalhos invisíveis não remunerados (love economy).

Na teoria do bolo abaixo, de Hazel Henderson, ela fala que para o PIB acontecer, existe todo um trabalho por trás não remunerado que sustenta a economia tradicional monetizada. Na economia da solidariedade temos a maternidade e paternidade, o voluntariado, o compartilhamento de conhecimento e objetos, os afazeres domésticos, o trânsito… Muitas vezes tem pessoas que exercem os dois papeis, os monetizados e os não, o que sobrecarrega ainda mais alguns. E tudo isso também é sustentado pela natureza que oferece alimento, energia e matéria-prima para a produção. Que também não é pago. Nenhum valor é destinado para terra quando é feita uma extração.

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E se o sistema econômico hoje tem tantas falhas, como podemos melhorar isso?

A mudança que geraria mais impacto seria: mudar o indicador de sucesso, o PIB. Ao invés de mover esforços para produzir mais e infinitamente, outras variáveis seriam incluídas. Recentemente, também em meio a pandemia e para minimizar seus efeitos econômicos, a Holanda declarou que passará a medir o sucesso do país via o modelo doughnut, criado por Kate Raworth:

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O que o indicador Doughnut diz? Existe um teto ecológico que não deve ser ultrapassado, portanto, cada país seria medido pela poluição do ar, das águas, perda de biodiversidade etc. E existe uma meta de indicadores sociais mínima: acesso a água, energia, educação, igualdade de gênero etc. Isso significa que um país bem sucedido, seria o que consegue ter todos os indicadores sociais cumpridos, dentro do teto ecológico estipulado.

Percebem a diferença de mentalidade? No final do ano, ao invés de você estabelecer como meta mais importante aumentar a produção, você precisará exercer a criatividade para cumprir uma série de requisitos sociais e ecológicos.

Essa mudança no indicador oficial da economia já melhoraria todos os pontos comentados anteriormente. Ela não precisaria mais ser infinita porque a meta não é mais crescer. Ela não seria mais degenerativa porque uma das metas é manter o equilíbrio ecológico. Dentro desses limites ecológicos a tendência seria deixar de ser linear, porque todos os recursos precisariam ser aproveitados ao máximo. E também não precisaria mais ser eliminadora já que pessoas também são um pilar do Doughnut.

Isso significaria que o dinheiro deixaria de existir e que eu não poderia mais lucrar? Ou que coisas que temos hoje não poderiam mais circular? Seria a implementação do comunismo? Não! Isso significa que temas que atualmente tem pouco valor na sociedade passarão a ganhar relevância, aumentando o bolo do que é realmente importante para as pessoas e o planeta.

Para facilitar, dou um exemplo: se hoje eu tenho uma mineradora que causa um grande impacto ambiental nas suas extrações, sim, eu posso diminuir meu lucro. Mas surgirá (ou aumentará de tamanho) outras empresas de reciclagem que recolhem minérios que foram jogados fora, que façam separação das peças boas em eletrônicos que não funcionam mais, dentre outras soluções.

Outro exemplo: se hoje tenho na formulação de um shampoo que produzo componentes químicos baratos que ao serem eliminados poluem as águas, posso diminuir meu lucro tendo que substituir esses componentes. Mas empresas que produzem substitutos mais caros, porém biodegradáveis, podem lucrar mais, bem como empresas especializadas na limpeza das águas já sujas.

Mais um exemplo social: se hoje pago um salário muito baixo para meus funcionários que os impossibilita de ter acesso a necessidades básicas, pode ser que tenha que aumentar esse salário, o que reduziria meu lucro. Mas eles, com mais acesso, movimentarão a economia comprando outras coisas, que passarão a vender mais. Conclusão, é uma redistribuição da renda para focar em pontos que são relevantes para maioria. Alguns perdem dinheiro, outros ganham, como o sistema atual inclusive.

Como curiosidade, mesmo não sendo oficial, os indicadores que compõem o Doughnut já são medidos atualmente por alguns institutos nos seus países. E olha os resultados do Brasil comparado com outras nações:

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Brasil em relação a Holanda – Igualdade social é nosso pior indicador social, mas também faltaria atingir metas de acesso a saneamento básico, qualidade da nossa democracia, expectativa de vida, e o print não mostra muito bem, mas tem um pequeno gap em nível de emprego também. Reparem, que ainda assim o doughnut não é perfeito. Pois ele mostra que o Brasil atingiu o nível mínimo esperado de acesso a educação, e sabemos que ainda existem oportunidades na sua qualidade. E mesmo tendo metas sociais não atingidas, extrapolamos quase todos os ideais ecológicos. Agora vejam o exemplo da Holanda. Cumpre todos os requisitos mínimos sociais, porém, a parte ecológica ultrapassa os limites que seriam suportados pelo planeta. Isso significa que se o mundo fosse igual a Holanda, nosso planeta esgotaria muito mais cedo. Daqui para frente o foco no país será manter suas condições sociais, e melhorar muito as condições ecológicas. Provavelmente passarão por medidas que aumentem o uso de energia limpa, melhores tratamentos dos dejetos tóxicos das indústrias, entre outras.

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Já quando nos comparamos com um país africano, vejam que temos muitas vantagens com relação ao acesso básico de questões sociais. Mas em compensação, o Quênia não ultrapassa nenhuma barreira ecológica. Se o país tivesse a economia doughnut como medida, teria que pensar em alternativas de como mantém sua ecologia, mas inclui as pessoas em diversos campos básicos.

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Já nosso vizinho, a Argentina, que normalmente é conhecido como um país com uma economia fraca, se tivesse o doughnut como medida estaria melhor que nós! Eles cumprem mais requisitos sociais como acesso a saneamento básico e expectativa de vida, e na parte ecológica, embora ultrapassem os mesmos limites que nós, conseguem ter um indicativo menor para fósforo (normalmente associado ao excesso colocado na terra através do uso de agrotóxicos, e também rejeito industrial que cai nas águas), e a pegada ecológica de materiais está melhor do que a nossa também (que representa a forma como é feita a extração de matéria-prima). Apenas em emissão de gás carbônico somos melhores que a Argentina, mas ainda assim longe do ideal.

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E por último, em comparação com os Estados Unidos, maior potência econômica mundial atualmente, com maior PIB, eles não assumiriam o posto de país com melhor indicador doughnut. Vemos que o país não cumpre com o mínimo social, e ultrapassa a barreira ecológica de todos os quesitos! (aqui novamente o print não ajudou muito, mas em “blue water” tem um sombreado, que mostra que ultrapassou essa medida, que é a quantidade de água potável consumida em um ano)

Link do site caso queiram fazer comparações com outros países: https://goodlife.leeds.ac.uk/countries/#Brazil

Muito legal, Amanda, mas achei esse olhar impossível de ser aplicado e não vejo como trazer isso para realidade se não fosse um movimento coletivo e global. Concordo que existem dificuldades, não que seja impossível visto que a Holanda está adotando. Mas trago algumas pequenas ações que poderiam colaborar para uma mudança nas 4 características da nossa economia que atrapalham o planeta e as questões sociais:

Do crescimento infinito ao finito – colocar a natureza e as pessoas no centro das decisões. Assumir que talvez tenham anos que sim, a empresa pode não crescer (o que já acontece naturalmente em diversos lugares, muitos só não aceitam e não lidam bem com isso), e olhar para o longo prazo. Quando poupamos os recursos naturais estamos fazendo bem para humanidade, e em um ambiente de trabalho seguro e saudável as pessoas produzem melhor para sair da crise. Tenho certeza que as empresas que entraram em crise agora com o coronavírus, mas seguraram empregos e estão se esforçando para manter um equilíbrio interno serão as que vão se recuperar mais rápido.

Da degeneração para regeneração – se existe algo que sua empresa faz que gera um grande impacto no meio ambiente, isso deve ser repensado já! Vários impactos podem ser resolvidos inclusive com redução de custos, como é o caso de algumas fábricas que tem instalado sistemas de energias que fazem 1 kilowatt circular ao máximo durante a produção, reduzindo suas contas de energia elétrica. E se você já fez todos os estudos possíveis e não vê saída para o seu impacto ambiental, compense! Já existem empresas especializadas em compensação de impacto ambiental, elas fazem reflorestamentos, resgate de carbono, despoluição de águas…E ainda pode abater uma parte do imposto!

Do linear para o circular – aqui vale começar por um processo de Lean Manufacturing (hoje feito inclusive para serviços). Quais são todos os recursos que precisa para seu negócio existir e todos os desperdícios que ele gera? Existe alguma forma de aproveitar o que já existe? A SC Johnson, por exemplo, tem um programa que pega dos oceanos embalagens que caíram acidentalmente dos seus produtos e concorrentes e recicla essas embalagens. A indústria de inseticida como um todo, quando existe essa possibilidade porque o volume ainda é baixo, compra resíduo de guimba de cigarro. Essas próprias guimbas, depois que tem suas toxinas eliminadas e enviadas para indústria de inseticida, tem seu papel reciclado que se transforma em cadernos. Existem empresas agora que vendem fruta feia, mais barato para o consumidor e não gera lixo. Enfim, mil possibilidades para utilizarmos tudo o que já existe.

De eliminadora para inclusiva – se hoje, parte da população desempregada não tem espaço porque as empresas precisam que menos pessoas façam um grande trabalho para reduzir folha salarial, por que não pensar diferente e incluir mais? Talvez sim, reduzir um % do lucro. Mas com mais pessoas empregadas, e o trabalho mais dividido, potencialmente há uma redução no estresse. O que também pode gerar mais produção. A diversidade REAL também é inclusiva. Pensar no quadro e salários de mulheres, negros, LGBTQ+, pessoas com necessidades especiais, entre outros tantos grupos que tem ótimas causas. Quando eu digo REAL é porque não adianta ter mulher branca na liderança que age e pensa conforme uma cultura machista, ou mesmo exigir que ajam assim. Tem que ter mulher e incluí-la da forma como ela atua: cíclica, algumas vezes mãe e com exigências familiares… Não adianta ter homem negro na liderança que teve sorte de vir de uma família com boas condições financeiras, viveu ao redor de brancos e continua tomando decisão de acordo com a sua visão de mundo particular. Tem que ter negro que já viveu e sabe como é ser considerado marginalizado.

Em resumo, uma frase que gostaria de recapitular e incrementar é: sem matéria-prima, energia, e pessoas o valor do PIB no longo prazo será zero. Mesmo que para você pareça distante e que você esteja em uma posição muito confortável na sociedade, temos que começar agindo hoje, baseados na ciência.

REORIENTANDO A ECONOMIA GLOBAL

Este artigo foi retirado do livro A Economia de Gaia, edição de 2017. O autor do artigo é Ross Jackson, doutor em economia e crítico de longa data do pensamento neoliberal, destaca o quanto eles podem ser transformados para proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, atender às necessidades das pessoas.

Mesmo que tenha alguns dados mais antigos, como por exemplo, a menção do ex-presidente dos EUA, Bush, o mesmo ainda se torna recente, uma vez que as coisas estão caminhando lentamente, e antes do COVID-19 os mercados globais estavam em suas máximas transações.

Destaco aqui, alguns pontos para pensarmos:  1) as ações de protecionismo que vários países têm aplicado sobre as importações do Brasil, por questão dos valores ambientais relacionados à Amazônia; 2) já existem algumas nações e cidades que estão tomando medidas internas de mudança de modelo econômico, como por exemplo, recentemente Amsterdam, a 1ª cidade no mundo a aplicar o modelo de Economia Donut; 3) Potencial do Brasil se tornar um país industrializado, pela biodiversidade de recursos que temos aqui.

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A crise econômica mundial de 2007-2009 foi, para alguns analistas tradicionais, o estágio final da queda do modelo econômico neoliberal introduzido por Ronald Reagan e Margaret Thatcher na década de 1980. Entre esses analistas está Francis Fukuyama, que de maneira célebre, e talvez apressada, proclamou o fim da história menos de 20 anos atrás, referindo-se ao modelo de livre mercado neoliberal como o definitivo e como se nada melhor fosse possível. A única alternativa que ele considerou foi o desesperado modelo de economia centralizada da União Soviética (Fukuyama, 2008). Muitos são os apelos, principalmente por parte das pessoas comuns que estão sofrendo com o colapso, por uma “terceira alternativa”, uma “nova ordem econômica” ou um “novo acordo de Bretton Woods”. A seguir, descreverei alguns dos principais componentes que seriam convenientes para a reorientação da economia mundial em direção uma nova ordem econômica que, além de eficiente, protegeria o meio ambiente e as estruturas sociais.

Transferência de capital

Um dos alicerces do sistema atual, que contribui para sua instabilidade é a livre circulação de capital pelas fronteiras. Isso é muito importante para os neoliberais, porque eles querem ser capazes de tirar o dinheiro do país rapidamente, quando necessário, para que possa ser investido em outro lugar com o retorno maior em curto prazo. O problema é que as quantias envolvidas são enormes, ao passo que os mercados onde operam são relativamente pequenos. Esses pequenos mercados cambiais e de ações liquidez não conseguem suportar a pressão da venda em uma crise de liquidez e simplesmente entra em colapso. Muitos mercados (por exemplo, o russo) tiveram de suspender as operações, temporariamente, exatamente por essa razão, no outono de 2008.  Nós vimos o colapso de vários mercados cambiais e de ações asiáticos no final da década de 1990, pelo mesmo motivo. Deveriam ter ocorrido reformas na circulação de capital naquela época, mas houve uma resistência, bem-sucedida, contra qualquer mudança, por parte dos defensores do neoliberalismo e de sua extensão, o FMI.

Os críticos destacaram que não existe absolutamente nenhuma razão nem empírica nem teórica, para que a livre circulação de capital – que não era difundida antes de 1980 – seja benéfica para alguém além dos especuladores.

Joseph Stiglitz, ex-economista chefe do Banco Mundial, escreveu, apoiando esse ponto de vista, que, no que diz respeito à “liberalização de capital, havia poucas evidências a favor e uma quantidade enorme de evidências contra” (Stigltz, 2002, p.220), e “nenhuma evidência mostrando que ela impulsiona o crescimento econômico” (p.16). Além disso, o artigo VI do FMI autoriza explicitamente os países-membros “a exercer esses controles necessários para regulamentar as transferências internacionais de capital”.

O mito de que o controle de capital impede comércio internacional é um mito cruel. Na verdade, o comércio cresceu mais rápido no período de 1945-1980, quando esse controle era padrão, do que no período do livre mercado neoliberal, a partir de 1980.

Livre comércio e protecionismo

O “livre-comércio” que é uma abreviação eufemística para uma estratégia econômica específica que permite ao mais forte explorar o mais fraco; o oposto do protecionismo, que protege o mais fraco do mais forte. Um termo mais descritivo do que “livre-comércio” seria “comércio forçado” : nenhum país consegue impedir a entrada de produtos estrangeiros indesejáveis sobre o regime de livre-comércio, como conseguiram antes da formação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1995.

Nenhum país jamais se tornou industrializado seguindo a política do livre-comércio. Ao contrário, todos os Estados industriais existentes usaram proteção para suas indústrias incipientes para chegarem onde estão hoje. Não existe exceção para esta regra. A China é o exemplo mais recente. Além disso, as economias mais fortes de hoje, em particular os Estados Unidos e a União Europeia (UE), continuam a seguir a política protecionista quando nos convém, enquanto pregam a ideologia do livre-comércio para os países em desenvolvimento – o cúmulo da hipocrisia. Por exemplo, o presidente Bush introduziu tarifas para importação do aço em 2003 a fim de proteger a ineficiente indústria siderúrgica nos Estados Unidos, em flagrante desrespeito às regras da OMC.

Um grande mito divulgado pelos neoliberais é que o protecionismo impede o crescimento. O historiador econômico Paul Bairoch, referindo-se a essa alegação, escreveu: “É difícil achar outro caso em que haja tanta contradição entre os fatos e a teoria” (Bairoch, 1993). Deve-se admitir que os neoliberais têm sido brilhantes ao conseguir que sua visão histórica fabricada seja aceita por tanta gente. Ter controle da mídia certamente ajuda.

O fundamental para qualquer reforma é entender que há diferentes tipos de protecionismo. Alguns são negativos (por exemplo, a proteção de manípulos locais de exploração ineficientes), mas a maioria é na realidade, positiva (por exemplo, a proteção do meio ambiente e outros interesses da segurança nacional definidos pelo próprio país, como a segurança dos alimentos). O problema das regras da OMC é que elas proíbem todos os tipos de protecionismo. O resultado totalmente previsível é a violação do meio ambiente à medida que as corporações destroem o capital natural do planeta e chamam isso de crescimento. Sob as regras da OMC, nenhum país-membro se atreve a proteger seu meio ambiente exigindo que suas indústrias usem métodos de produção de baixo impacto ambiental, porque suas indústrias se tornariam menos competitivas, e não seria permitido aplicar tarifas a produtos estrangeiros com padrões mais baixos de impacto ambiental.

Muitos estudos independentes documentaram que o regime de livre-comércio nos últimos 50 anos teve duas consequências relevantes: 1) aumentou o desnível entre ricos e pobres; e 2) acelerou a destruição do meio ambiente (Grey, 1999). A manutenção das políticas atuais irá, inevitavelmente, levar a uma nova crise, quando essas diferenças de renda se tornarem insustentáveis, ou quando é que o sistema entra em colapso devido à sobrecarga.

Proteção do meio ambiente.

Para resolver o problema de proteção ambiental, precisamos introduzir mecanismos que darão incentivos às corporações privadas para que proteja o meio ambiente em vez de destruí-lo. Reformas dessa natureza atinge o cerne da problemática da economia mundial, e encontrarão, sem dúvida, grande resistência das economias mais poderosas. O que nós precisamos é de um novo regime internacional de comércio para substituir a OMC. Mas como conseguir isso? E os Estados Unidos e a UE certamente não estão dispostos a assumir a liderança. Nem mesmo os principais países em desenvolvimento estão prontos para isso.

Existe, no entanto, outra possibilidade: um grupo de visionários, nações menores que estão dispostos a assumir a liderança neste momento. Eles deveriam se unir e formular um novo e justo modelo para o comércio internacional e para governança global, que funcionaria para toda a comunidade mundial; um modelo que permitiria um alto grau de liberdade para as corporações inovarem, mas dentro de uma estrutura que protegesse o meio ambiente e reconhecesse direito das nações de retomar o controle de suas economias e definir suas prioridades políticas.

Um modelo global como esse deve incluir os custos ambientais nos preços dos produtos, por exemplo, custear a permissão para queimar combustíveis fósseis (Jackson, 2007, p.20). Os Estados-Nações devem ter permissão para taxar produtos importados que não estão de acordo com seus padrões ambientais. Os Estados soberanos, e não as corporações estrangeiras, devem determinar quais produtos são permitidos em suas lojas. Cada país deve exercer ativamente os direitos artigo VI do FMI e restabelecer o controle de capital nos fluxos de investimentos sobre o mínimo especificado, próprio para cada nação. As reformas também devem incluir a formação de novas instituições de governança global com um mandato para proteger os interesses de todos, e não de Estados específicos.

Esse modelo não está falando de capitalismo sem regras ou economia centralizada, mas de uma terceira alternativa, que dá às corporações privadas total liberdade para inovar, dentro de uma estrutura global que protege o meio ambiente e as estruturas sociais; uma estrutura que valoriza a diversidade cultural e o princípio de cada país tem o direito de determinar a sua própria política econômica e cultural sem interferências externas.

Os pioneiros que desenvolveram essa visão devem estar preparados para romper com a OMS  e formar uma nova organização de comércio, e para convidar outras nações a se unirem quando estiverem prontas – não imediatamente, porque elas não estão preparadas para isso, mas talvez após a próxima crise, que não está distante.

Conclusão

Os 25 anos de experiência com livre-comércio, os fluxos de capitais sem restrições e a desregulamentação têm beneficiados os que já são ricos, e criaram um nível de instabilidade inaceitável, que irá continuar até que reformas sejam implementadas para reverter os alicerces da ideologia do livre mercado. Nós precisamos de uma regulamentação melhor para o setor corporativo. Precisamos de controle de capital nos fluxos de investimentos. Estados soberanos têm de retomar, das corporações estrangeiras, o controle de suas economias, e um novo regime de comércio mundial e governança global, que proteja o meio ambiente e as necessidades sociais humanas, deve ser restabelecido.

 

Imagem: pixabay.com

CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL: um teorema da impossibilidade.

O artigo abaixo foi tirado do livro Economia de Gaia, publicado em 2010. Incrível, toda vez que leio estes artigos de décadas atrás me pergunto, por que não tive acesso a esta informação antes? Respiro e medito. Tudo tem o seu tempo para entender. E ainda me encontro neste processo de entendimento e digestão.

Sobre o texto, único ponto que discordo, na minha visão de hoje, é não investir em serviços de informação para diminuir a pobreza. Contudo, isso não diminui a qualidade do artigo, além do mais, foi escrito no mínimo há dez anos atrás. Talvez a informação na época não era vista com a importância que tem hoje.

Autor Herman E. Daly, economista ecológico.Texto extraído de Valuing The Earth: Economics, Ecology, Ethics. Crambridge, Massachusetts: MIT Press, 1993. 

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AS DECLARAÇÕES de impossibilidade são as bases da ciência. É impossível: viajar mais rápido do que a velocidade da luz; criar ou destruir matéria-energia; construir uma máquina de moto-perpétua e assim por diante. Ao respeitar os teoremas da impossibilidade, evitamos o desperdício de recursos em projetos que estão destinados ao fracasso. Portanto, os economistas devem estar muito interessados em teoremas da impossibilidade, especialmente o que será apresentado aqui, a saber, que é impossível para a economia mundial crescer sem pobreza e degradação ambiental. Em outras palavras o crescimento sustentável é impossível.

Desafiando paradoxo econômico.

Os economistas vão alegar que o crescimento do PIB é uma mistura do aumento quantitativo e qualitativo e por isso não está estritamente sujeito às leis físicas. O argumento faz sentido. Exatamente porque as mudanças quantitativas e qualitativas são muito diferentes, é melhor mantê-las separadas e chamá-las pelos nomes distintos já fornecidos no dicionário. Crescer significa “aumentar naturalmente em tamanho pela adição de material por assimilação ou acréscimo”. Desenvolver significa “expandir ou alcançar o potencial para paulatinamente atingir o estado melhor, maior ou mais completo”.

Quando algo cresce, fica maior. Quando se desenvolve, torna-se diferente. O ecossistema da Terra se desenvolve (evolui), mas não cresce. Seu subsistema, a economia, deve parar de crescer, mas pode continuar a se desenvolver. O termo “desenvolvimento sustentável”, portanto, faz sentido para a economia, mas somente se for entendido como desenvolvimento sem crescimento, ou seja, melhoria qualitativa de uma base econômica física mantida em um estado estacionário por uma taxa de produção de matéria-energia que está dentro das capacidades assimilativas e regenerativas do ecossistema. Atualmente, o termo “desenvolvimento sustentável” é usado como sinônimo para o controverso “crescimento sustentável” ele deve ser salvo dessa ruína. Politicamente, é muito difícil admitir que o crescimento, com sua conotação quase religiosa de vontade suprema, deva ser limitado. Mas é precisamente a não sustentabilidade do crescimento que define a urgência para o conceito de desenvolvimento sustentável. A terra não vai aguentar a duplicação de nenhum único grão de farinha 64 vezes, contudo, nos últimos dois séculos, temos desenvolvido uma cultura dependente de crescimento exponencial para sua estabilidade econômica (Hubbert, 1976). O desenvolvimento sustentável é uma adaptação cultural feita pela sociedade à medida que ela se torna ciente da necessidade emergente de não crescimento. Nem o “crescimento verde” é sustentável. Há um limite para a quantidade de árvores que a terra pode suportar assim como há um limite para a quantidade de seres humanos e carros. Iludirmo-nos, acreditando que o crescimento ainda é possível e desejado se o rotularmos de “sustentável” ou tingir de “verde” irá apenas retardar a transição inevitável e torná-la mais dolorosa.

Limites para o crescimento?

Se a economia não pode crescer para sempre, então, o quanto ela pode crescer? Ela pode crescer o suficiente para dar a todos no mundo de hoje um padrão de uso de recursos per capita igual ao da média norte-americana? Para isso, seria necessário um crescimento de sete vezes, um número que se ajusta perfeitamente à recomendação da Comissão Brundtland (Brundtland et al, 1987) de que a economia mundial deve se expandir na ordem de cinco a dez vezes (1). O problema é que, mesmo uma expansão da ordem de quatro vezes é impossível, se Vitousek (Vitousek et al., 1986, p.368-373) estiver certo em seus cálculos quanto afirma que a economia humana atual se apropria de um quarto da população primária líquida da fotossíntese (PPL) (2). Nós não podemos ir além de 100%, e é pouco provável que a PPL aumente, visto que a tendência até agora para o crescimento econômico é reduzir a fotossíntese global.

Como os ecossistemas que estão em terra firme são os mais relevantes, e nós nos apropriamos de 40% da PPL gerada em terra, mesmo um aumento de quatro vezes é um calculo exagerado; da mesma forma que alcançar 100% é irreal, visto que somos incapazes de gerir diretamente todas as espécies que compõem os ecossistemas dos quais dependemos. Além disso, é ridículo estimular a preservação da biodiversidade sem estar disposto a interromper o crescimento econômico que exige que o homem assuma o controle de espaços ocupados por outras espécies.

(1) Considere o seguinte cálculo, com base em uma estimativa bruta de que os Estados Unidos usam atualmente 1/3 do fluxo anual de recursos do mundo (Comissão Nacional de Políticas Materiais, 1973). Estabelecemos que R é o consumo de recursos atual no mundo, R/3 é o consumo de recursos atual nos Estados Unidos. O consumo de recursos per capita atual no mundo seria R dividido por 5,3 bilhões. Para o consumo de recursos per capita futuro no mundo igualar o consumo per capita atual dos EUA, considerando uma população constante, R deve ser acrescido de um múltiplo; vamos chama-lo de M. Então, M vezes R dividido por 5,3 bilhões deve ser igual a R/3 dividido por 250 milhões. O resultado M é 7. O fluxo de recursos no mundo deve aumentar sete vezes se todas as pessoas forem consumir na mesma média atual dos EUA. Mas mesmo um aumento de sete vezes é subestimar muito o aumento do impacto ambiental, por duas razões. Primeiro, porque o cálculo é em termos de fluxos atuais somente, com nenhuma margem para o aumento de estoques acumulados de bens de capital necessários para processar e transformar o maior fluxo de recursos em produtos finais. Alguma noção da magnitude dos estoques extras necessários vem da estimativa de Harrison Brown, de que “colheita” de metais industriais já incorporada no estoque existente de artefatos nas dez nações mais ricas exigiria mais de 60 anos de produção desses metais nas taxas de 1970. Segundo, porque o aumento líquido de sete vezes de minerais utilizáveis e energia exigirá um aumento maior nos fluxos de recursos brutos, considerando que precisamos minerar depósitos cada vez menos acessíveis e minérios de qualidade mais baixa. É o fluxo bruto que provoca o impacto ambiental.
(2) A produtividade primária líquida (PPL) do ambiente natural (não antropizado) é definida como a diferença entre a fotossíntese e a respiração autotrófica da vegetação natural, por unidade de tempo e espaço (Field et al., 1995; Sun et al., 2004; Feng et al., 2007).

Se o crescimento de cinco a dez vezes recomendado pela Comissão Brudtland é impossível, então que tal só manter a escala presente, isto é, crescimento líquido zero? Todo dia lemos sobre reações do ecossistema ao estresse gerado pela economia – como o aumento do efeito estufa, a destruição da camada de ozônio, a chuva ácida, e por aí vai -, o que evidencia que mesmo a escala atual é insustentável. Como, então, as pessoas podem continuar falando em “crescimento sustentável” quando: (a) escala atual da economia mostra sinais claros de insustentabilidade; (b) multiplicar essa escala por cinco ou dez, como recomendado pela Comissão Brundtland, nos levaria da insustentabilidade para o colapso iminente; e (c) o conceito em si é logicamente contraditório em um ecossistema finito, sem crescimento? Ainda assim, o crescimento sustentável é o termo mais falado do nosso tempo. Vez ou outra, a coisa beira o ridículo, como quando escritores falam solenemente de “crescimento sustentável na mesma taxa de aumento da atividade econômica”. Nós devemos não só crescer para sempre, mas também acelerar para sempre! Isso é verborragia política vazia, totalmente desconectada dos princípios físicos e lógicos primordiais.

Aliviar a pobreza, e não angelizar o PIB

A pergunta importante é a que a Comissão Brundtland apresenta, mas não enfrenta realmente: o quanto podemos aliviar a pobreza nos desenvolvendo sem crescimento? Eu confio de que a resposta seja uma quantidade significativa, porém menos do que a metade. Uma das razões para essa crença é que, se a expansão de cinco a dez vezes mais será realmente para o bem dos pobres, então terá de ser composta por coisas necessárias para os pobres – comida, roupa, abrigo -, e não por serviços de informação. Os produtos básicos em uma dimensão física em irreduzível, e a sua expansão demandará crescimento em vez de desenvolvimento, embora o desenvolvimento pela melhora da eficiência vá ajudar. Em outras palavras, a redução do conteúdo de recursos por dólar de PIB observada em alguns países ricos nos anos recentes não pode ser anunciada como o rompimento entre a expansão econômica e o meio ambiente, como alguns alegaram. Um PIB angelizado não vai alimentar os pobres. O desenvolvimento sustentável deve ser um desenvolvimento sem crescimento – mas com controle populacional e a redistribuição das riquezas -, se o que se almeja é um ataque sério à pobreza. Na cabeça de muitas pessoas, crescimento é sinônimo de aumento da riqueza. Elas dizem que devemos crescer para sermos ricos o suficiente para arcar com os custos da eliminação e cura da pobreza. Que todos os problemas são mais fáceis de resolver se formos forma os ricos, isso não está em discussão A questão é seu crescimento na margem atual realmente nos torna mais ricos. A evidência de que, nos Estados unidos, ele agora nos torna mais pobres, pois o crescimento aumenta os pontos mais rápidos do que aumenta os benefícios (Daly, Cobb, 1989, apêndice). Ou seja, parece que crescemos além da escala ótima.

Definir a escala ótima.

O conceito de uma escala ótima da economia agregada em relação ao ecossistema está totalmente ausente da teoria macroeconômica atual. Presume-se que a economia agregada cresce para sempre. A microeconomia, se dedica quase totalmente a estabelecer a escala ótima de cada atividade de nível microeconômico, equiparando os custos e benefícios a preços marginais, furtou-se de verificar se não há também uma escala ótima para o conjunto de todas as microatividades. Uma certa escala (o produto da população pelo uso de recursos per capita) constitui uma certa taxa de rendimento de recursos e, portanto, uma determinada carga no meio ambiente, e pode compreender muitas pessoas, cada uma consumindo pouco, ou menos pessoas, cada uma consumindo correspondentemente mais.

Uma economia em desenvolvimento sustentável adapta-se e aperfeiçoa se em conhecimento ou, organização, eficiência técnica e sabedoria. E ela faz isso sem assimilar ou acrescentar, além de certo ponto, uma percentagem ainda maior da matéria-energia do ecossistema dentro de si mesma; em vez disso,  ela para em uma escala em que o ecossistema remanescente (o meio ambiente) pode continuar a funcionar e a se renovar ano após ano. A economia estacionária não é estática, ela está sendo continuamente mantida e renovada, como meio ambiente.

Quais são as políticas implícitas para se alcançar o objetivo do desenvolvimento sustentável como definido aqui? Tanto os otimistas quantos os pessimistas devem concordar com as seguintes políticas para os Estados Unidos (o desenvolvimento sustentável deve começar com os países industrializados):

  1. Empenhar-se em manter a taxa de produção constante nos níveis atuais (ou em níveis reduzidos verdadeiramente sustentáveis), taxando pesadamente a extração de recursos, especialmente a energia.
  2. Procurar arrecadar o máximo de receita pública dos impostos de indenização de recursos.
  3. Compensar (atingir a neutralidade da receita), reduzindo o imposto de renda, especialmente nas camadas mais pobres da população, talvez até mesmo financiando um imposto de renda negativo nas camadas muito pobres.

Os otimistas acreditam que a eficiência do recurso pode aumentar em dez vezes devem acolher essa política, que elevaria consideravelmente o preço dos recursos, e daria grande incentivo justamente aos avanços tecnológicos em que tanto acreditam. Os pessimistas que não acreditam na tecnologia irão, mesmo assim, ficar felizes em ver as restrições impostas à já insustentável taxa de produção. Os pessimistas estão protegidos de seus maiores medos; os otimistas são encorajados a perseguir seus maiores sonhos. Se for provado que os pessimistas estão errados e o enorme aumento na eficiência realmente pode acontecer, eles não vão poder reclamar. Eles conseguiram o que mais queriam, e um bônus inesperado. Os otimistas, por sua vez, não podem contestar uma medida que permite e fomenta o progresso técnico, que é justamente a base do seu otimismo. Se for provado que estão errados, pelo menos deverão ficar felizes de que a taxa de destruição ambiental induzida pela taxa de produção tenha diminuído. Além disso, as taxas sobre a extração de recursos não renováveis são mais difíceis de evitar do que os impostos sobre os rendimentos, e não diminuem os incentivos ao trabalho.

Em termos de projeto, existem algumas orientações de políticas adicionais para o desenvolvimento sustentável. Os recursos renováveis devem ser explorados de modo que a taxa de extração não exceda a taxa de regeneração e a emissão de resíduos não exceda a capacidade de assimilação renovável do meio ambiente local.

Equilibrando recursos renováveis e não renováveis.

Os recursos não renováveis devem ser esgotados a uma taxa igual a taxa de criação de substitutos renováveis os projetos com base em exploração de recursos não renováveis devem ser emparelhados com projetos que desenvolvam substitutos renováveis. As rendas líquidas da extração não renovável devem ser separadas em um componente de renda e um componente de liquidação de capital. O componente de capital a ser investido todo ano de um substituto renovável. A separação é feita de modo que, quando o recurso não renovável estiver esgotado, o recurso renovável já terá se desenvolvido pelos investimentos e crescimento natural ao ponto de sua produção sustentável ser igual ao componente de renda. O componente de renda se tornará, assim, perpétuo; justificando o nome “rendimento” que é por definição, o máximo disponível para o consumo, mantendo o capital intacto. Foi demonstrado (El Serafy, 1989, p. 10-18) como essa divisão de renda sem capital e rendimento depende: 1) da taxa de desconto (taxa de crescimento do recurso renovável substituto); e 2) da expectativa de vida do recurso não renovável (as reservas divididas pela taxa de esgotamento). Quanto mais rápido por crescimento biológico do recurso substituto renovável e longa a sua expectativa da vida, maior será o componente de rendimento e menor será a reserva de capital. O “substituto” aqui deve ser interpretado amplamente para incluir qualquer adaptação sistêmica que permite a economia se adaptar à exaustão dos recursos não renováveis de uma maneira que mantenha os rendimentos futuros em determinado nível (reciclagem, no caso dos minerais, por exemplo). As taxas de retorno para os projetos emparelhados devem ser calculadas com base somente no seu componente de rendimento. Contudo, antes que esse passo operacional em direção ao desenvolvimento sustentável possa ter oportunidade justa, devemos primeiro tomar as medidas conceituais e políticas de abandonar o introjetado chavão do “crescimento sustentável”.

 

Foto: https://pixabay.com/pt/

RECONSTRUIR A VERDADEIRA SEGURANÇA NA ERA DA INSEGURANÇA – Vandana Shiva.

ESTE TEXTO É DA VANDANA SHIVA, QUE FOI PUBLICADO NO LIVRO ECONOMIA DE GAIA,  ORGANIZAÇÃO DO GAIA EDUCATION.

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A HUMANIDADE PARECE ESTAR em queda livre rumo ao desastre. A estrutura ecológica da nossa existência está sendo destruída à medida que a violência da globalização corporativa se une à violência da guerra.

Alternativas à guerra, à não sustentabilidade e à justiça social e econômica têm se tornado uma imposição para sobrevivência. Ela precisa combinar a atitude de fazer as pazes com o planeta com atitude de fazer as pazes entre pessoas de culturas distintas. Uma não é possível sem a outra. As raízes do terrorismo, da violência e da guerra encontram-se na exclusão econômica e ambiental e na segurança que ela gera. A segurança das pessoas não está em orçamentos militares mais volumosos, bombas maiores e nem estados policialescos mais fortes. Está na segurança ecológica, econômica, cultural e política. A reconstrução dessas múltiplas seguranças é a única maneira de criar paz, justiça e sustentabilidade.

Por que nós, como espécie, estamos destruindo o próprio alicerce de nossa sobrevivência e existência? Por que a insegurança tem sido o resultado de todas as tentativas de criar segurança? Como nós, na condição de membros da comunidade da terra, podemos reinventar a segurança para garantir a sobrevivência de todas as espécies e o futuro de culturas distintas? Como passar das ruínas da cultura da morte da destruição para cultura que sustenta e celebra a vida?

Podemos fazer essa passagem libertando-nos da prisão mental da separação e da exclusão, para ver o mundo em toda sua interconexão e indissociabilidade, permitindo que novas alternativas surjam. O desespero se transforma em esperança. A violência abre caminho para não violência. A escassez se transforma em abundância, e a insegurança, em segurança. Precisamos mais uma vez sentir em casa na Terra e entre nós. Temos necessidade de um novo paradigma que nos permita passar da cultura difusa da violência para cultura da não-violência, da criatividade e da paz: esse é o paradigma da Democracia da Terra.

 A Democracia da Terra se baseia na criação de ECONOMIAS VIVAS que protejam a vida na Terra, supram as necessidades básicas e promovam segurança econômica para todos. Ela tem como base uma democracia ativa, que é inclusiva. O movimento da Democracia da Terra é um compromisso de superar a crise da injustiça e da desigualdade econômica, da não sustentabilidade ecológica, o declínio da democracia e a ascensão do terrorismo. Esse movimento oferece uma visão de mundo alternativa, na qual seres humanos estão integrados a família terrestre. Começamos a ver que estamos conectados pelo amor, pela compaixão, pela responsabilidade ecológica e pela justiça econômica, que substituem a ganância, consumismo e a competição como objetivos da vida humana.

Na Democracia da Terra, a economia, política e a sociedade passam de sistemas negativos, que beneficiam apenas alguns em curto prazo, para sistemas positivos, que garantem o direito fundamental a vida de todas as espécies. A manutenção da vida em sua diversidade e a integridade é a base das relações na Democracia da Terra.

Assim, ela transforma nossa mente e nossas ações, e nos livra de padrões de pensamento e para que nos levaram a situação difícil em que estamos hoje. Também nos ajuda a enfrentar as raízes comuns de problemas que são definidos, isoladamente, como econômicos, ecológicos e políticos. A Democracia da Terra nos capacita a fazer mudanças mentais e contribuem para a satisfação de nossas necessidades tem dentre outras espécies e culturas, e para o aprimoramento do bem-estar humano, enquanto assegura o bem-estar de todos os seres. Na Índia, rogamos: “Que todos os seres sejam felizes”.

A Democracia da Terra agrega princípios que nos permitem transcender a polarização, as divisões e as discussões que colocam a economia contra ecologia, o desenvolvimento contra o meio ambiente, as pessoas contra o planeta, e as nações umas contra as outras, em uma nova cultura de medo e ódio. A Democracia da Terra está simbolizada nas fazendas que revitalizam a biodiversidade e nas espécies que atuam em mutualidade para beneficiar umas às outras. Ela também oferece um novo contexto ao ser humano, como um dos membros da família terrestre e das diversas culturas no mosaico da diversidade cultural.

Visto que as outras espécies não votam, não podem influenciar políticos e não tem poder de compra no mercado, a Democracia da Terra nos obriga, como humanos, a levar em conta o bem-estar das espécies. Como Sua Santidade o Dalai Lama disse em seu 60º aniversario: “Todos os seres têm direito ao bem-estar e a felicidade. Temos o dever de garantir o seu bem-estar”. Isso cria a responsabilidade humana de atuarmos com administradores, em vez da noção preponderante de soberania, controle e posse.

A Democracia da Terra privilegia a diversidade de forma e de função na natureza e na sociedade. Quando a relevância e o valor intrínseco de todas as formas de vida são reconhecidos, as diversidades biológicas e cultural desabrocham. As monoculturas são resultado da exclusão e da dominação de espécies: único tipo, uma única raça, uma única religião, uma única visão de mundo. Elas são uma indicação de coerção e de perda da liberdade. Liberdade implica diversidade. Diversidade significa liberdade.

A Democracia da Terra nutre a diversidade pela superação da lógica da exclusão, do Apartheid, do “nós e eles” e do “uma coisa ou outra”. Ela implica a multifuncionalidade, na lógica do “e” e da inclusão. Transcende a polarização falsa do selvagem versus o refinado, da natureza versus a cultura, e até mesmo falso choque de culturas. Leva em consideração o conjunto da agrofloresta, tanto a área agrícola quanto a florestal, reconhece que a biodiversidade pode ser preservada e também pode suprir as necessidades humanas. Por meio da substituição das monoculturas pela diversidade e dos sistemas unidimensionais pela multidimensionalidade, a economia negativa da criação de escassez pode ser substituída pela economia positiva da abundância compartilhada, da provisão garantida das necessidades básicas e do acesso aos recursos vitais. Diversidade a criatividade prosperam na natureza e na cultura.

A Democracia da Terra coloca a responsabilidade do centro das nossas relações com os direitos decorrentes dela; diferentemente do paradigma dominante, em que há direito sem responsabilidade e vice-versa. A separação de direitos e responsabilidade está na raiz da devastação ecológica e das desigualdades de gênero e classe. As corporações que lucram com a indústria química, ou a poluição genética derivada das plantações geneticamente modificadas, não são obrigadas a arcar com o fardo dessa poluição. Os custos sociais e ecológicos são exteriorizados e pesam sobre os outros, que foram excluídos das decisões e dos benefícios.

A Democracia da Terra baseia-se na aqueles que pagam o preço por terem voz, e aqueles que carregam uma responsabilidade por terem direitos. Isso cria uma democracia direta ou básica. Por um lado, implica o deslocamento descendente das decisões, indo das instituições globais e dos governos centralizados para as comunidades locais. Por outro, implica uma mudança na nossa interpretação de soberania. Portanto, a Democracia da Terra transfere a constelação de poder das corporações para as pessoas, e desse modo, reequilibra o papel e as funções do Estado, que vem se tornando cada vez mais antidemocrático.

A Democracia da Terra tem a ver com a vida, com direito natural às condições de estar vivo. Trata-se da vida cotidiana das decisões e liberdades relacionadas ao dia a dia – a comida que comemos, as roupas que vestimos, água que bebemos. Não se trata apenas de eleições e do ato de votar. É uma democracia permanentemente vibrante. Combina democracia econômica com as democracias política e ecológica. Ela gera economia, políticas e identidades positivas. Também cria segurança e, assim, condições para a paz.

 Ela oferece potencial para mudar a maneira como o governo, organizações e corporações intergovernamentais operam. Cria um novo paradigma para a governança global, enquanto dá poder as comunidades locais. Também cria a possibilidade de fortalecimento da segurança ecológica, à medida que aprimora a segurança econômica. Com base nas seguranças ecológica e econômica, ela torna as sociedades imunes ao vírus do ódio e do medo. A Democracia da Terra oferece uma nova maneira de ver as coisas, na qual algo não está em guerra como com todo o resto, mas por meio da qual podemos cooperar para a criação da paz, da sustentabilidade e da justiça.

CORONAVÍRUS: DECRESCIMENTO ECONÔMICO FORÇADO, SOFRIDO, MAS NECESSÁRIO PARA UM NOVO RECOMEÇO.

Desde a década de 70, um economista chamado André Gorz, baseado nas teses do criador da Bioeconomia Nicholas Georgescu-Roegen, vem apostando que seria necessário um decrescimento econômico para que atingíssemos a sustentabilidade.

A tese do decrescimento baseia-se na hipótese de que a economia neoclássica – entendida como aumento constante do Produto Interno Bruto (PIB) – não ser sustentável para o ecossistema global. Esta ideia é oposta ao pensamento econômico dominante, segundo o qual a melhoria do nível de vida seria decorrência do crescimento do PIB e portanto, o aumento do valor da produção deveria ser um objetivo permanente da sociedade.

A questão principal, segundo os defensores do decrescimento é que os recursos naturais são limitados e portanto não existe crescimento infinito. A melhoria das condições de vida deve, portanto, ser obtida sem aumento do consumo, mudando-se o paradigma dominante.

Muitos compreenderam esta tese, tanto que, durante muitas décadas vem sendo proposto o Desenvolvimento Sustentável (tem posts anteriores falando sobre, procure pela tag Sustentabilidade): desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Em outras palavras, o desenvolvimento sustentável é aquele que assegura um crescimento econômico viável, sem esgotar os recursos para o futuro, atuando de uma forma socialmente justa e ambientalmente correta.

No entanto, 50 anos após a tese do decrescimento econômico, o que aconteceu foi um aumento do PIB em 8x, e por outro lado a poluição ambiental e os problemas sociais também aumentaram, além do aumento da temperatura da atmosfera causando as mudanças climáticas e outros impactos nos serviços ecossistêmicos que suportam a vida humana no planeta Terra.

Entramos em 2020 com a maior certeza de que o modelo econômico atual é insustentável, e que medidas urgentes precisariam ser tomadas. Afinal, iniciamos a década da ação para atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, entramos na década decisiva para conseguir frear o ritmo de aquecimento global antes de que seja tarde demais.

Apesar de muitos movimentos propondo mudanças e novas formas mais saudáveis de atingir o desenvolvimento sustentável, o ano de 2020 era esperado por muitos a tão retomada do crescimento econômico, como era o caso do Brasil.

Mesmo sabendo o que se têm de fazer, as grandes economias não pareciam querer abrir mãos do poder, dos lucros, crescimento e da competitividade em prol da Sustentabilidade.

Mas por ironia do destino, parece que a natureza sabendo que nós, humanos, não abriríamos as mãos do crescimento econômico, e que dificilmente conseguiríamos atingir o equilíbrio socioambiental para permitir que ela se regenerasse para continuar nos suprindo com os recursos renováveis e serviços ecossistêmicos, ela (natureza) decidiu frear todos, igualmente.

Através da antiga cultura de dominação homem-natureza, de superioridade homem-animal, um novo vírus surgiu, o Covid-19, e em um ritmo extremamente acelerado, parou o mundo.

De repente, obrigatoriamente atingimos um decrescimento econômico. E ao contrário do que estávamos acostumados, onde as decisões dos homens de poder não afetavam igualmente a todos, e estávamos acostumados uns terem mais do que outros, o Covid-19 não foi seletivo. Pela primeira vez todos estão sendo igualmente afetados. É claro que, no resultado final, os mais vulneráveis sairão muito mais impactados.

O Coronavírus chegou para dar fôlego ao Planeta Terra. É incrível como podemos ver a Regeneração da Natureza. O primeiro exemplo veio da China, após a publicação das imagens de satélite da NASA, com o antes e depois do isolamento e parada das indústrias, o índice de qualidade do ar melhorou significativamente. Depois as imagens do rio Veneza, na Itália, que voltou a ter água clarificada, e também imagens do céu da maior cidade da América Latina, São Paulo, onde muitos paulistanos não estavam acostumados a ver estrelas com frequência.

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Fonte: NASA

É claro que, não precisaríamos aprender desta forma, na dor e sofrimento. Milhares de pessoas estão morrendo e milhões perdendo empregos no mundo inteiro, além de muitas empresas que irão a falência. Mas, não aprendemos e/ou não quisemos fazer diferente ao longo das últimas décadas, mesmo sob tantos avisos dos cientistas. E mesmo que se tivéssemos um pouco mais conscientes e preventivos, não era garantido que não seríamos atingidos por esta pandemia. Afinal, é impossível ter o controle sobre esta grande teia de relações sociais e ecológicas.

O Coronavírus parece ser o novo dilúvio só que na época depois de Cristo. Um reseat ao nosso modo de vida, aos nossos valores. Nós estamos passando por uma grande transformação juntos, em escala planetária. Será necessário um grande recomeço, uma reconstrução, e agora mais do que nunca temos a chance de fazer diferente.

Durantes os últimos 2 anos eu tenho acompanhado e me especializado em novos modelos de se relacionar com o meio ambiente. Ao contrário da cultura atual ser de soma zero (ganha-perde), precisamos passar para uma cultura de soma não-zero (ganha-ganha) exigindo uma cultura de colaboração generalizada a fim de que a natureza também vença (ganha-ganha-ganha) e vença primeiro, afinal ela que é a provedora de toda abundância da qual dependemos. Para isso, é necessário agir como ela. Utilizar o exemplo dos processos naturais que não desperdiça nada, além de ser extremamente eficiente, a natureza é EFETIVA, faz da melhor forma possível o que precisa ser feito, gerando transformação, para levar de volta ao seu estado de equilíbrio.

Durante centenas de anos, o homem aprendeu a ciência, mas não muito de como utilizá-la. Os métodos de pensamentos fragmentados, reducionistas e mecanicistas já não cabem mais no ecossistema que vivemos. Diversos físicos e cientistas modernos vem apontando para uma nova realidade sistêmica e um mindset ecológico.

Além do propósito de trazer estes conceitos ecológicos para os processos a fim de atingir a Gestão Efetiva dos Aspectos Ambientais, a Mutação Sustentável tem a visão de ser um agente para disseminar essa nova cultura emergente, uma Cultura Regenerativa.

O desenvolvimento Regenerativo é a evolução do desenvolvimento Sustentável. Quando falamos em Sustentabilidade, significa manter o equilíbrio daquilo que existe do jeito que é para ser, natural e saudável para todos. Só que o que temos feito atualmente é a “Sustentabilidade” do que não pode ser sustentável, do desequilíbrio. Agora, primeiramente temos que regenerar e dar a condição de voltar para o estado de equilíbrio dinâmico natural, para posteriormente sim, apoiar-se no desenvolvimento sustentável.

Já existem muitos movimentos com novas formas de pensar a Sustentabilidade e atingir a Regeneração, como por exemplo a Economia Circular, a Bioeconomia, Economia Colaborativa, dentre outros, mas eram vistos por muitos como: “isso não é viável”, “não é possível”, “não funciona”, “é muito (…)ismo”, simplesmente porque muda vários paradigmas, tiram da zona de conforto e por isso, é pouco difundido e discutido. Porém, diante da pandemia Coronavírus, estes novos movimentos precisam ser intensificados e considerados para a reconstruir a sociedade e a economia de uma forma mais justa e saudável para todos.

Ao longo dos próximos dias irei compartilhar nas redes da Mutação Sustentável quais ensinamentos a crise do Coronavírus está nos trazendo que está relacionado com modelos e conceitos existentes, novos paradigmas que, devem se manter para um recomeço Regenerativo transformando as nossas relações, modo de vida e os nossos negócios.