Conferência Brasileira pela Mudança do Clima em Recife/PE: 1º resumo dos painéis que participei.

Aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de novembro a Conferência Brasileira pela Mudança do Clima em Recife, um encontro  que reuniu organizações não governamentais, movimentos sociais, governos, comunidade científica e o setor privado e público brasileiro para três dias de diálogo e formulação de propostas para a implementação da NDC brasileiraO encontro foi de organização coletiva e tem como base a NDC Brasileira, o Acordo de Paris e a agenda 2030.

Foi uma programação bem intensa, infelizmente não dá para assistir a tudo, mas vou compartilhar em duas ou três posts o que foi novidade para mim e algumas das minhas percepções.

O Acordo de Escazú como impulsionador para o acesso à informação, participação e acesso à justiça em questões climáticas e ambientais no Brasil – Não tinha ouvido falar ainda, é um Acordo Regional da América Latina e Caribe. Praticamente é a Lei de Acesso à Informação sobre questões ambientais MAIS a participação da sociedade. A intenção desse acordo teve como motivação o 10º Princípio da agenda da Conferência do Rio-92 que diz respeito à participação de todos os interessados nas questões ambientais, à garantia de acesso às informações sobre o meio ambiente e ao acesso a mecanismos judiciais e administrativos destinados à compensação e reparação de danos ambientais. Este acordo inclui 27 países, onde 24 já assinaram em março de 2018 e o Brasil é um deles. Agora só falta o Brasil ratificar, está nas mãos do presidente (que agonia). Se metade ratificar, o acordo já estará valendo.

Quais os pontos principais do acordo? No quesito de acesso à informação: o Estado tem que disponibilizar informações de maneira passiva e ativa, inclusive dados de poluentes que são emitidos  que podem afetar a saúde pública. Acesso à participação: garante a participação pública aberta e inclusiva no processo de tomada de decisão em projetos, atividades ambientais e em processos de concessão de licenças ambientais que tenham ou possam ter impactos no meio ambiente. Isso geralmente acontecia após a divulgação do EIA-RIMA (Estudo/Relatório de Impactos Ambientais), com o acordo, esta participação tem que acontecer até mesmo antes de realizar o estudo, para que a sociedade possa opinar para dizer o quê que ela quer ver no relatório. Acesso à justiça: reconhece o direito à justiça em temas ambientais, assegurando o princípio de não-discriminação e observando o devido processo legal eliminando as barreiras ao exercício dos direitos de acesso por pessoas em situações de vulnerabilidade. Uma das formas de combater estas barreiras é a oferta de assistência técnica e jurídica gratuita àqueles que necessitam, além de dispositivos de redução de custos dos processos judiciais. E a novidade do acordo: é o primeiro a criar obrigações aos Estados em relação aos Defensores Ambientais que trabalham para proteger o meio ambiente, incluindo a obrigação de proteger essas pessoas de ameaças e violência, além da obrigação de garantia de um ambiente adequado para execução do seu trabalho. Em visto que no Brasil é lider em morte de ativistas ambientais, segundo a ONG Global Witness (2018), este artigo (9) foi um grande avanço.

Minha reflexão: Sabemos que todos os problemas relacionados com o meio ambiente não são novos, são antigos e estão sendo discutidos desde 1972 e que avançaram mais a partir de 1992, no Rio. Mas vemos que, as soluções propostas também não são novas, visto que já em 1992 levantaram a necessidade de incluir a sociedade nestes assuntos e garantir sua participação. De novo aqui, só tem a CONSCIÊNCIA da gravidade da crise que estamos enfrentando, e que, é necessário o engajamento de TODOS, sem exceção. A Terra, a Biosfera, os recursos naturais são direitos de todos nós. Cuidar e preservar também é a obrigação de todos! A responsabilidade de garantir os serviços ecossistêmicos para as próximas gerações é muito grande para ficar aguardando pelas definições de acordos mundiais e de ações do governo federal. Temos que começar a participar, a se informar e agir em nível local, municipal, que é onde as coisas acontecem! Este acordo é um convite para que nós façamos nosso papel e as pessoas precisam saber disso!

Para saber na íntegra a versão final do acordo, clique aqui.

Atualização de cumprimento do Princípio 10: Observatório do Princípio 10.

Vamos compartilhar o tema!

Um beijo!

1º Workshop: Como Trazer a Sustentabilidade para o nosso dia-a-dia

Olá amigos (as) que estão lendo esta postagem, eu sei que se passaram 2 (dois), DOIS!!! meses sem uma postagem por aqui, mesmo estando ativa pelas redes do Instagram e Facebook. Mas, muitas “Mutações” acontecendo na minha vida (que falarei mais em uma próxima postagem) , em sua boa parte planejadas. E uma das que foram planejadas foi o Workshop Como trazer a Sustentabilidade para o nosso dia-a-dia, que realizei com a ajuda de parceiros, no dia 26 de outubro, em Lins, minha cidade natal.

Estou muito feliz com o resultado da minha primeira facilitação, curadoria (são tantas palavras novas) ou melhor, organizadora e ao mesmo tempo palestrante de um evento. Evento este que estava incluso na programação da Semana Lixo Zero, que aconteceu no Brasil todo entre os dias 18 e 27 de outubro.

Desde que eu despertei para uma consciência ecológica (ou falta dela), que foi quando entrei nas profundezas do meu ser, das crenças e de toda a trajetória da mente humana (minha) até chegar onde estamos (estou), sinto a necessidade de compartilhar e dialogar sobre este tema e o quanto ele está relacionado com a Sustentabilidade que queremos atingir.

Dentro da programação então, tivemos:

  • Uma meditação guiada chamada: O homem como uma galáxia em miniatura;
  • Palestra no estilo roda de conversa: Despertando a consciência ecológica; e em seguida:
  • Consumo Consciente;
  • Lanche colaborativo, onde todos participaram com a contribuição para termos um momento de distração e aproximação;
  • Apresentação do CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura) de Lins;
  • Palestra sobre a situação dos Resíduos Sólidos Urbanos de Lins, com a apresentação da minha amiga Engenheira Ambiental e Civil Danielle Ferreira;
  • Oficina de compostagem doméstica em baldes, no tipo da vermicompostagem;
  • Bazar da troca no final, onde algumas pessoas levaram e participaram, mesmo não sendo ainda uma prática comum da nossa cultura de hoje.

Tivemos uma participação muito rica de ex-colegas da turma de Engenharia Ambiental da Unilins, dos alunos que ainda vão se formar, professora de educação infantil e da sociedade como um todo.

E para finalizar antes de compartilhar as fotos, deixo duas frases sobre a Mudança que sonhamos, que gosto sempre de mentalizar, principalmente quando penso que minhas ações são pequenas… (PS. não sei quem são os autores originais)

“Ninguém faz nada sozinho, e mudar o mundo é uma delas!”

“Todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo primeiro”.

A mudança que queremos para o mundo, começa, primeiramente dentro de cada um de nós… por isso, que passo constantemente pela minha Mutação Sustentável.

Um beijo a todos!

 

Não existe o padrão sustentável. Existe a evolução contínua em busca da sustentabilidade.

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Ao olhar para o mundo em busca de novos caminhos, nada mais natural do que cada indivíduo ter seus próprios objetivos e trilhar rumos que julgue corretos. Nem todos precisam seguir a mesma direção, mas existem consensos. Um deles é que o cenário ambiental que está precisando de atenção. Diante de uma crise climática pré-anunciada, da poluição, da crise por demanda energética e recursos como um todo, o período não poderia ser mais oportuno para tratar o tema.

Eu vejo muitas pessoas perdidas em relação a isso. Primeiro grupo são as pessoas que não se sentem parte do problema e nem da solução, os céticos, os despreocupados. Segundo grupo são as pessoas que se sentem inseridas no problema, mas não saem da zona do conforto para fazer parte da solução. E o terceiro grupo, são das pessoas que fazem parte do problema e da solução, por este motivo procuram melhorar suas escolhas, mudam o estilo de vida, e mesmo assim, se culpam porque os impactos não acabam nunca. São as pessoas do terceiro grupo que mais sofrem, internamente.

Eu falo por mim mesma. Quando caiu minha ficha sobre o que estávamos fazendo com o planeta, eu pirei. Quis mudar várias coisas rapidamente, e aquelas que não conseguia mudar por algum motivo de acesso ou recurso, me sentia super mal e na minha cabeça eu voltava a estaca zero. E isso, isso não ajuda. Pelo contrário, atrapalha, porque você cria algo que você NÃO SUSTENTA! E o que não podemos sustentar, logo, não é sustentável também para o planeta.

Conforme foi definido pela ONU, para obter a Sustentabilidade é necessário ter uma visão sistêmica para o Econômico, o Social e o Ecológico. Olhando para um indivíduo, dentro da própria casa não é diferente, e eu ainda considero um quarto elemento, se tornando o primeiro da base da Sustentabilidade, o EU. Mas não é o EU no sentido do ego, é o EU em relação a saúde física e mental e ao SER EU.

E quando olhamos com esta percepção, não há uma receita padronizada para se tornar sustentável. Se ninguém é igual a ninguém geneticamente, nas impressões digitais, na forma de pensar, de se vestir, na busca para a SUSTENTABILIDADE também não é diferente!

Ninguém vai ter a mesma adaptabilidade em dietas com restrição de proteína animal. Não é todo mundo que vai ter acesso a um transporte público de qualidade, não é todo mundo que vai ter tempo para lavar as fraldas de pano do bebe recém-nascido, e por aí vai.

Por isso, quando me perguntam como ser sustentável e o que fazer para mudar para reduzir seus impactos, a primeira coisa que digo é: como está sua relação com você mesmo? Como estão suas relações sociais? E financeiras? Porque se você não estiver cuidando da sua saúde física e mental, o que você fizer a mais para o meio ambiente não vai ser sustentável por muito tempo, porque uma hora esta negligência volta para você e isso pode se tornar em um consumo de remédios, por exemplo.

A mesma coisa se reflete em como você vê os problemas sociais como fome, preconceito, desemprego. Enquanto tivermos desigualdades extremas, teremos grande necessidade de uso dos recursos naturais, porque todos é digno de viver em abundância.

Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida em abundância”.  “Amai o próximo como a ti mesmo.”

Como podemos amar o próximo, outra espécie animal, ter respeito pelas diversidades e culturas, se eu não amo nem a mim mesmo?

Para isso, é fundamental que cada um seja induzido a refletir sobre o que é realmente importante em sua vida e, como decorrência, sobre ao que o seu padrão de consumo deve responder. Esta mudança é o centro do comportamento de consumo consciente.

A busca por um padrão de consumo que permita contribuir para a sustentabilidade da vida no planeta passa por uma reflexão sobre o que realmente importa, o que de fato traz felicidade, o que é essencial para a vida, colocando o consumo em seu devido e importante lugar de instrumento de bem estar, e dando lugar à busca pela felicidade nos Afetos, nas Amizades, nos Amores, na Arte – os 4 As de um modo de vida sustentável – como o centro de uma vida que tenha um sentido transcendente e voltada ao que realmente importa.

Instituto Akatu

Neste processo, é preciso aprender a ouvir de forma mais profunda e mais em contato com as próprias emoções, em busca de um caminho em que o consumo material deixa de ser o centro da vida e dá lugar a uma existência plena de sentido nos relacionamentos e na expressão das emoções e sentimentos, plena de autoconsciência e autoconhecimento, e integrada ao coletivo da humanidade pelo que há de mais humano.

Ao interromper nossas ações rotineiras e “desacelerar”, nos tornamos mais conscientes da motivação para nossas ações frente ao que realmente importa na vida.

E a partir daí, evoluir, como todo o nosso processo de ser humano, enquanto estivermos neste plano. É tomar a consciência, e a cada dia fazer algo a mais, mudar para melhor. É você buscar o seu melhor equilíbrio frente a entrega que consegue dar ao mundo. Ser sustentável é… Estar Sustentável… Ser você e buscar a melhoria contínua da sustentabilidade.

Por isso, a Mutação Sustentável tem como conceito a evolução sistêmica do indivíduo de uma forma dinâmica e equilibrada para a regeneração, assim como é na natureza. A mudança é premissa de evolução também na natureza, que opera em equilíbrio com sistemas limpos e regenerativos, respeitando o seu espaço e tempo.

Um beijo.

Sabrina

4 dicas que me ajudaram a eliminar o hábito de consumir copos de plástico descartável.

bg-tituloA Mutação Sustentável surgiu da consciência do uso de copo de plástico descartável. Sim, eu estava com um hábito de me distrair por alguns minutos das atividades no trabalho, passava na sala de café, pegava um copo descartável, tomava um “golinho” de café, batia um papo ou resolvia algo do trabalho e descartava o copo. Este ciclo se repetia pelo menos 3 vezes por dia!

Até que um dia, eu despertei desta ato em modo automático e me vi afundada em um monte de copos descartáveis sendo aterrados em aterro sanitário. Pensei: preciso mudar isto! A princípio, parecia ser simples. Ter minha própria xícara.

É possível mudar um hábito definitivamente?

Esta é uma pergunta clichê, pois todos nós queremos a fórmula mágica para mudar algum hábito que consideramos ruim ou criar um hábito novo. A boa notícia é: existe esta fórmula mágica. O fato é: mesmo assim não é fácil mudar ou criar hábitos. A resposta para isto é que, somos atraídos – intensamente atraídos – pelas coisas que são fáceis, práticas e habituais e é incrivelmente difícil dominar essa inércia.

Mas vamos à fórmula mágica, retirada do livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg (lá tem referências de todos os pesquisadores, psicólogos e cientistas envolvidos nestes estudos). Para alguma ação ou comportamento virar um hábito é necessário existir três componentes:

  1. Deixa: um estímulo que manda seu cérebro entrar em modo automático para você agir. Pode ser um odor, o clima, um sentimento, um barulho, enfim, várias coisas.
  2. Rotina: é a sua reação à deixa: ação, comportamento, pensamento.
  3. Recompensa: benefício/prazer que você recebe por completar o hábito, quanto mais agradável for, mais este ciclo se repete, porque você vai ansiar sentir o mesmo prazer novamente.

Como surge um hábito

São os anseios que impulsionam os hábitos. Por isso, o primeiro passo para mudar um hábito é entender as deixas e os anseios que impulsionam este hábito. Isto não faz com que eles desapareçam de repente, mas vai lhe fornecer um meio de planejar como mudar este padrão.

Dica 1 – Observar e entender um anseio existente ou criar um anseio, para incorporar uma rotina em atendimento à recompensa.

Dica 2 – Repetição. A prática leva à perfeição. Se você deseja criar uma rotina, tem que praticar, senão seu cérebro não vai atuar de forma automática.

Bom, mas o que vai levar à nossa disciplina e iniciativa de repetição? Nossa força de vontade. A questão é que a força de vontade é como um músculo, quando mais a exercita, mais você consome energia e ela enfraquece.

“Infelizmente, enfrentamos um fluxo estável de tarefas que exaurem nossa força de vontade todos os dias. Seja evitar comer sobremesa no almoço, manter-se concentrado em uma planilha no computador durante horas a fio ou participar de
uma reunião de três horas, mas, em qualquer um desses casos, nossa força de vontade está sendo continuamente posta à prova. Então, não é surpresa alguma que voltemos com tanta facilidade aos nossos velhos hábitos, ao caminho mais fácil e mais conhecido, à medida que avançamos ao longo do dia. Essa atração invisível exercida pelo caminho da menor resistência pode determinar mais fatores da nossa vida do que percebemos, criando uma barreira intransponível à mudança e ao crescimento positivo.”                                                             Shawn Achor

O que muitas vezes falta, segundo os estudos, é uma energia de ativação, um fagulha inicial necessária para catalisar uma reação. A mesma energia, tanto física quanto mental, é necessária para as pessoas superarem a inércia e dar início a um hábito positivo. Caso contrário, a natureza humana nos conduz eternamente pelo caminho da menor resistência.

Segundo o autor do livro O jeito Harvard de ser feliz, Shawn Achor, reduzir o tempo gasto para iniciar uma ação, ou seja, se diminuir a energia de ativação, há mais chances de o hábito ser realizado. Isso significou em seus estudos que poupar 20 segundos a menos para iniciar uma atividade seria o suficiente para realizá-la.

“Na verdade, muitas vezes leva mais de 20 segundos para fazer a diferença – e algumas vezes pode levar muito menos –, mas a estratégia em si pode ser aplicada a qualquer coisa: reduza a energia de ativação para os hábitos que deseja adotar e aumente-a para hábitos que deseja evitar.”

Dica 3 – Aumente ou reduza a energia de ativação, ou seja, se planeje.

Bom, sem saber da parte teórica que aprendi após ler estes livros, acabei utilizando as três estratégias acima para parar de consumir copos de plástico descartável.

meu hábitomeu hábito certo

Observei e identifiquei o anseio e as recompensas para beber café, substitui a rotina, ou melhor, o copo descartável pela caneca, e ainda, criei uma dificuldade para beber café toda vez que o anseio surgisse aumentando a energia de ativação: atravessar a fábrica com uma caneca na mão (o que não era comum) até a sala do café. Assim, consegui reduzir o hábito, alterei o copo pela caneca, e por fim, foquei na recompensa, ou seja, nos benefícios que estava causando para minha saúde e para o meio ambiente.

Dica 4 – Focar nos benefícios.

Não lembro de ter aprendido com alguém específico, mas sempre tive em mente que, se eu quero muito fazer de algo um hábito, que sei que vai ser positivo para mim, eu foco nos benefícios. Pensar positivo ajuda a você buscar aquele restinho de força de vontade. E dependendo do que for, ainda eu estipulo metas e amarro estas metas para ser condicionantes de outros objetivos. Não tem erro!

Estas dicas podem ser usadas para qualquer área que você queira introduzir um hábito positivo. Você pode usar para melhorar sua alimentação, iniciar a prática da musculação, deixar de comprar alguma coisa e até mesmo melhorar a produtividade no trabalho, ou seja, criar HÁBITOS SUSTENTÁVEIS!

Segundo estudos de neurocientistas para um hábito ser formado de forma automática é preciso uma prática de pelo menos 21 dias consecutivos para nosso cérebro passar por uma reprogramação.

Para te ajudar nesta tarefa de criar um hábito positivo eu vou compartilhar uma ferramenta poderosa! É só clicar no link abaixo. Mas ao baixar este arquivo, você tem que se comprometer com você mesmo, dando seu melhor para completar os 21 dias. E se sentir confortável, queremos saber sua experiencia! Compartilhe conosco nos comentários abaixo ou nas redes sociais da Mutação Sustentável.

COMO CRIAR UM HÁBITO

Um beijo e boa jornada Mutantes Sustentáveis!

Páscoa e Sustentabilidade: The Walking Dead consumers.

Mais uma vez chegando a época mais doce do ano, a Páscoa, que há muito tempo deixou de ter um significado espiritual para ter mais um sentido comercial, rendido aos anseios capitalistas pelo lucro e poder, o qual instalou-se a cultura do TER é importante.

Mas até quando seremos cúmplices em aceitar esses “padrões impostos” e dar outro significado para a data em que celebra a ressurreição de Jesus Cristo?

Para a mutação sustentável, seguir os padrões de consumo de ovos de chocolate não faz mais sentido se queremos construir uma sociedade política, consciente e sustentável! Não precisamos repetir os mesmos comportamentos e hábitos só porque sempre foi assim ou porque todo mundo faz. Isso significa que mais uma vez estamos dando mais valor em TER do que SER. Não é preciso provar que fazemos parte de uma sociedade e cultura comprando ovos de chocolate, e consequentemente um monte de brindes e brinquedos de plástico. Tem até ovo vindo com aquele headphone estilo americano. A Páscoa passou de ovos de chocolate para brinquedos e surpresinhas, e agora, para presentes mais caros e tecnológicos! Capitalismo agindo e nós, cegos para enxergar tudo o que está por trás disso (as famosas externalidades que chamo). Continuamos gastando nosso dinheirinho suado com “Coisas” sem sentido, ficando estagnados no mesmo lugar, trabalhando muito para continuar na mesma classe social e manter a qualidade de vida atual, enquanto isso, os grandes crescem mais, desfrutam mais, e a desigualdade social só aumenta. Isso não é ódio mortal do sistema capitalista, porque eu Sou Capitalista e não sou mão de vaca (alguns pensam assim), mas o que eu não quero ser é cega e consumir coisas desnecessárias.

Quer motivos para concordar comigo que no fundo no fundo estávamos nos enganando ao aceitar esse padrão de Páscoa?

  1. Preço – O valor dos ovos de chocolate é superfaturado se comparar com os mesmos ingredientes e quantidades utilizadas para fazer barras de chocolate, ou seja, não é sustentável para seu bolso, porque não é economicamente viável.
  2. Saúde – A maior parte das marcas de chocolates é industrializada, contendo emulsificantes artificiais, além da grande quantidade de açúcar e outros carboidratos, que ao final da quebra da molécula também viram açúcar também. Vivemos uma crise na saúde proveniente de uma má alimentação com muitos produtos processados e com altos índices de açúcar. Que tal isso servir de incentivo para não comprar essa bomba calórica e se confortar com um pedaço de chocolate amargo? Seja sustentável nas suas escolhas alimentares em busca de uma vida saudável.
  3. Redução de matéria prima e geração de lixo. Já reparou quantas embalagens (em sua maioria de plástico) tem em um ovo de páscoa?
  • Lâminas metalizadas em cada bombom interno e na casca do ovo;
  • Suporte plástico tipo cabide para deixa-lo em pé;
  • Suporte plástico em formato de ovo para proteger o chocolate;
  • Folha plástica decorativa;
  • Fita decorativa;
  • Brinquedos de plástico.

Atualmente estamos em uma briga para proibir materiais descartáveis com intuito de reduzir a geração de lixo e economizar matéria prima, seria totalmente uma hipocrisia apoiar este tipo de produto, porque são embalagens de vida útil baixíssima. Até mesmo os brinquedos, quantas vezes seu filho (a) vai brincar com eles? Depois vão virar mais um acúmulo de coisas em casa ou serão descartados.

4. E a reciclagem dessas embalagens? Bom, resolveria se houvesse uma taxa alta de reciclagem, mas no caso da folha plástica decorativa, ela é considerada não-reciclável e acaba não sendo coletada pelos catadores ou separada em cooperativas municipais. E não é, por que? Porque este tipo de plástico, chamado de BOPP, ou bi-axially oriented polypropylene (BOPP), geralmente vem sem identificação da simbologia de reciclagem, gerando falta informação dos recicladores e produtores acerca das possibilidades de reaproveitamento, e ainda, falta-se tecnologia disponível e acessível para reciclar este tipo de material aqui no Brasil. A tecnologia de reciclagem desse tipo de plástico separa os componentes que constituem o material, produzindo alumínio secundário limpo e hidrocarbonetos, que podem ser utilizados na produção de combustível. O processo utilizado é o de pirólise induzida, que permite o tratamento dos materiais sem o uso de oxigênio, onde não há queima de material e a energia utilizada é de fonte renovável.

5. As vezes você se sente sugado e frustrado pelo sistema econômico? Pois é, a produção em massa de ovos de páscoa de chocolate para mim se compara com a produção de produtos chineses. Aí já vemos as pessoas ansiosas para saber qual vai comprar ou pedir, qual é mais gostoso, ou então, preocupadas, porque não terão dinheiro para agradar os filhos ou namoradas… E aí, quem está deixando as pessoas depressivas de uma forma lenta e silenciosa?

6. E por fim, o que leva o atual modelo econômico? À desigualdade social. Quem vai enriquecer mais? As empresas. Quem vai ter de passar no crédito ovos no valor  de R$60 a R$80,00? O namorado para agradar a namorada (porque senão der ovo de páscoa significa que não ama), ou os pais para agradar os filhos (porque senão vão sofrer bullynig na escola porque o ovo dele não foi caro e não tinha brinquedinhos).

Ganhou?

E ainda somaria mais motivos: exaustão de recursos como a água para fabricação de um não bem de consumo, de um alimento que não vai ajudar a combater a fome, mas sim, um produto para alimentar o ego e as lombrigas da barriga.

páscoa

Bom, se você concorda com ao menos 1 desses motivos apresentados, você não deve ser influenciado por marcas, mídias, estômago, desejo, hábito, ego…

Ahhhh, mas é bom para o Brasil, movimenta a economia. Movimenta, dá mais lucro para empresas, mas ainda é a minoria que consegue emprego fixo após o período temporário. Vamos ajudar as marcas e mercados ganharem mais, enquanto isso a gente gasta à toa, fica com o saldo calórico positivo e gera mais um impacto ambiental e social negativo. Dá uma falsa impressão de crescimento econômico, por que? Porque é por pouco tempo e favorece alguns setores, ou seja, não é sustentável. Sustentável é quando o processo e o sistema se fecha em círculo obtendo impactos positivos nas pessoas e meio ambiente como um todo.

“-Então você está querendo dizer que não se deve mais celebrar a Páscoa?”

Não. Só estou dizendo para não sermos consumidores-zumbis como no The Walking Dead.

E qual o significado de Páscoa para o Mutação Sustentável?

Isso, eu escrevo no próximo post da série Páscoa e Sustentabilidade.

 

 

Fonte: BOPP: ecycle; Imagem: Steve Cutts

Eu sou a Sustentabilidade!

Olá Mutantes Sustentáveis a bordo, expert no conceito Sustentabilidade! Depois de apresentar onde e quando tudo começou, os primeiros passos do Brasil, e o Agora (é pra já, demorou, vamos nessa, tô dentro), eu não me aguentei e precisei desabafar mais um pouco e me abrir sobre meu sentimento para a Sustentabilidade. Para quem está chegando agora, sugiro voltar nos links acima, conhecimento nunca é demais.

Sim, meu amigo leitor, eu estou completamente apaixonada por tudo isso, porque tem feito muito, mas muitoooo sentido para mim. Deve ser tipo o sentimento quando sua mãe ficou extasiada ao ouvir sua primeira palavra (sua consciência deve ter achado um máximo sua evolução com os gritos de felicidade da sua mãe), ou, quando você conseguiu pedalar sem rodinhas pela primeira vez (aquela sensação da melhor conquista de todas), ou até mesmo, tipo quando o Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.

Bom, vamos lá.

Conceitualmente, sustentabilidade é crescer, evoluir preservando os recursos do meio ambiente para garantir as necessidades das gerações atuais e futuras de uma forma ecologicamente correto, socialmente justa e economicamente viável.

Apesar do termo sustentabilidade considerar estes três pilares essenciais (meio ambiente, social econômico), alguns autores ainda incluem mais 2: territorial (relacionado a distribuição espacial dos recursos, populações e atividades), e política (porque a governança democrática é essencial para que as coisas aconteçam).

E o que desaba se algum desses pilares não estiver fortalecido e equilibrado? Tudo!

Algumas pessoas e corporações pensam que o maior impacto da Insustentabilidade é a falta da preservação do Meio Ambiente. “Ah, não vejo problema contaminar os mares, o problema não é meu, eu não poluo e não moro perto do mar, não como peixe e não gosto de praia”.

A questão é: Tudo é interligado. Tudo é integrado. O universo é interconectado. O meio ambiente é regenerativo quando todas as suas partes integrantes estão equilibradas. O desequilíbrio do mar, impacta no clima, o clima impacta no ciclo da água, que por sua vez, impacta na agricultura, que consequentemente, gera fome, que vira uma guerra por recursos, que termina em uma bomba nuclear e, fim da raça humana.

Exagerei? Pode ser que sim, hoje não vemos isso acontecer, mas, é possível, se o rumo das coisas não mudarem. Coisas não, rumo da Vida!

Mas como podem ver, a crise ambiental é precursora da crime econômica e política, que causa a crise social e cultural, que gera a crise de saúde e segurança e que, finaliza na crise  de valores e ética! Em qual crise nós estamos?

Para mim, estamos na crise de valores, onde a ganância e a competição nos fez tapar os olhos para todo o resto. Basta relembrar todos os acontecimentos recentes em 2019. Crime ambiental, negligencia, feminicídio, corrupção, morte da mesma espécie e de outras espécies, desemprego, fome, guerra, imigração, poluição, desigualdade, agrotóxicos, Maduro, Tramp, Kim Jong-un… e a lista é grande. Inversão de valores!

E como isso tem passado despercebido para muitos, porque a competição é grande e quase nunca temos tempo, o aviso prévio vem como depressão, câncer e outros problemas de saúde…

E ainda você acha que você não estará aqui para viver a maior crise de todas?

Não dá mais para tratar independentemente a crise econômica da crise política. Não dá para olhar a crise de segurança e não olhar a crise educacional; não dá para ignorar a crise social, ética e cultural, sem olhar para a crise ambiental e territorial.

Não dá para entrar no nosso equilíbrio de saúde física, sem nosso equilíbrio de saúde mental. Não dá para ter saúde mental sem se encontrar espiritualmente. Você não se encontra espiritualmente se não olhar para dentro de si mesmo e da onde veio. Não dá para amar o próximo, se aceitar a destruição de tudo que te dá o sustento. Nós viemos do mesmo meio ambiente, nós somos o Meio Ambiente.

Essa é minha definição para Sustentabilidade, eu sou a sustentabilidade, ela depende de mim.

Você, que está lendo e anseia por um mundo melhor onde não exista todos esses problemas citados?

A mudança começa primeiramente dentro de cada um de nós. Para um resultado global, a ação tem que ser individual.

Já que o ser humano é considerado egoísta, que sejamos egoístas na conscientização.

Está na hora do despertar, da expansão da consciência. Está na hora de um novo estilo de vida, da Mutação Sustentável.

Frases de reflexão para finalizar o post e encerrar meus conceitos de Sustentabilidade:

Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da Criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.      Albert Schweitzer

A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância.  Mahatma Gandhi

 

 

O que é Sustentabilidade? Parte 3: Hoje!

Bom, falamos um pouco  de como surgiu o termo Sustentabilidade, como consequência o termo Desenvolvimento Sustentável, e também, sobre os eventos que nortearam como os setores públicos e privados teriam que agir diante do assunto, antes visto como um impedimento para o crescimento, hoje, mais do que nunca, uma crise mundial. Agora vou dar minha contribuição (meu conceito pessoal) para a Sustentabilidade.

Na Parte 1 (século XX), quando a ONU fez sua primeira Conferência sobre o Meio Ambiente, em 1972, foi quando estalou um problema, a poluição. Houve a preocupação com o meio ambiente e com a saúde da sociedade, mas não tinham noção ainda de como quantificar tudo isso, nem noção da aceleração progressiva e onde terminaria os efeitos dela. Mesmo assim, ações foram tomadas, principalmente no âmbito regulatório, como por exemplo: o estado de São Paulo regulamentou a Lei 997 de 1976 que dispõe sobre A Prevenção e o Controle da Poluição do Meio Ambiente através do Decreto 8468 de 8 de setembro de 1976, e a primeira Resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 01  que dispõe sobre a Avaliação do Impacto Ambiental foi em 1986. No entanto, o desejo (entendida como necessidade) pelo crescimento econômico era maior, ainda existia aquela sensação da Revolução Industrial, “onde há poluição, há progresso”, mas sem perceber os efeitos colaterais do modelo industrial, marcado pela desigualdade social, o que tornava a questão mais complexa.

Na parte 2 (século XXI), após a Rio-92 o assunto teve muito mais repercussão, pois instalou-se outro medo: a falta de recurso para continuar o crescimento econômico. Como resposta surgiram as Agendas com metas e objetivos, que passaram a incluir também os problemas sociais como pobreza e desigualdade como efeitos da crise ambiental, antes relacionada somente com a saúde. A partir da Rio-92, Rio+10 e Rio + 20 aconteceram mais aplicações da legislação existente, fiscalização e cumprimento das exigências para conter a poluição. Houve o movimento por parte das empresas de investir obrigatoriamente (ou melhor, pagar pelo seu uso) em tratamento de efluentes e resíduos por exemplo (de forma tardia, após já terem poluído muito). E, houve algum movimento para preservação dos recursos finitos, visando o desenvolvimento sustentável, que foi quando a reciclagem começou a ganhar um pouco mais de espaço, bem como os recursos renováveis.

Mas mesmo com todas essas ferramentas, metas e objetivos, muita coisa ficou só no mundo das ideias e pouca coisa saiu do papel. A desigualdade social só aumentou. Eu diria que, isso foi devido a um pequeno erro na interpretação do termo Desenvolvimento Sustentável: desenvolvimento ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazer suas próprias necessidades. A força e a fraqueza dessa definição encontra-se vago, pois deixaram em aberto quais seriam as necessidades humanas atuais e futuras. Embora, desde a publicação da Carta da Terra, já terem relacionado a crise ambiental aos padrões dominantes de produção e consumo, o sistema (organizações públicas e privadas) teve medo dessa divulgação afetar o crescimento econômico, pois era o modelo vigente e conhecido (maior do que o próprio planeta pode fornecer). Divulgar esse problema em massa e investir na educação ambiental da sociedade, com certeza afetaria o crescimento econômico e o sistema navegaria em águas desconhecidas, não sabendo como salvar O capital, porque o sistema econômico visa sempre ganhar mais, gerar mais lucro e riqueza, e não apenas o necessário para sua sobrevivência.

Mas, chegamos na Parte 3: Hoje! Agora estamos mais do que endividados com o meio ambiente. O que antes era um medo de afetar a economia, agora estamos prestes a passar pela pior crise econômica de todas, a crise ambiental que integra todas as outras crises.

Até alguns anos atrás, a atenção para o desenvolvimento sustentável estava para a dimensão ambiental (foco em proteção aos recursos e preservação para sua autorregeneração) e para a economia (foco em consumo de recursos renováveis e melhor distribuição dos mesmos). Agora mais do que nunca precisa atingir a dimensão SOCIAL.

A ficha caiu. A sociedade precisa fazer parte do desenvolvimento sustentável, afinal, compõem 7 bilhões de pessoas. O objetivo mais do que nunca é que todos os cidadãos tenham o mínimo necessário para uma vida digna e que ninguém absorva bens, recursos naturais e energéticos que sejam prejudiciais a outros. Isso significa erradicar a pobreza e definir o padrão de desigualdade aceitável, delimitando os níveis mínimos e máximos de acesso a bens materiais. Para isso, a sociedade precisa receber mais informação e educação, consumir conscientemente, e além de tudo, ser também mais política.

A política é necessária no processo de mudanças. Mudanças passam por instancias econômicas e espaços políticos. As empresas não se voltarão de forma decisiva para uma produção economizadora de recursos naturais, menos produtiva de gás carbono e protetora do meio ambiente. A distribuição de riquezas e a igualdade de oportunidades não serão construídas sem embates políticos e pressões sobre os governantes e o mercado. Agora a voz da sociedade tem força. Mais do que nunca, o poder de imposição precisa partir da sociedade e a tendência do mercado também.

Mas não será possível haver mudança no padrão de consumo e no estilo de vida se não ocorrer uma TRANSFORMAÇÃO de valores e comportamentos, se não substituir o valor TER MAIS para o valor TER MELHOR, se a noção de felicidade não se deslocar de CONSUMIR  para USUFRUIR, se não alterar a moda INSTANTÂNEA para o produto DURÁVEL, se não tivermos pressões para a adoção e valorização. Acima de qualquer nova tecnologia, é necessário uma nova forma de viver.

Por isso, estou aqui, te convidando para a MUTAÇÃO SUSTENTÁVEL. 

Isso não quer dizer que haverá um decréscimo na economia (vamos falar mais sobre economia nos próximos post), e nem teremos que parar de consumir (também vamos aprender juntos sobre consumo consciente), afinal o capitalismo é inerente as condições populacionais e territoriais de hoje. Só temos de aprender um estilo de vida sustentável, que acima tudo, faça sentido para nossa própria consciência.