Páscoa e Sustentabilidade: The Walking Dead consumers.

Mais uma vez chegando a época mais doce do ano, a Páscoa, que há muito tempo deixou de ter um significado espiritual para ter mais um sentido comercial, rendido aos anseios capitalistas pelo lucro e poder, o qual instalou-se a cultura do TER é importante.

Mas até quando seremos cúmplices em aceitar esses “padrões impostos” e dar outro significado para a data em que celebra a ressurreição de Jesus Cristo?

Para a mutação sustentável, seguir os padrões de consumo de ovos de chocolate não faz mais sentido se queremos construir uma sociedade política, consciente e sustentável! Não precisamos repetir os mesmos comportamentos e hábitos só porque sempre foi assim ou porque todo mundo faz. Isso significa que mais uma vez estamos dando mais valor em TER do que SER. Não é preciso provar que fazemos parte de uma sociedade e cultura comprando ovos de chocolate, e consequentemente um monte de brindes e brinquedos de plástico. Tem até ovo vindo com aquele headphone estilo americano. A Páscoa passou de ovos de chocolate para brinquedos e surpresinhas, e agora, para presentes mais caros e tecnológicos! Capitalismo agindo e nós, cegos para enxergar tudo o que está por trás disso (as famosas externalidades que chamo). Continuamos gastando nosso dinheirinho suado com “Coisas” sem sentido, ficando estagnados no mesmo lugar, trabalhando muito para continuar na mesma classe social e manter a qualidade de vida atual, enquanto isso, os grandes crescem mais, desfrutam mais, e a desigualdade social só aumenta. Isso não é ódio mortal do sistema capitalista, porque eu Sou Capitalista e não sou mão de vaca (alguns pensam assim), mas o que eu não quero ser é cega e consumir coisas desnecessárias.

Quer motivos para concordar comigo que no fundo no fundo estávamos nos enganando ao aceitar esse padrão de Páscoa?

  1. Preço – O valor dos ovos de chocolate é superfaturado se comparar com os mesmos ingredientes e quantidades utilizadas para fazer barras de chocolate, ou seja, não é sustentável para seu bolso, porque não é economicamente viável.
  2. Saúde – A maior parte das marcas de chocolates é industrializada, contendo emulsificantes artificiais, além da grande quantidade de açúcar e outros carboidratos, que ao final da quebra da molécula também viram açúcar também. Vivemos uma crise na saúde proveniente de uma má alimentação com muitos produtos processados e com altos índices de açúcar. Que tal isso servir de incentivo para não comprar essa bomba calórica e se confortar com um pedaço de chocolate amargo? Seja sustentável nas suas escolhas alimentares em busca de uma vida saudável.
  3. Redução de matéria prima e geração de lixo. Já reparou quantas embalagens (em sua maioria de plástico) tem em um ovo de páscoa?
  • Lâminas metalizadas em cada bombom interno e na casca do ovo;
  • Suporte plástico tipo cabide para deixa-lo em pé;
  • Suporte plástico em formato de ovo para proteger o chocolate;
  • Folha plástica decorativa;
  • Fita decorativa;
  • Brinquedos de plástico.

Atualmente estamos em uma briga para proibir materiais descartáveis com intuito de reduzir a geração de lixo e economizar matéria prima, seria totalmente uma hipocrisia apoiar este tipo de produto, porque são embalagens de vida útil baixíssima. Até mesmo os brinquedos, quantas vezes seu filho (a) vai brincar com eles? Depois vão virar mais um acúmulo de coisas em casa ou serão descartados.

4. E a reciclagem dessas embalagens? Bom, resolveria se houvesse uma taxa alta de reciclagem, mas no caso da folha plástica decorativa, ela é considerada não-reciclável e acaba não sendo coletada pelos catadores ou separada em cooperativas municipais. E não é, por que? Porque este tipo de plástico, chamado de BOPP, ou bi-axially oriented polypropylene (BOPP), geralmente vem sem identificação da simbologia de reciclagem, gerando falta informação dos recicladores e produtores acerca das possibilidades de reaproveitamento, e ainda, falta-se tecnologia disponível e acessível para reciclar este tipo de material aqui no Brasil. A tecnologia de reciclagem desse tipo de plástico separa os componentes que constituem o material, produzindo alumínio secundário limpo e hidrocarbonetos, que podem ser utilizados na produção de combustível. O processo utilizado é o de pirólise induzida, que permite o tratamento dos materiais sem o uso de oxigênio, onde não há queima de material e a energia utilizada é de fonte renovável.

5. As vezes você se sente sugado e frustrado pelo sistema econômico? Pois é, a produção em massa de ovos de páscoa de chocolate para mim se compara com a produção de produtos chineses. Aí já vemos as pessoas ansiosas para saber qual vai comprar ou pedir, qual é mais gostoso, ou então, preocupadas, porque não terão dinheiro para agradar os filhos ou namoradas… E aí, quem está deixando as pessoas depressivas de uma forma lenta e silenciosa?

6. E por fim, o que leva o atual modelo econômico? À desigualdade social. Quem vai enriquecer mais? As empresas. Quem vai ter de passar no crédito ovos no valor  de R$60 a R$80,00? O namorado para agradar a namorada (porque senão der ovo de páscoa significa que não ama), ou os pais para agradar os filhos (porque senão vão sofrer bullynig na escola porque o ovo dele não foi caro e não tinha brinquedinhos).

Ganhou?

E ainda somaria mais motivos: exaustão de recursos como a água para fabricação de um não bem de consumo, de um alimento que não vai ajudar a combater a fome, mas sim, um produto para alimentar o ego e as lombrigas da barriga.

páscoa

Bom, se você concorda com ao menos 1 desses motivos apresentados, você não deve ser influenciado por marcas, mídias, estômago, desejo, hábito, ego…

Ahhhh, mas é bom para o Brasil, movimenta a economia. Movimenta, dá mais lucro para empresas, mas ainda é a minoria que consegue emprego fixo após o período temporário. Vamos ajudar as marcas e mercados ganharem mais, enquanto isso a gente gasta à toa, fica com o saldo calórico positivo e gera mais um impacto ambiental e social negativo. Dá uma falsa impressão de crescimento econômico, por que? Porque é por pouco tempo e favorece alguns setores, ou seja, não é sustentável. Sustentável é quando o processo e o sistema se fecha em círculo obtendo impactos positivos nas pessoas e meio ambiente como um todo.

“-Então você está querendo dizer que não se deve mais celebrar a Páscoa?”

Não. Só estou dizendo para não sermos consumidores-zumbis como no The Walking Dead.

E qual o significado de Páscoa para o Mutação Sustentável?

Isso, eu escrevo no próximo post da série Páscoa e Sustentabilidade.

 

 

Fonte: BOPP: ecycle; Imagem: Steve Cutts

Eu sou a Sustentabilidade!

Olá Mutantes Sustentáveis a bordo, expert no conceito Sustentabilidade! Depois de apresentar onde e quando tudo começou, os primeiros passos do Brasil, e o Agora (é pra já, demorou, vamos nessa, tô dentro), eu não me aguentei e precisei desabafar mais um pouco e me abrir sobre meu sentimento para a Sustentabilidade. Para quem está chegando agora, sugiro voltar nos links acima, conhecimento nunca é demais.

Sim, meu amigo leitor, eu estou completamente apaixonada por tudo isso, porque tem feito muito, mas muitoooo sentido para mim. Deve ser tipo o sentimento quando sua mãe ficou extasiada ao ouvir sua primeira palavra (sua consciência deve ter achado um máximo sua evolução com os gritos de felicidade da sua mãe), ou, quando você conseguiu pedalar sem rodinhas pela primeira vez (aquela sensação da melhor conquista de todas), ou até mesmo, tipo quando o Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.

Bom, vamos lá.

Conceitualmente, sustentabilidade é crescer, evoluir preservando os recursos do meio ambiente para garantir as necessidades das gerações atuais e futuras de uma forma ecologicamente correto, socialmente justa e economicamente viável.

Apesar do termo sustentabilidade considerar estes três pilares essenciais (meio ambiente, social econômico), alguns autores ainda incluem mais 2: territorial (relacionado a distribuição espacial dos recursos, populações e atividades), e política (porque a governança democrática é essencial para que as coisas aconteçam).

E o que desaba se algum desses pilares não estiver fortalecido e equilibrado? Tudo!

Algumas pessoas e corporações pensam que o maior impacto da Insustentabilidade é a falta da preservação do Meio Ambiente. “Ah, não vejo problema contaminar os mares, o problema não é meu, eu não poluo e não moro perto do mar, não como peixe e não gosto de praia”.

A questão é: Tudo é interligado. Tudo é integrado. O universo é interconectado. O meio ambiente é regenerativo quando todas as suas partes integrantes estão equilibradas. O desequilíbrio do mar, impacta no clima, o clima impacta no ciclo da água, que por sua vez, impacta na agricultura, que consequentemente, gera fome, que vira uma guerra por recursos, que termina em uma bomba nuclear e, fim da raça humana.

Exagerei? Pode ser que sim, hoje não vemos isso acontecer, mas, é possível, se o rumo das coisas não mudarem. Coisas não, rumo da Vida!

Mas como podem ver, a crise ambiental é precursora da crime econômica e política, que causa a crise social e cultural, que gera a crise de saúde e segurança e que, finaliza na crise  de valores e ética! Em qual crise nós estamos?

Para mim, estamos na crise de valores, onde a ganância e a competição nos fez tapar os olhos para todo o resto. Basta relembrar todos os acontecimentos recentes em 2019. Crime ambiental, negligencia, feminicídio, corrupção, morte da mesma espécie e de outras espécies, desemprego, fome, guerra, imigração, poluição, desigualdade, agrotóxicos, Maduro, Tramp, Kim Jong-un… e a lista é grande. Inversão de valores!

E como isso tem passado despercebido para muitos, porque a competição é grande e quase nunca temos tempo, o aviso prévio vem como depressão, câncer e outros problemas de saúde…

E ainda você acha que você não estará aqui para viver a maior crise de todas?

Não dá mais para tratar independentemente a crise econômica da crise política. Não dá para olhar a crise de segurança e não olhar a crise educacional; não dá para ignorar a crise social, ética e cultural, sem olhar para a crise ambiental e territorial.

Não dá para entrar no nosso equilíbrio de saúde física, sem nosso equilíbrio de saúde mental. Não dá para ter saúde mental sem se encontrar espiritualmente. Você não se encontra espiritualmente se não olhar para dentro de si mesmo e da onde veio. Não dá para amar o próximo, se aceitar a destruição de tudo que te dá o sustento. Nós viemos do mesmo meio ambiente, nós somos o Meio Ambiente.

Essa é minha definição para Sustentabilidade, eu sou a sustentabilidade, ela depende de mim.

Você, que está lendo e anseia por um mundo melhor onde não exista todos esses problemas citados?

A mudança começa primeiramente dentro de cada um de nós. Para um resultado global, a ação tem que ser individual.

Já que o ser humano é considerado egoísta, que sejamos egoístas na conscientização.

Está na hora do despertar, da expansão da consciência. Está na hora de um novo estilo de vida, da Mutação Sustentável.

Frases de reflexão para finalizar o post e encerrar meus conceitos de Sustentabilidade:

Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da Criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.      Albert Schweitzer

A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância.  Mahatma Gandhi

 

 

O que é Sustentabilidade? Parte 3: Hoje!

Bom, falamos um pouco  de como surgiu o termo Sustentabilidade, como consequência o termo Desenvolvimento Sustentável, e também, sobre os eventos que nortearam como os setores públicos e privados teriam que agir diante do assunto, antes visto como um impedimento para o crescimento, hoje, mais do que nunca, uma crise mundial. Agora vou dar minha contribuição (meu conceito pessoal) para a Sustentabilidade.

Na Parte 1 (século XX), quando a ONU fez sua primeira Conferência sobre o Meio Ambiente, em 1972, foi quando estalou um problema, a poluição. Houve a preocupação com o meio ambiente e com a saúde da sociedade, mas não tinham noção ainda de como quantificar tudo isso, nem noção da aceleração progressiva e onde terminaria os efeitos dela. Mesmo assim, ações foram tomadas, principalmente no âmbito regulatório, como por exemplo: o estado de São Paulo regulamentou a Lei 997 de 1976 que dispõe sobre A Prevenção e o Controle da Poluição do Meio Ambiente através do Decreto 8468 de 8 de setembro de 1976, e a primeira Resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 01  que dispõe sobre a Avaliação do Impacto Ambiental foi em 1986. No entanto, o desejo (entendida como necessidade) pelo crescimento econômico era maior, ainda existia aquela sensação da Revolução Industrial, “onde há poluição, há progresso”, mas sem perceber os efeitos colaterais do modelo industrial, marcado pela desigualdade social, o que tornava a questão mais complexa.

Na parte 2 (século XXI), após a Rio-92 o assunto teve muito mais repercussão, pois instalou-se outro medo: a falta de recurso para continuar o crescimento econômico. Como resposta surgiram as Agendas com metas e objetivos, que passaram a incluir também os problemas sociais como pobreza e desigualdade como efeitos da crise ambiental, antes relacionada somente com a saúde. A partir da Rio-92, Rio+10 e Rio + 20 aconteceram mais aplicações da legislação existente, fiscalização e cumprimento das exigências para conter a poluição. Houve o movimento por parte das empresas de investir obrigatoriamente (ou melhor, pagar pelo seu uso) em tratamento de efluentes e resíduos por exemplo (de forma tardia, após já terem poluído muito). E, houve algum movimento para preservação dos recursos finitos, visando o desenvolvimento sustentável, que foi quando a reciclagem começou a ganhar um pouco mais de espaço, bem como os recursos renováveis.

Mas mesmo com todas essas ferramentas, metas e objetivos, muita coisa ficou só no mundo das ideias e pouca coisa saiu do papel. A desigualdade social só aumentou. Eu diria que, isso foi devido a um pequeno erro na interpretação do termo Desenvolvimento Sustentável: desenvolvimento ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazer suas próprias necessidades. A força e a fraqueza dessa definição encontra-se vago, pois deixaram em aberto quais seriam as necessidades humanas atuais e futuras. Embora, desde a publicação da Carta da Terra, já terem relacionado a crise ambiental aos padrões dominantes de produção e consumo, o sistema (organizações públicas e privadas) teve medo dessa divulgação afetar o crescimento econômico, pois era o modelo vigente e conhecido (maior do que o próprio planeta pode fornecer). Divulgar esse problema em massa e investir na educação ambiental da sociedade, com certeza afetaria o crescimento econômico e o sistema navegaria em águas desconhecidas, não sabendo como salvar O capital, porque o sistema econômico visa sempre ganhar mais, gerar mais lucro e riqueza, e não apenas o necessário para sua sobrevivência.

Mas, chegamos na Parte 3: Hoje! Agora estamos mais do que endividados com o meio ambiente. O que antes era um medo de afetar a economia, agora estamos prestes a passar pela pior crise econômica de todas, a crise ambiental que integra todas as outras crises.

Até alguns anos atrás, a atenção para o desenvolvimento sustentável estava para a dimensão ambiental (foco em proteção aos recursos e preservação para sua autorregeneração) e para a economia (foco em consumo de recursos renováveis e melhor distribuição dos mesmos). Agora mais do que nunca precisa atingir a dimensão SOCIAL.

A ficha caiu. A sociedade precisa fazer parte do desenvolvimento sustentável, afinal, compõem 7 bilhões de pessoas. O objetivo mais do que nunca é que todos os cidadãos tenham o mínimo necessário para uma vida digna e que ninguém absorva bens, recursos naturais e energéticos que sejam prejudiciais a outros. Isso significa erradicar a pobreza e definir o padrão de desigualdade aceitável, delimitando os níveis mínimos e máximos de acesso a bens materiais. Para isso, a sociedade precisa receber mais informação e educação, consumir conscientemente, e além de tudo, ser também mais política.

A política é necessária no processo de mudanças. Mudanças passam por instancias econômicas e espaços políticos. As empresas não se voltarão de forma decisiva para uma produção economizadora de recursos naturais, menos produtiva de gás carbono e protetora do meio ambiente. A distribuição de riquezas e a igualdade de oportunidades não serão construídas sem embates políticos e pressões sobre os governantes e o mercado. Agora a voz da sociedade tem força. Mais do que nunca, o poder de imposição precisa partir da sociedade e a tendência do mercado também.

Mas não será possível haver mudança no padrão de consumo e no estilo de vida se não ocorrer uma TRANSFORMAÇÃO de valores e comportamentos, se não substituir o valor TER MAIS para o valor TER MELHOR, se a noção de felicidade não se deslocar de CONSUMIR  para USUFRUIR, se não alterar a moda INSTANTÂNEA para o produto DURÁVEL, se não tivermos pressões para a adoção e valorização. Acima de qualquer nova tecnologia, é necessário uma nova forma de viver.

Por isso, estou aqui, te convidando para a MUTAÇÃO SUSTENTÁVEL. 

Isso não quer dizer que haverá um decréscimo na economia (vamos falar mais sobre economia nos próximos post), e nem teremos que parar de consumir (também vamos aprender juntos sobre consumo consciente), afinal o capitalismo é inerente as condições populacionais e territoriais de hoje. Só temos de aprender um estilo de vida sustentável, que acima tudo, faça sentido para nossa própria consciência.

 

 

 

 

 

 

 

O que é Sustentabilidade? Parte 2: século XXI.

E aí futuros mutantes sustentáveis, vamos dar continuidade sobre como surgiu o termo sustentabilidade? No post anterior, falamos até a Conferência sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento que aconteceu no Rio de Janeiro em 1992 e a publicação da Carta da Terra, que particularmente acho ela sensacional e comovente pois, na época, já deixara bem claro a crise socioambiental que surgira e os direcionamentos necessários para superá-la. No entanto, parece que ocorreu uma inobservância ou até mesmo um descaso, com o seu prognóstico, mas, isto ainda não é assunto para este post.

Após o Brasil assumir seu compromisso com a Agenda 21, em 2002 foi publicado a conclusão da primeira fase da Agenda. Segundo o documento “Resultado da Consulta Nacional 2ª Edição”, a metodologia de elaboração da Agenda privilegiou uma abordagem multissetorial da realidade brasileira, procurando focalizar a interdependência das dimensões ambiental, econômica, social e institucional. A escolha dos temas centrais foi feita de forma a compreender a complexidade do país e suas regiões dentro do conceito da sustentabilidade ampliada. Os temas escolhidos foram: gestão dos recursos naturais, agricultura sustentável, cidades sustentáveis, infra-estrutura e integração regional, redução das desigualdades sociais e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. 

A segunda fase da Agenda 21 foi a definição das ações prioritárias, as quais foram reforçadas em 2002, na Cúpula da Terra sobre Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo, que sugeriu a maior integração entre as dimensões econômica, social e ambiental por meio de programas e políticas centrados nas questões sociais e, em especial, nos sistemas de proteção social. Foram 21 ações prioritárias dentro dos temas: 1) A economia da poupança na sociedade do conhecimento; 2) Inclusão social para uma sociedade solidária; 3) Estratégia para a sustentabilidade urbana e rural; 4) Recursos naturais estratégicos: água, biodiversidade e florestas; 5) Governança e ética para a promoção da sustentabilidade.

Após 20 anos do Rio-92, foi realizado em junho de 2012 a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, também na cidade do Rio de Janeiro, com intenção de definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. O objetivo da Conferência foi a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes. Os temas principais da Conferência foram:

  • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e
  • A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

A economia verde, na época, chegou a ser muito criticada, mas hoje já é vista como a melhor alternativa junto com economia circular, como modelo para economia de nova era, mas falaremos mais sobre isso futuramente.

Para finalizar, o último evento que aconteceu voltado para o Desenvolvimento Sustentável (isso não inclui as COP – Conferência das Partes, que tratam assuntos em paralelo, como por exemplo tivemos mais recentemente a COP 24, em novembro de 2018 que tratou somente sobre as Mudanças Climáticas), foi em setembro de 2015 quando representantes dos 193 Estados-membros da ONU se reuniram em Nova York e reconheceram que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável, e adotaram o documento “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal. O plano indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 169 metas, para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta. São objetivos e metas claras, para que todos os países adotem de acordo com suas próprias prioridades e atuem no espírito de uma parceria global que orienta as escolhas necessárias para melhorar a vida das pessoas, agora e no futuro.

ODS

É, tudo isso é muito lindo no papel. Os documentos são enormes, as propostas lindas, na teoria, mas e na prática? Bom, mas isso não é a discussão para o post de hoje, teremos tempo para aprender mais sobre cada um desses temas e ações.

Fonte:

http://www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/acoesprio.pdf

https://nacoesunidas.org/pos2015/#

http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20/cop.html

 

 

O que é SUSTENTABILIDADE? Parte 1: século XX

Vamos iniciar nossa jornada com alguns conceitos e um pouco de história?

Sustentabilidade é uma característica ou condição de um processo ou de um sistema que permite a sua permanência, em certo nível, por um determinado prazo. Vem do termo sustentável, que significa sustentar, apoiar, conservar ou cuidar.

O conceito de sustentabilidade vigente teve origem em Estocolmo, Suécia, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que aconteceu em junho de 1972, a qual foi a primeira conferência sobre meio ambiente realizada pela ONU e que chamou atenção internacional principalmente para as questões relacionadas à degradação ambiental e à poluição.

No início da Idade Contemporânea, os avanços tecnológicos proporcionaram durante a Revolução Industrial (por volta de 1960), a exploração de recursos naturais em escala nunca vista antes, quando foi inventado o motor alimentado por combustíveis e o domínio da eletricidade. Essa inovação gerou a necessidade de extração de recursos como petróleo de maneira sistemática e em grande quantidade. Esse avanço tecnológico foi responsável por melhorias e crescimento econômico, mas também grandes problemas decorreram da falta de noção da responsabilidade acerca da necessidade de um crescimento ecologicamente viável e socialmente igualitário.

Mais tarde, em 1992, na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92 ou Rio-92), que aconteceu no Rio de Janeiro, foi consolidado o conceito de desenvolvimento sustentável: conjunto de ideias, estratégias e demais atitudes consideradas ecologicamente corretas, economicamente viáveis e socialmente justas que tem o objetivo de preservar os recursos naturais para as gerações atuais e futuras.

Durante a Eco-92 foi elaborado a Agenda 21, um documento de 40 capítulos que estabeleceu a importância do comprometimento de todos os países com a solução dos problemas socioambientais, na tentativa de promover em escala planetária esse novo padrão de desenvolvimento. Durante a Eco-92 também teve a proposta de se fazer a Carta da Terra (veja na íntegra), a qual só foi finalizada em 2000.

carta da terra

A construção da Agenda 21  Brasileira iniciou em 1996 coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional, mas como foi concluído só em 2002 (século XXI), falaremos mais no próximo post.

Fonte:

https://www.ecycle.com.br/3093-sustentabilidade-o-que-e-conceito-de

http://mma.gov.br/