Nossas rupturas: pessoal, social e ecológica.

Hoje vivemos em um mundo rápido, interligado, eficiente, conectado e desconectado. Nós nos desenvolvemos muito na direção tecnológica, nas relações com as máquinas e relacionamentos virtuais sem conexão real. Aos poucos fomos nos distanciando de nós mesmos, do outro e da natureza. E essa será a nossa reflexão aqui.

A primeira ruptura é aquela ruptura com nós mesmos. Passamos a olhar tanto para fora a ponto de não nos conhecermos mais. Fica difícil reconhecer nossos sentimentos,  expressá-los e lidar com eles. E assim fica quase impossível. 

Se nessa equação adicionarmos o senso de comparação que as redes sociais nos proporcionam, aí é que escondemos nossos sentimentos desafiadores debaixo do tapete. 

Afinal de contas não temos tempo pra isso, já que temos que focar nos filtros que usaremos nas fotos que vamos postar hoje às 19h horário em que as pessoas estão saindo do trabalho e acessam as redes sociais para que nosso post fique em evidência.

É claro que de início não nos damos conta de que isso nos faz mal. E quando vemos já estamos sobrecarregados com tantas cobranças internas e externas. 

Porém, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulga que o suicídio mata mais do que as guerras e a violência, ficamos chocados. Mas, vamos voltar um pouco. Há 10 anos, quantas pessoas você ouvia falar que tinham se suicidado? E hoje, quantos casos você já ouviu?

Não fazemos isso de propósito, mas coletivamente estamos fazendo. Por isso que, apesar de exigir muito esforço, energia e dedicação precisamos ficar em silêncio, conversar com nós mesmos, acolher os sentimentos desafiadores, lidar com eles e nos respeitarmos. Precisamos nos reconectar com o nosso EU

Quer uma dica? Busque autoconhecimento, práticas, livros, terapia, natureza ou qualquer outra coisa que te leve a esse resgate!

A segunda ruptura é a ruptura social, a desconexão com o outro. 

Vamos pensar juntos: se estamos com dificuldade na relação eu-comigo, imagine na relação eu-com o outro

Enquanto sociedade perdemos a ligação com o outro, segundo o Banco Mundial conseguimos diminuir a extrema pobreza ao redor do globo, mas os ricos nunca estiveram tão ricos. Se hoje você tem um curso superior saiba que você pertence a 8% da população brasileira. 

Isso é assustador! Eis mais um dado do IBGE (2017): 10% da população do Brasil possui 43% da renda do país, enquanto os 10% mais pobres possuem 0,7% da renda total (ZERO PONTO SETE).

Da mesma forma como em nossa quebra do eu-comigo, nós não estamos contribuindo com isso propositalmente, mas ainda assim o fazemos. Não acordamos de manhã, olhamos no espelho e dizemos: hoje vou tornar mais rico ainda os 10% mais ricos e trabalharei para que 92% da população brasileira continue sem ensino superior. 

Mas ao não parar e analisar o impacto das nossas ações, o fazemos inconscientemente.

E aqui cabe entender que fazemos parte do sistema, ainda que ele tenha mais 7,7 bilhões de participantes. Posso não ter a intenção de prejudicar ninguém, mas ao não pensar e agir sistematicamente, acabo prejudicando.

E essa minha última fala me leva à nossa terceira ruptura, que é a quebra ecológica, a desconexão do eu-natureza. Tratamos a natureza como uma fonte inesgotável de recursos e disso com certeza você já ouviu falar. Mas quer ver como ainda estamos desconectados? 

Quando você está cansado, estressado, o final de semana está chegando e você vê uma oportunidade de sair da cidade, o que você falaria? Provavelmente que precisa ir para a praia e ficar em contato com a natureza (ou algo do tipo)! 

De fato, essa fala ainda retrata uma desconexão com a natureza. Ela nos diz que a natureza está lá, longe da gente, em um lugar específico praia, campo, montanha mas nós também somos natureza. Nós somos organismos vivos igual a uma árvore, precisamos de água e luz do sol tal qual uma árvore. 

A natureza não é um recurso, aqui também fazemos parte desse sistema.

E acontece que assim como nas outras duas rupturas, não estamos fazendo por mal. Pelo menos eu imagino que você não saia por aí cortando as árvores que encontra pelo caminho e nem deixa o seu carro ligado o dia inteiro para poluir nosso ar ainda mais. 

Mas ao se deixar levar pelo consumismo, ao incorporar a frase: “não consigo viver sem esse produto”, e ao consumir sem se preocupar com o destino final do copinho descartável e até mesmo ao acreditar que o copinho de plástico é realmente descartável, nós estamos contribuindo com essa ruptura. Hoje consumimos os recursos naturais de 1,7 planetas Terra por ano.

Para acabar com essa quebra, além de entender que também fazemos parte desse sistema vivo, precisamos repensar nossa maneira de consumir. Antes de comprar o próximo produto, pare e se pergunte: será que eu não consigo viver sem isso? Já não tenho o suficiente disso?

Sei que é muita coisa para pensar. Eu fiquei paralisada quando o Otto Scharmer apresentou essas 3 rupturas na Teoria U. Para mim fez muito sentido e por isso decidi compartilhar com você.

Levamos anos para chegar até esse nível de ruptura, então não vamos nos cobrar pela reconexão de uma vez só. 

Mas eu gostaria de saber se fizer sentido pra você qual será o seu primeiro passo?

 

Obrigada.

Patrícia Cassaca.

Não existe o padrão sustentável. Existe a evolução contínua em busca da sustentabilidade.

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Ao olhar para o mundo em busca de novos caminhos, nada mais natural do que cada indivíduo ter seus próprios objetivos e trilhar rumos que julgue corretos. Nem todos precisam seguir a mesma direção, mas existem consensos. Um deles é que o cenário ambiental que está precisando de atenção. Diante de uma crise climática pré-anunciada, da poluição, da crise por demanda energética e recursos como um todo, o período não poderia ser mais oportuno para tratar o tema.

Eu vejo muitas pessoas perdidas em relação a isso. Primeiro grupo são as pessoas que não se sentem parte do problema e nem da solução, os céticos, os despreocupados. Segundo grupo são as pessoas que se sentem inseridas no problema, mas não saem da zona do conforto para fazer parte da solução. E o terceiro grupo, são das pessoas que fazem parte do problema e da solução, por este motivo procuram melhorar suas escolhas, mudam o estilo de vida, e mesmo assim, se culpam porque os impactos não acabam nunca. São as pessoas do terceiro grupo que mais sofrem, internamente.

Eu falo por mim mesma. Quando caiu minha ficha sobre o que estávamos fazendo com o planeta, eu pirei. Quis mudar várias coisas rapidamente, e aquelas que não conseguia mudar por algum motivo de acesso ou recurso, me sentia super mal e na minha cabeça eu voltava a estaca zero. E isso, isso não ajuda. Pelo contrário, atrapalha, porque você cria algo que você NÃO SUSTENTA! E o que não podemos sustentar, logo, não é sustentável também para o planeta.

Conforme foi definido pela ONU, para obter a Sustentabilidade é necessário ter uma visão sistêmica para o Econômico, o Social e o Ecológico. Olhando para um indivíduo, dentro da própria casa não é diferente, e eu ainda considero um quarto elemento, se tornando o primeiro da base da Sustentabilidade, o EU. Mas não é o EU no sentido do ego, é o EU em relação a saúde física e mental e ao SER EU.

E quando olhamos com esta percepção, não há uma receita padronizada para se tornar sustentável. Se ninguém é igual a ninguém geneticamente, nas impressões digitais, na forma de pensar, de se vestir, na busca para a SUSTENTABILIDADE também não é diferente!

Ninguém vai ter a mesma adaptabilidade em dietas com restrição de proteína animal. Não é todo mundo que vai ter acesso a um transporte público de qualidade, não é todo mundo que vai ter tempo para lavar as fraldas de pano do bebe recém-nascido, e por aí vai.

Por isso, quando me perguntam como ser sustentável e o que fazer para mudar para reduzir seus impactos, a primeira coisa que digo é: como está sua relação com você mesmo? Como estão suas relações sociais? E financeiras? Porque se você não estiver cuidando da sua saúde física e mental, o que você fizer a mais para o meio ambiente não vai ser sustentável por muito tempo, porque uma hora esta negligência volta para você e isso pode se tornar em um consumo de remédios, por exemplo.

A mesma coisa se reflete em como você vê os problemas sociais como fome, preconceito, desemprego. Enquanto tivermos desigualdades extremas, teremos grande necessidade de uso dos recursos naturais, porque todos é digno de viver em abundância.

Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida em abundância”.  “Amai o próximo como a ti mesmo.”

Como podemos amar o próximo, outra espécie animal, ter respeito pelas diversidades e culturas, se eu não amo nem a mim mesmo?

Para isso, é fundamental que cada um seja induzido a refletir sobre o que é realmente importante em sua vida e, como decorrência, sobre ao que o seu padrão de consumo deve responder. Esta mudança é o centro do comportamento de consumo consciente.

A busca por um padrão de consumo que permita contribuir para a sustentabilidade da vida no planeta passa por uma reflexão sobre o que realmente importa, o que de fato traz felicidade, o que é essencial para a vida, colocando o consumo em seu devido e importante lugar de instrumento de bem estar, e dando lugar à busca pela felicidade nos Afetos, nas Amizades, nos Amores, na Arte – os 4 As de um modo de vida sustentável – como o centro de uma vida que tenha um sentido transcendente e voltada ao que realmente importa.

Instituto Akatu

Neste processo, é preciso aprender a ouvir de forma mais profunda e mais em contato com as próprias emoções, em busca de um caminho em que o consumo material deixa de ser o centro da vida e dá lugar a uma existência plena de sentido nos relacionamentos e na expressão das emoções e sentimentos, plena de autoconsciência e autoconhecimento, e integrada ao coletivo da humanidade pelo que há de mais humano.

Ao interromper nossas ações rotineiras e “desacelerar”, nos tornamos mais conscientes da motivação para nossas ações frente ao que realmente importa na vida.

E a partir daí, evoluir, como todo o nosso processo de ser humano, enquanto estivermos neste plano. É tomar a consciência, e a cada dia fazer algo a mais, mudar para melhor. É você buscar o seu melhor equilíbrio frente a entrega que consegue dar ao mundo. Ser sustentável é… Estar Sustentável… Ser você e buscar a melhoria contínua da sustentabilidade.

Por isso, a Mutação Sustentável tem como conceito a evolução sistêmica do indivíduo de uma forma dinâmica e equilibrada para a regeneração, assim como é na natureza. A mudança é premissa de evolução também na natureza, que opera em equilíbrio com sistemas limpos e regenerativos, respeitando o seu espaço e tempo.

Um beijo.

Sabrina

Qual nível de escuta você está praticando quando está em uma conversa?

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Você sabe qual é a diferença entre escutar e ouvir?
Escutar é ouvir com atenção! E você sabia que existem diferentes níveis de escuta?

Pois é, Otto Scharmer é um professor do MIT e ele é o criador da Teoria U, uma metodologia para soluções de problemas sistêmicos. A primeira lição que Otto nos dá é sobre escuta. Ele traz 4 níveis de escuta.

O primeiro nível, e o que passamos a maior parte do tempo (por razões biológicas – economia de energia! simples assim) é o Download – eu gosto de chamar de Nível de Confirmação. Esta é aquela escuta onde estamos só confirmando aquilo que já sabemos: está sol, vai chover, o dólar aumentou, tomar água faz bem à saúde, etc.

O segundo nível, o Factual, eu chamo de Nível de Atenção. É o nível que começamos a prestar atenção no que estamos ouvindo porque são informações novas que estamos recebendo. Por exemplo, se eu estivesse te falando este texto, você estaria nesse nível. É o nível onde nos abrimos pra novas informações, pra novos fatos.

O terceiro nível, o Empático, esse eu chamo assim mesmo. É um nível onde deixamos de lado nossos julgamentos, cinismo, medo e passamos a escutar puramente o que está sendo dito, neste nível somos capazes de ler as entrelinhas, percebemos o sentimento do locutor, ouvimos seus gestos, nos “empatizamos” com o locutor e a história. Aqui vale lembrar que a empatia é a capacidade de entender o sentimento do outro, não sendo necessário sentí-lo também. Basta compreender que aquela pessoa ficou triste naquela situação, sem julgá-la.

O quarto nível, é o nível Generativo, que gosto de chamar de Nível de Criatividade. Neste nível estamos com as vozes do julgamento, medo e cinismo suspensas e estamos tão atentos ao que está sendo dito, que cria-se um ambiente de geração de novas idéias. Sabe quando você está em uma reunião ou conversa e de repente surge uma ideia no grupo que ninguém sabe de onde surgiu? Então, é nesse nível de escuta que isso acontece.

Escutar é dar poder a outra pessoa, e quanto mais poder damos à pessoa a quem estamos escutando, mais profundo naquele assunto ela pode ir!

Agora que você já sabe disso, topa se observar e identificar qual nível de escuta você está praticando?

Lembre-se que é apenas uma observação e não um julgamento.

 

Um beijo

Patrícia Cassaca.

CRISES… de percepção

bg-tituloAs últimas décadas vêm registrando um estado de profunda crise mundial. É uma crise complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos da vida – a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. É uma crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e premência sem precedentes em toda a história da humanidade. Temos conseguido evitar uma guerra nuclear, mas não estamos conseguindo evitar a deterioração do meio ambiente natural que tem sido acompanhada de um correspondente aumento nos problemas de saúde.

Enquanto as doenças nutricionais e infecciosas são as maiores responsáveis pela morte nos países em desenvolvimento, os países de primeiro mundo são flagelados pelas doenças crônicas e degenerativas chamadas de doenças de civilização, sobretudo enfermidades cardíacas, câncer, depressão, esquizofrenia, entre outros. Existem numerosos sinais de desintegração social, incluindo recrudescimento de crimes violentos, acidentes e suicídios, aumento de alcoolismo e consumo de drogas, crianças com deficiência de aprendizagem e distúrbios de comportamento. A par dessas patologias sociais, temos presenciado anomalias econômicas que parecem confundir nossos principais econômicos e políticos. Inflação galopante, desemprego maciço e uma distribuição grosseiramente desigual de renda e da riqueza passaram a ser características estruturais da maioria das economias nacionais. A consternação e o desalento resultantes disso são agravados pela energia e os recursos naturais que estão sendo exauridos rapidamente, além das mudanças climáticas.

Todos estes problemas são sistêmicos, ou seja, estão intimamente interligados e são interdependentes. Além disso, eles tem mais uma coisa em comum, partem de uma única crise, uma crise de percepção. Precisamos de uma nova visão de realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores.

Evolução para a Regeneração

Mutação Sustentável é o processo de evolução sistêmica de um indivíduo ou organização, para a  regeneração da vida ou do negócio, de uma forma equilibrada e dinâmica, ressignificando a visão de mundo para uma consciência ecológica.

Para entender esta abordagem de Evolução para a Regeneração precisamos aprender um pouco sobre quem possui estas características para evoluir e regenerar, os organismos vivos. Para isso vamos relembrar conceitos, alguns tirados do livro O Ponto de Mutação.

Evolução é a mudança das características hereditárias de uma população de seres vivos de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem e se diversifiquem ao longo do tempo.

Na evolução subsequente da vida, duas etapas aceleraram grandemente o processo evolutivo e produziram uma abundância de novas formas. A primeira delas foi o desenvolvimento da reprodução sexual, a qual introduziu a variedade genética. A segunda foi a evolução da consciência, que tornou possível substituir os mecanismos genéticos da evolução por mecanismos sociais mais eficientes, baseados no pensamento conceitual e na linguagem simbólica. A evolução da consciência deu-nos não só a Teoria a Relatividade e novas tecnologias, como também deu-nos a bomba de Hiroshima e doenças desconhecidas. Mas essa evolução da consciência nos oferece liberdade de escolha. Podemos deliberadamente alterar nosso comportamento mudando nossas atitudes e nossos valores, a fim de readquirirmos a espiritualidade e a consciência ecológica que perdemos.

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Um organismo vivo é um sistema auto-organizador, o que significa que sua ordem em estrutura e função não é imposta pelo meio ambiente, mas estabelecida pelo próprio sistema. Os sistemas auto-organizadores exibem um certo grau de autonomia; por exemplo, eles tendem manter seu tamanho de acordo com princípios internos de organização, independentemente, de influencias ambientais. Isso não significa que os sistemas vivos sejam isolados do seu meio ambiente, pelo contrário, interagem continuamente com ele, mas essa interação não determina sua auto-organização. Os dois principais fenômenos dinâmicos da auto-organização são a autorrenovação – a capacidade dos sistemas vivos de renovar e reciclar continuamente seus componentes, sem deixar de manter sua integridade de sua estrutura global, e a autotranscedência – a capacidade de se dirigir criativamente para além de fronteiras físicas e mentais nos processos de aprendizagem, desenvolvimento e evolução.

A Autorrenovação é regulada de modo o padrão geral do organismo seja preservado, e essa notável capacidade de automanutenção persiste em uma grande variedade de circunstâncias, incluindo mudanças de condições ambientais e espécies de interferência.

O poder de regeneração das estruturas orgânicas diminui com a crescente complexidade do organismo. Estrela do mar e pólipos podem regenerar seu corpo quase que inteiramente, a partir de um pequeno fragmento; lagartos, lagostas e insetos são capazes de renovar um órgão ou membro, e animais superiores, incluindo os humanos podem renovar tecidos e assim se curar ferimentos.

Vivemos em flutuação, homeostase: estado de equilíbrio dinâmico, transacional, em que existe grande flexibilidade, em outras palavras, o sistema tem um grande número de opções para interagir com seu meio ambiente. Quando ocorre uma perturbação o organismo tende a regressar ao seu estado original, e o faz adaptando-se de várias maneiras as mudanças ambientais.

Nesta lógica, quando pensamos no sistema planeta Terra, esta capacidade de autorrenovação diminui ainda mais, diante da acelerada necessidade de adaptação em que é colocada devido às alterações ambientais drásticas. Ainda que sejam capazes de se manter e se regenerar, os organismos complexos não podem funcionar indefinidamente.

A concepção sistêmica vê o mundo em termos de relações e de integração. Os sistemas são totalidades integradas. Os exemplos de sistemas são abundantes na natureza. Todo e qualquer organismo – desde a menor bactérias até os seres humanos, passando pela imensa variedade de plantas a animais – é uma totalidade integrada e, portanto, um sistema vivo. Os mesmos aspectos de totalidade são exibidos para sistemas sociais como uma colmeia, e por ecossistemas que consistem em uma variedade de organismos e matéria inanimada em interação mútua. As propriedades sistêmicas são destruídas quando um sistema é dissecado em elementos isolados. Logo, se uma parte for afetada por algum impacto, a totalidade também é afetada.

Nosso sistema planeta Terra, organismos vivo, precisa se regenerar. Para isto, temos de fornecer condição para tal, construindo a capacidade para sua autoregeneração. Mas isso só será possível quando a nossa evolução voltar a ter uma consciência ecológica.

Páscoa e Sustentabilidade: Libertação e Reencontro.

No post anterior sobre a  Páscoa e Sustentabilidade eu manifestei, como um ato político, contra o uso da Páscoa para comercializar ovos de chocolate com preços abusivos, e que não faz sentido algum se, olharmos para as externalidades e impactos (positivo e negativo) envolvidos. Mas, e pelo lado espiritual, será que também há alguma outra mensagem subliminar por trás da Páscoa?

Eu não sou exemplo nenhum de uma pessoa religiosa, mas sei que a espiritualidade é essencial para entender seu propósito no universo e ter equilíbrio na vida. Sinto que estou em um processo de transformação e evolução neste aspecto essencial da vida de um ser vivo.

Se me perguntassem há um ano atrás o que a Páscoa significa, eu responderia que representa a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Hoje eu mudaria a pergunta. O que a Páscoa quer me ensinar? A Morte e a Ressurreição: encontro do corpo com a alma.

Deus, nosso criador, quis ensinar que as vezes precisamos morrer para nos reencontrar. Isso significa despertar nossas maiores virtudes sepultadas na nossa consciência e coração.  Deus sacrificou Jesus para nos libertar dos pecados, desde que, utilizássemos seus ensinamentos. Jesus não morreu para nos salvar. Jesus viveu para nos mostrar o caminho da salvação. E salvação também refere-se a reparação e restauração, libertação de um estado indesejável.

Salvação não é ganhar o reino dos céus e nem o encontro com o paraíso após a morte. Salvação é a libertação do nosso ego. É colocar em prática o verdadeiro amor de uns pelos outros. Porque não seremos salvos das complicações criadas por nós mesmos como brigas, violência, exploração, desequilíbrios, frustrações e outros problemas que fazem a nossa infelicidade.

Logo, o mutação sustentável, também representa nossa renovação espiritual. Porque uma vez que você se reencontra com sua consciência e se enche de amor, você se reconecta com sua essência ecológica, com o Todo e com o amor de Cristo. Você sente a verdadeira humildade se igualando a todas as espécies vindo da mesma fonte que você, você se gratifica por tudo aquilo que foi feito para você. E junto vem a esperança de uma vida nova.

Transforma-se.

Mutação Sustentável.

 

Páscoa e Sustentabilidade: The Walking Dead consumers.

Mais uma vez chegando a época mais doce do ano, a Páscoa, que há muito tempo deixou de ter um significado espiritual para ter mais um sentido comercial, rendido aos anseios capitalistas pelo lucro e poder, o qual instalou-se a cultura do TER é importante.

Mas até quando seremos cúmplices em aceitar esses “padrões impostos” e dar outro significado para a data em que celebra a ressurreição de Jesus Cristo?

Para a mutação sustentável, seguir os padrões de consumo de ovos de chocolate não faz mais sentido se queremos construir uma sociedade política, consciente e sustentável! Não precisamos repetir os mesmos comportamentos e hábitos só porque sempre foi assim ou porque todo mundo faz. Isso significa que mais uma vez estamos dando mais valor em TER do que SER. Não é preciso provar que fazemos parte de uma sociedade e cultura comprando ovos de chocolate, e consequentemente um monte de brindes e brinquedos de plástico. Tem até ovo vindo com aquele headphone estilo americano. A Páscoa passou de ovos de chocolate para brinquedos e surpresinhas, e agora, para presentes mais caros e tecnológicos! Capitalismo agindo e nós, cegos para enxergar tudo o que está por trás disso (as famosas externalidades que chamo). Continuamos gastando nosso dinheirinho suado com “Coisas” sem sentido, ficando estagnados no mesmo lugar, trabalhando muito para continuar na mesma classe social e manter a qualidade de vida atual, enquanto isso, os grandes crescem mais, desfrutam mais, e a desigualdade social só aumenta. Isso não é ódio mortal do sistema capitalista, porque eu Sou Capitalista e não sou mão de vaca (alguns pensam assim), mas o que eu não quero ser é cega e consumir coisas desnecessárias.

Quer motivos para concordar comigo que no fundo no fundo estávamos nos enganando ao aceitar esse padrão de Páscoa?

  1. Preço – O valor dos ovos de chocolate é superfaturado se comparar com os mesmos ingredientes e quantidades utilizadas para fazer barras de chocolate, ou seja, não é sustentável para seu bolso, porque não é economicamente viável.
  2. Saúde – A maior parte das marcas de chocolates é industrializada, contendo emulsificantes artificiais, além da grande quantidade de açúcar e outros carboidratos, que ao final da quebra da molécula também viram açúcar também. Vivemos uma crise na saúde proveniente de uma má alimentação com muitos produtos processados e com altos índices de açúcar. Que tal isso servir de incentivo para não comprar essa bomba calórica e se confortar com um pedaço de chocolate amargo? Seja sustentável nas suas escolhas alimentares em busca de uma vida saudável.
  3. Redução de matéria prima e geração de lixo. Já reparou quantas embalagens (em sua maioria de plástico) tem em um ovo de páscoa?
  • Lâminas metalizadas em cada bombom interno e na casca do ovo;
  • Suporte plástico tipo cabide para deixa-lo em pé;
  • Suporte plástico em formato de ovo para proteger o chocolate;
  • Folha plástica decorativa;
  • Fita decorativa;
  • Brinquedos de plástico.

Atualmente estamos em uma briga para proibir materiais descartáveis com intuito de reduzir a geração de lixo e economizar matéria prima, seria totalmente uma hipocrisia apoiar este tipo de produto, porque são embalagens de vida útil baixíssima. Até mesmo os brinquedos, quantas vezes seu filho (a) vai brincar com eles? Depois vão virar mais um acúmulo de coisas em casa ou serão descartados.

4. E a reciclagem dessas embalagens? Bom, resolveria se houvesse uma taxa alta de reciclagem, mas no caso da folha plástica decorativa, ela é considerada não-reciclável e acaba não sendo coletada pelos catadores ou separada em cooperativas municipais. E não é, por que? Porque este tipo de plástico, chamado de BOPP, ou bi-axially oriented polypropylene (BOPP), geralmente vem sem identificação da simbologia de reciclagem, gerando falta informação dos recicladores e produtores acerca das possibilidades de reaproveitamento, e ainda, falta-se tecnologia disponível e acessível para reciclar este tipo de material aqui no Brasil. A tecnologia de reciclagem desse tipo de plástico separa os componentes que constituem o material, produzindo alumínio secundário limpo e hidrocarbonetos, que podem ser utilizados na produção de combustível. O processo utilizado é o de pirólise induzida, que permite o tratamento dos materiais sem o uso de oxigênio, onde não há queima de material e a energia utilizada é de fonte renovável.

5. As vezes você se sente sugado e frustrado pelo sistema econômico? Pois é, a produção em massa de ovos de páscoa de chocolate para mim se compara com a produção de produtos chineses. Aí já vemos as pessoas ansiosas para saber qual vai comprar ou pedir, qual é mais gostoso, ou então, preocupadas, porque não terão dinheiro para agradar os filhos ou namoradas… E aí, quem está deixando as pessoas depressivas de uma forma lenta e silenciosa?

6. E por fim, o que leva o atual modelo econômico? À desigualdade social. Quem vai enriquecer mais? As empresas. Quem vai ter de passar no crédito ovos no valor  de R$60 a R$80,00? O namorado para agradar a namorada (porque senão der ovo de páscoa significa que não ama), ou os pais para agradar os filhos (porque senão vão sofrer bullynig na escola porque o ovo dele não foi caro e não tinha brinquedinhos).

Ganhou?

E ainda somaria mais motivos: exaustão de recursos como a água para fabricação de um não bem de consumo, de um alimento que não vai ajudar a combater a fome, mas sim, um produto para alimentar o ego e as lombrigas da barriga.

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Bom, se você concorda com ao menos 1 desses motivos apresentados, você não deve ser influenciado por marcas, mídias, estômago, desejo, hábito, ego…

Ahhhh, mas é bom para o Brasil, movimenta a economia. Movimenta, dá mais lucro para empresas, mas ainda é a minoria que consegue emprego fixo após o período temporário. Vamos ajudar as marcas e mercados ganharem mais, enquanto isso a gente gasta à toa, fica com o saldo calórico positivo e gera mais um impacto ambiental e social negativo. Dá uma falsa impressão de crescimento econômico, por que? Porque é por pouco tempo e favorece alguns setores, ou seja, não é sustentável. Sustentável é quando o processo e o sistema se fecha em círculo obtendo impactos positivos nas pessoas e meio ambiente como um todo.

“-Então você está querendo dizer que não se deve mais celebrar a Páscoa?”

Não. Só estou dizendo para não sermos consumidores-zumbis como no The Walking Dead.

E qual o significado de Páscoa para o Mutação Sustentável?

Isso, eu escrevo no próximo post da série Páscoa e Sustentabilidade.

 

 

Fonte: BOPP: ecycle; Imagem: Steve Cutts