CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL: um teorema da impossibilidade.

O artigo abaixo foi tirado do livro Economia de Gaia, publicado em 2010. Incrível, toda vez que leio estes artigos de décadas atrás me pergunto, por que não tive acesso a esta informação antes? Respiro e medito. Tudo tem o seu tempo para entender. E ainda me encontro neste processo de entendimento e digestão.

Sobre o texto, único ponto que discordo, na minha visão de hoje, é não investir em serviços de informação para diminuir a pobreza. Contudo, isso não diminui a qualidade do artigo, além do mais, foi escrito no mínimo há dez anos atrás. Talvez a informação na época não era vista com a importância que tem hoje.

Autor Herman E. Daly, economista ecológico.Texto extraído de Valuing The Earth: Economics, Ecology, Ethics. Crambridge, Massachusetts: MIT Press, 1993. 

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AS DECLARAÇÕES de impossibilidade são as bases da ciência. É impossível: viajar mais rápido do que a velocidade da luz; criar ou destruir matéria-energia; construir uma máquina de moto-perpétua e assim por diante. Ao respeitar os teoremas da impossibilidade, evitamos o desperdício de recursos em projetos que estão destinados ao fracasso. Portanto, os economistas devem estar muito interessados em teoremas da impossibilidade, especialmente o que será apresentado aqui, a saber, que é impossível para a economia mundial crescer sem pobreza e degradação ambiental. Em outras palavras o crescimento sustentável é impossível.

Desafiando paradoxo econômico.

Os economistas vão alegar que o crescimento do PIB é uma mistura do aumento quantitativo e qualitativo e por isso não está estritamente sujeito às leis físicas. O argumento faz sentido. Exatamente porque as mudanças quantitativas e qualitativas são muito diferentes, é melhor mantê-las separadas e chamá-las pelos nomes distintos já fornecidos no dicionário. Crescer significa “aumentar naturalmente em tamanho pela adição de material por assimilação ou acréscimo”. Desenvolver significa “expandir ou alcançar o potencial para paulatinamente atingir o estado melhor, maior ou mais completo”.

Quando algo cresce, fica maior. Quando se desenvolve, torna-se diferente. O ecossistema da Terra se desenvolve (evolui), mas não cresce. Seu subsistema, a economia, deve parar de crescer, mas pode continuar a se desenvolver. O termo “desenvolvimento sustentável”, portanto, faz sentido para a economia, mas somente se for entendido como desenvolvimento sem crescimento, ou seja, melhoria qualitativa de uma base econômica física mantida em um estado estacionário por uma taxa de produção de matéria-energia que está dentro das capacidades assimilativas e regenerativas do ecossistema. Atualmente, o termo “desenvolvimento sustentável” é usado como sinônimo para o controverso “crescimento sustentável” ele deve ser salvo dessa ruína. Politicamente, é muito difícil admitir que o crescimento, com sua conotação quase religiosa de vontade suprema, deva ser limitado. Mas é precisamente a não sustentabilidade do crescimento que define a urgência para o conceito de desenvolvimento sustentável. A terra não vai aguentar a duplicação de nenhum único grão de farinha 64 vezes, contudo, nos últimos dois séculos, temos desenvolvido uma cultura dependente de crescimento exponencial para sua estabilidade econômica (Hubbert, 1976). O desenvolvimento sustentável é uma adaptação cultural feita pela sociedade à medida que ela se torna ciente da necessidade emergente de não crescimento. Nem o “crescimento verde” é sustentável. Há um limite para a quantidade de árvores que a terra pode suportar assim como há um limite para a quantidade de seres humanos e carros. Iludirmo-nos, acreditando que o crescimento ainda é possível e desejado se o rotularmos de “sustentável” ou tingir de “verde” irá apenas retardar a transição inevitável e torná-la mais dolorosa.

Limites para o crescimento?

Se a economia não pode crescer para sempre, então, o quanto ela pode crescer? Ela pode crescer o suficiente para dar a todos no mundo de hoje um padrão de uso de recursos per capita igual ao da média norte-americana? Para isso, seria necessário um crescimento de sete vezes, um número que se ajusta perfeitamente à recomendação da Comissão Brundtland (Brundtland et al, 1987) de que a economia mundial deve se expandir na ordem de cinco a dez vezes (1). O problema é que, mesmo uma expansão da ordem de quatro vezes é impossível, se Vitousek (Vitousek et al., 1986, p.368-373) estiver certo em seus cálculos quanto afirma que a economia humana atual se apropria de um quarto da população primária líquida da fotossíntese (PPL) (2). Nós não podemos ir além de 100%, e é pouco provável que a PPL aumente, visto que a tendência até agora para o crescimento econômico é reduzir a fotossíntese global.

Como os ecossistemas que estão em terra firme são os mais relevantes, e nós nos apropriamos de 40% da PPL gerada em terra, mesmo um aumento de quatro vezes é um calculo exagerado; da mesma forma que alcançar 100% é irreal, visto que somos incapazes de gerir diretamente todas as espécies que compõem os ecossistemas dos quais dependemos. Além disso, é ridículo estimular a preservação da biodiversidade sem estar disposto a interromper o crescimento econômico que exige que o homem assuma o controle de espaços ocupados por outras espécies.

(1) Considere o seguinte cálculo, com base em uma estimativa bruta de que os Estados Unidos usam atualmente 1/3 do fluxo anual de recursos do mundo (Comissão Nacional de Políticas Materiais, 1973). Estabelecemos que R é o consumo de recursos atual no mundo, R/3 é o consumo de recursos atual nos Estados Unidos. O consumo de recursos per capita atual no mundo seria R dividido por 5,3 bilhões. Para o consumo de recursos per capita futuro no mundo igualar o consumo per capita atual dos EUA, considerando uma população constante, R deve ser acrescido de um múltiplo; vamos chama-lo de M. Então, M vezes R dividido por 5,3 bilhões deve ser igual a R/3 dividido por 250 milhões. O resultado M é 7. O fluxo de recursos no mundo deve aumentar sete vezes se todas as pessoas forem consumir na mesma média atual dos EUA. Mas mesmo um aumento de sete vezes é subestimar muito o aumento do impacto ambiental, por duas razões. Primeiro, porque o cálculo é em termos de fluxos atuais somente, com nenhuma margem para o aumento de estoques acumulados de bens de capital necessários para processar e transformar o maior fluxo de recursos em produtos finais. Alguma noção da magnitude dos estoques extras necessários vem da estimativa de Harrison Brown, de que “colheita” de metais industriais já incorporada no estoque existente de artefatos nas dez nações mais ricas exigiria mais de 60 anos de produção desses metais nas taxas de 1970. Segundo, porque o aumento líquido de sete vezes de minerais utilizáveis e energia exigirá um aumento maior nos fluxos de recursos brutos, considerando que precisamos minerar depósitos cada vez menos acessíveis e minérios de qualidade mais baixa. É o fluxo bruto que provoca o impacto ambiental.
(2) A produtividade primária líquida (PPL) do ambiente natural (não antropizado) é definida como a diferença entre a fotossíntese e a respiração autotrófica da vegetação natural, por unidade de tempo e espaço (Field et al., 1995; Sun et al., 2004; Feng et al., 2007).

Se o crescimento de cinco a dez vezes recomendado pela Comissão Brudtland é impossível, então que tal só manter a escala presente, isto é, crescimento líquido zero? Todo dia lemos sobre reações do ecossistema ao estresse gerado pela economia – como o aumento do efeito estufa, a destruição da camada de ozônio, a chuva ácida, e por aí vai -, o que evidencia que mesmo a escala atual é insustentável. Como, então, as pessoas podem continuar falando em “crescimento sustentável” quando: (a) escala atual da economia mostra sinais claros de insustentabilidade; (b) multiplicar essa escala por cinco ou dez, como recomendado pela Comissão Brundtland, nos levaria da insustentabilidade para o colapso iminente; e (c) o conceito em si é logicamente contraditório em um ecossistema finito, sem crescimento? Ainda assim, o crescimento sustentável é o termo mais falado do nosso tempo. Vez ou outra, a coisa beira o ridículo, como quando escritores falam solenemente de “crescimento sustentável na mesma taxa de aumento da atividade econômica”. Nós devemos não só crescer para sempre, mas também acelerar para sempre! Isso é verborragia política vazia, totalmente desconectada dos princípios físicos e lógicos primordiais.

Aliviar a pobreza, e não angelizar o PIB

A pergunta importante é a que a Comissão Brundtland apresenta, mas não enfrenta realmente: o quanto podemos aliviar a pobreza nos desenvolvendo sem crescimento? Eu confio de que a resposta seja uma quantidade significativa, porém menos do que a metade. Uma das razões para essa crença é que, se a expansão de cinco a dez vezes mais será realmente para o bem dos pobres, então terá de ser composta por coisas necessárias para os pobres – comida, roupa, abrigo -, e não por serviços de informação. Os produtos básicos em uma dimensão física em irreduzível, e a sua expansão demandará crescimento em vez de desenvolvimento, embora o desenvolvimento pela melhora da eficiência vá ajudar. Em outras palavras, a redução do conteúdo de recursos por dólar de PIB observada em alguns países ricos nos anos recentes não pode ser anunciada como o rompimento entre a expansão econômica e o meio ambiente, como alguns alegaram. Um PIB angelizado não vai alimentar os pobres. O desenvolvimento sustentável deve ser um desenvolvimento sem crescimento – mas com controle populacional e a redistribuição das riquezas -, se o que se almeja é um ataque sério à pobreza. Na cabeça de muitas pessoas, crescimento é sinônimo de aumento da riqueza. Elas dizem que devemos crescer para sermos ricos o suficiente para arcar com os custos da eliminação e cura da pobreza. Que todos os problemas são mais fáceis de resolver se formos forma os ricos, isso não está em discussão A questão é seu crescimento na margem atual realmente nos torna mais ricos. A evidência de que, nos Estados unidos, ele agora nos torna mais pobres, pois o crescimento aumenta os pontos mais rápidos do que aumenta os benefícios (Daly, Cobb, 1989, apêndice). Ou seja, parece que crescemos além da escala ótima.

Definir a escala ótima.

O conceito de uma escala ótima da economia agregada em relação ao ecossistema está totalmente ausente da teoria macroeconômica atual. Presume-se que a economia agregada cresce para sempre. A microeconomia, se dedica quase totalmente a estabelecer a escala ótima de cada atividade de nível microeconômico, equiparando os custos e benefícios a preços marginais, furtou-se de verificar se não há também uma escala ótima para o conjunto de todas as microatividades. Uma certa escala (o produto da população pelo uso de recursos per capita) constitui uma certa taxa de rendimento de recursos e, portanto, uma determinada carga no meio ambiente, e pode compreender muitas pessoas, cada uma consumindo pouco, ou menos pessoas, cada uma consumindo correspondentemente mais.

Uma economia em desenvolvimento sustentável adapta-se e aperfeiçoa se em conhecimento ou, organização, eficiência técnica e sabedoria. E ela faz isso sem assimilar ou acrescentar, além de certo ponto, uma percentagem ainda maior da matéria-energia do ecossistema dentro de si mesma; em vez disso,  ela para em uma escala em que o ecossistema remanescente (o meio ambiente) pode continuar a funcionar e a se renovar ano após ano. A economia estacionária não é estática, ela está sendo continuamente mantida e renovada, como meio ambiente.

Quais são as políticas implícitas para se alcançar o objetivo do desenvolvimento sustentável como definido aqui? Tanto os otimistas quantos os pessimistas devem concordar com as seguintes políticas para os Estados Unidos (o desenvolvimento sustentável deve começar com os países industrializados):

  1. Empenhar-se em manter a taxa de produção constante nos níveis atuais (ou em níveis reduzidos verdadeiramente sustentáveis), taxando pesadamente a extração de recursos, especialmente a energia.
  2. Procurar arrecadar o máximo de receita pública dos impostos de indenização de recursos.
  3. Compensar (atingir a neutralidade da receita), reduzindo o imposto de renda, especialmente nas camadas mais pobres da população, talvez até mesmo financiando um imposto de renda negativo nas camadas muito pobres.

Os otimistas acreditam que a eficiência do recurso pode aumentar em dez vezes devem acolher essa política, que elevaria consideravelmente o preço dos recursos, e daria grande incentivo justamente aos avanços tecnológicos em que tanto acreditam. Os pessimistas que não acreditam na tecnologia irão, mesmo assim, ficar felizes em ver as restrições impostas à já insustentável taxa de produção. Os pessimistas estão protegidos de seus maiores medos; os otimistas são encorajados a perseguir seus maiores sonhos. Se for provado que os pessimistas estão errados e o enorme aumento na eficiência realmente pode acontecer, eles não vão poder reclamar. Eles conseguiram o que mais queriam, e um bônus inesperado. Os otimistas, por sua vez, não podem contestar uma medida que permite e fomenta o progresso técnico, que é justamente a base do seu otimismo. Se for provado que estão errados, pelo menos deverão ficar felizes de que a taxa de destruição ambiental induzida pela taxa de produção tenha diminuído. Além disso, as taxas sobre a extração de recursos não renováveis são mais difíceis de evitar do que os impostos sobre os rendimentos, e não diminuem os incentivos ao trabalho.

Em termos de projeto, existem algumas orientações de políticas adicionais para o desenvolvimento sustentável. Os recursos renováveis devem ser explorados de modo que a taxa de extração não exceda a taxa de regeneração e a emissão de resíduos não exceda a capacidade de assimilação renovável do meio ambiente local.

Equilibrando recursos renováveis e não renováveis.

Os recursos não renováveis devem ser esgotados a uma taxa igual a taxa de criação de substitutos renováveis os projetos com base em exploração de recursos não renováveis devem ser emparelhados com projetos que desenvolvam substitutos renováveis. As rendas líquidas da extração não renovável devem ser separadas em um componente de renda e um componente de liquidação de capital. O componente de capital a ser investido todo ano de um substituto renovável. A separação é feita de modo que, quando o recurso não renovável estiver esgotado, o recurso renovável já terá se desenvolvido pelos investimentos e crescimento natural ao ponto de sua produção sustentável ser igual ao componente de renda. O componente de renda se tornará, assim, perpétuo; justificando o nome “rendimento” que é por definição, o máximo disponível para o consumo, mantendo o capital intacto. Foi demonstrado (El Serafy, 1989, p. 10-18) como essa divisão de renda sem capital e rendimento depende: 1) da taxa de desconto (taxa de crescimento do recurso renovável substituto); e 2) da expectativa de vida do recurso não renovável (as reservas divididas pela taxa de esgotamento). Quanto mais rápido por crescimento biológico do recurso substituto renovável e longa a sua expectativa da vida, maior será o componente de rendimento e menor será a reserva de capital. O “substituto” aqui deve ser interpretado amplamente para incluir qualquer adaptação sistêmica que permite a economia se adaptar à exaustão dos recursos não renováveis de uma maneira que mantenha os rendimentos futuros em determinado nível (reciclagem, no caso dos minerais, por exemplo). As taxas de retorno para os projetos emparelhados devem ser calculadas com base somente no seu componente de rendimento. Contudo, antes que esse passo operacional em direção ao desenvolvimento sustentável possa ter oportunidade justa, devemos primeiro tomar as medidas conceituais e políticas de abandonar o introjetado chavão do “crescimento sustentável”.

 

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CORONAVÍRUS: DECRESCIMENTO ECONÔMICO FORÇADO, SOFRIDO, MAS NECESSÁRIO PARA UM NOVO RECOMEÇO.

Desde a década de 70, um economista chamado André Gorz, baseado nas teses do criador da Bioeconomia Nicholas Georgescu-Roegen, vem apostando que seria necessário um decrescimento econômico para que atingíssemos a sustentabilidade.

A tese do decrescimento baseia-se na hipótese de que a economia neoclássica – entendida como aumento constante do Produto Interno Bruto (PIB) – não ser sustentável para o ecossistema global. Esta ideia é oposta ao pensamento econômico dominante, segundo o qual a melhoria do nível de vida seria decorrência do crescimento do PIB e portanto, o aumento do valor da produção deveria ser um objetivo permanente da sociedade.

A questão principal, segundo os defensores do decrescimento é que os recursos naturais são limitados e portanto não existe crescimento infinito. A melhoria das condições de vida deve, portanto, ser obtida sem aumento do consumo, mudando-se o paradigma dominante.

Muitos compreenderam esta tese, tanto que, durante muitas décadas vem sendo proposto o Desenvolvimento Sustentável (tem posts anteriores falando sobre, procure pela tag Sustentabilidade): desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Em outras palavras, o desenvolvimento sustentável é aquele que assegura um crescimento econômico viável, sem esgotar os recursos para o futuro, atuando de uma forma socialmente justa e ambientalmente correta.

No entanto, 50 anos após a tese do decrescimento econômico, o que aconteceu foi um aumento do PIB em 8x, e por outro lado a poluição ambiental e os problemas sociais também aumentaram, além do aumento da temperatura da atmosfera causando as mudanças climáticas e outros impactos nos serviços ecossistêmicos que suportam a vida humana no planeta Terra.

Entramos em 2020 com a maior certeza de que o modelo econômico atual é insustentável, e que medidas urgentes precisariam ser tomadas. Afinal, iniciamos a década da ação para atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, entramos na década decisiva para conseguir frear o ritmo de aquecimento global antes de que seja tarde demais.

Apesar de muitos movimentos propondo mudanças e novas formas mais saudáveis de atingir o desenvolvimento sustentável, o ano de 2020 era esperado por muitos a tão retomada do crescimento econômico, como era o caso do Brasil.

Mesmo sabendo o que se têm de fazer, as grandes economias não pareciam querer abrir mãos do poder, dos lucros, crescimento e da competitividade em prol da Sustentabilidade.

Mas por ironia do destino, parece que a natureza sabendo que nós, humanos, não abriríamos as mãos do crescimento econômico, e que dificilmente conseguiríamos atingir o equilíbrio socioambiental para permitir que ela se regenerasse para continuar nos suprindo com os recursos renováveis e serviços ecossistêmicos, ela (natureza) decidiu frear todos, igualmente.

Através da antiga cultura de dominação homem-natureza, de superioridade homem-animal, um novo vírus surgiu, o Covid-19, e em um ritmo extremamente acelerado, parou o mundo.

De repente, obrigatoriamente atingimos um decrescimento econômico. E ao contrário do que estávamos acostumados, onde as decisões dos homens de poder não afetavam igualmente a todos, e estávamos acostumados uns terem mais do que outros, o Covid-19 não foi seletivo. Pela primeira vez todos estão sendo igualmente afetados. É claro que, no resultado final, os mais vulneráveis sairão muito mais impactados.

O Coronavírus chegou para dar fôlego ao Planeta Terra. É incrível como podemos ver a Regeneração da Natureza. O primeiro exemplo veio da China, após a publicação das imagens de satélite da NASA, com o antes e depois do isolamento e parada das indústrias, o índice de qualidade do ar melhorou significativamente. Depois as imagens do rio Veneza, na Itália, que voltou a ter água clarificada, e também imagens do céu da maior cidade da América Latina, São Paulo, onde muitos paulistanos não estavam acostumados a ver estrelas com frequência.

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Fonte: NASA

É claro que, não precisaríamos aprender desta forma, na dor e sofrimento. Milhares de pessoas estão morrendo e milhões perdendo empregos no mundo inteiro, além de muitas empresas que irão a falência. Mas, não aprendemos e/ou não quisemos fazer diferente ao longo das últimas décadas, mesmo sob tantos avisos dos cientistas. E mesmo que se tivéssemos um pouco mais conscientes e preventivos, não era garantido que não seríamos atingidos por esta pandemia. Afinal, é impossível ter o controle sobre esta grande teia de relações sociais e ecológicas.

O Coronavírus parece ser o novo dilúvio só que na época depois de Cristo. Um reseat ao nosso modo de vida, aos nossos valores. Nós estamos passando por uma grande transformação juntos, em escala planetária. Será necessário um grande recomeço, uma reconstrução, e agora mais do que nunca temos a chance de fazer diferente.

Durantes os últimos 2 anos eu tenho acompanhado e me especializado em novos modelos de se relacionar com o meio ambiente. Ao contrário da cultura atual ser de soma zero (ganha-perde), precisamos passar para uma cultura de soma não-zero (ganha-ganha) exigindo uma cultura de colaboração generalizada a fim de que a natureza também vença (ganha-ganha-ganha) e vença primeiro, afinal ela que é a provedora de toda abundância da qual dependemos. Para isso, é necessário agir como ela. Utilizar o exemplo dos processos naturais que não desperdiça nada, além de ser extremamente eficiente, a natureza é EFETIVA, faz da melhor forma possível o que precisa ser feito, gerando transformação, para levar de volta ao seu estado de equilíbrio.

Durante centenas de anos, o homem aprendeu a ciência, mas não muito de como utilizá-la. Os métodos de pensamentos fragmentados, reducionistas e mecanicistas já não cabem mais no ecossistema que vivemos. Diversos físicos e cientistas modernos vem apontando para uma nova realidade sistêmica e um mindset ecológico.

Além do propósito de trazer estes conceitos ecológicos para os processos a fim de atingir a Gestão Efetiva dos Aspectos Ambientais, a Mutação Sustentável tem a visão de ser um agente para disseminar essa nova cultura emergente, uma Cultura Regenerativa.

O desenvolvimento Regenerativo é a evolução do desenvolvimento Sustentável. Quando falamos em Sustentabilidade, significa manter o equilíbrio daquilo que existe do jeito que é para ser, natural e saudável para todos. Só que o que temos feito atualmente é a “Sustentabilidade” do que não pode ser sustentável, do desequilíbrio. Agora, primeiramente temos que regenerar e dar a condição de voltar para o estado de equilíbrio dinâmico natural, para posteriormente sim, apoiar-se no desenvolvimento sustentável.

Já existem muitos movimentos com novas formas de pensar a Sustentabilidade e atingir a Regeneração, como por exemplo a Economia Circular, a Bioeconomia, Economia Colaborativa, dentre outros, mas eram vistos por muitos como: “isso não é viável”, “não é possível”, “não funciona”, “é muito (…)ismo”, simplesmente porque muda vários paradigmas, tiram da zona de conforto e por isso, é pouco difundido e discutido. Porém, diante da pandemia Coronavírus, estes novos movimentos precisam ser intensificados e considerados para a reconstruir a sociedade e a economia de uma forma mais justa e saudável para todos.

Ao longo dos próximos dias irei compartilhar nas redes da Mutação Sustentável quais ensinamentos a crise do Coronavírus está nos trazendo que está relacionado com modelos e conceitos existentes, novos paradigmas que, devem se manter para um recomeço Regenerativo transformando as nossas relações, modo de vida e os nossos negócios.

Não existe o padrão sustentável. Existe a evolução contínua em busca da sustentabilidade.

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Ao olhar para o mundo em busca de novos caminhos, nada mais natural do que cada indivíduo ter seus próprios objetivos e trilhar rumos que julgue corretos. Nem todos precisam seguir a mesma direção, mas existem consensos. Um deles é que o cenário ambiental que está precisando de atenção. Diante de uma crise climática pré-anunciada, da poluição, da crise por demanda energética e recursos como um todo, o período não poderia ser mais oportuno para tratar o tema.

Eu vejo muitas pessoas perdidas em relação a isso. Primeiro grupo são as pessoas que não se sentem parte do problema e nem da solução, os céticos, os despreocupados. Segundo grupo são as pessoas que se sentem inseridas no problema, mas não saem da zona do conforto para fazer parte da solução. E o terceiro grupo, são das pessoas que fazem parte do problema e da solução, por este motivo procuram melhorar suas escolhas, mudam o estilo de vida, e mesmo assim, se culpam porque os impactos não acabam nunca. São as pessoas do terceiro grupo que mais sofrem, internamente.

Eu falo por mim mesma. Quando caiu minha ficha sobre o que estávamos fazendo com o planeta, eu pirei. Quis mudar várias coisas rapidamente, e aquelas que não conseguia mudar por algum motivo de acesso ou recurso, me sentia super mal e na minha cabeça eu voltava a estaca zero. E isso, isso não ajuda. Pelo contrário, atrapalha, porque você cria algo que você NÃO SUSTENTA! E o que não podemos sustentar, logo, não é sustentável também para o planeta.

Conforme foi definido pela ONU, para obter a Sustentabilidade é necessário ter uma visão sistêmica para o Econômico, o Social e o Ecológico. Olhando para um indivíduo, dentro da própria casa não é diferente, e eu ainda considero um quarto elemento, se tornando o primeiro da base da Sustentabilidade, o EU. Mas não é o EU no sentido do ego, é o EU em relação a saúde física e mental e ao SER EU.

E quando olhamos com esta percepção, não há uma receita padronizada para se tornar sustentável. Se ninguém é igual a ninguém geneticamente, nas impressões digitais, na forma de pensar, de se vestir, na busca para a SUSTENTABILIDADE também não é diferente!

Ninguém vai ter a mesma adaptabilidade em dietas com restrição de proteína animal. Não é todo mundo que vai ter acesso a um transporte público de qualidade, não é todo mundo que vai ter tempo para lavar as fraldas de pano do bebe recém-nascido, e por aí vai.

Por isso, quando me perguntam como ser sustentável e o que fazer para mudar para reduzir seus impactos, a primeira coisa que digo é: como está sua relação com você mesmo? Como estão suas relações sociais? E financeiras? Porque se você não estiver cuidando da sua saúde física e mental, o que você fizer a mais para o meio ambiente não vai ser sustentável por muito tempo, porque uma hora esta negligência volta para você e isso pode se tornar em um consumo de remédios, por exemplo.

A mesma coisa se reflete em como você vê os problemas sociais como fome, preconceito, desemprego. Enquanto tivermos desigualdades extremas, teremos grande necessidade de uso dos recursos naturais, porque todos é digno de viver em abundância.

Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida em abundância”.  “Amai o próximo como a ti mesmo.”

Como podemos amar o próximo, outra espécie animal, ter respeito pelas diversidades e culturas, se eu não amo nem a mim mesmo?

Para isso, é fundamental que cada um seja induzido a refletir sobre o que é realmente importante em sua vida e, como decorrência, sobre ao que o seu padrão de consumo deve responder. Esta mudança é o centro do comportamento de consumo consciente.

A busca por um padrão de consumo que permita contribuir para a sustentabilidade da vida no planeta passa por uma reflexão sobre o que realmente importa, o que de fato traz felicidade, o que é essencial para a vida, colocando o consumo em seu devido e importante lugar de instrumento de bem estar, e dando lugar à busca pela felicidade nos Afetos, nas Amizades, nos Amores, na Arte – os 4 As de um modo de vida sustentável – como o centro de uma vida que tenha um sentido transcendente e voltada ao que realmente importa.

Instituto Akatu

Neste processo, é preciso aprender a ouvir de forma mais profunda e mais em contato com as próprias emoções, em busca de um caminho em que o consumo material deixa de ser o centro da vida e dá lugar a uma existência plena de sentido nos relacionamentos e na expressão das emoções e sentimentos, plena de autoconsciência e autoconhecimento, e integrada ao coletivo da humanidade pelo que há de mais humano.

Ao interromper nossas ações rotineiras e “desacelerar”, nos tornamos mais conscientes da motivação para nossas ações frente ao que realmente importa na vida.

E a partir daí, evoluir, como todo o nosso processo de ser humano, enquanto estivermos neste plano. É tomar a consciência, e a cada dia fazer algo a mais, mudar para melhor. É você buscar o seu melhor equilíbrio frente a entrega que consegue dar ao mundo. Ser sustentável é… Estar Sustentável… Ser você e buscar a melhoria contínua da sustentabilidade.

Por isso, a Mutação Sustentável tem como conceito a evolução sistêmica do indivíduo de uma forma dinâmica e equilibrada para a regeneração, assim como é na natureza. A mudança é premissa de evolução também na natureza, que opera em equilíbrio com sistemas limpos e regenerativos, respeitando o seu espaço e tempo.

Um beijo.

Sabrina

Pessoas que bebem água engarrafada ingerem 100.000 partículas adicionais anualmente

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que as pessoas que bebem apenas água de garrafas plásticas consomem anualmente 100.000 ou mais partículas de microplásticos.

Sabemos que existem pequenas partículas de plástico, chamadas microplásticos, que se infiltram no meio ambiente quando os plásticos se decompõem. Mas ultimamente eles vêm aparecendo em alguns lugares perigosos e inesperados. Um estudo descobriu recentemente microplásticos em gotas de chuva nas Montanhas Rochosas. Outro os encontrou em frutos do mar. Um estudo recente realizado em pequenas amostras em humanos também encontrou microplásticos no sistema gastrointestinal de todos os que participaram.

Uma análise recente de 26 estudos estimou a quantidade de pequenas partículas de microplásticos que os americanos consomem a cada ano, por ingestão e inalação. O número é de 74.000 a 121.000, centenas por dia, dependendo do sexo e da idade. Os pesquisadores alertaram que, porque apenas 15% das calorias consumidas estavam na análise, os números provavelmente são subestimados.

Microplásticos e Saúde

Quão ruim é a situação? Embora a resposta ainda não esteja clara, pesquisas preliminares sugerem que os microplásticos prejudicam as pessoas por meio de vias tanto físicas e químicas, incluindo uma exacerbação da resposta inflamatória, toxicidade relacionada ao tamanho das partículas e alteração do microbioma intestinal.

Eles podem entrar e provavelmente interferir com os sistemas linfático e circulatório, acumular-se em órgãos secundários e impactar a saúde imunológica e celular.

Outra preocupação com os microplásticos é a adsorção de substâncias químicas perigosas que aderem às partículas. O autor do estudo, Kieran Cox, advertiu o seguinte:

Os microplásticos são hidrofóbicos e isso significa que outras toxinas, como um hidrocarboneto ou DDT ou outros contaminantes, podem aderir a estes plásticos, e se os consumimos não é uma boa notícia.

Ainda não está claro se os microplásticos atuam como vetores de transporte para contaminantes orgânicos persistentes (COPs, por sua sigla em inglês), mas eles demonstraram que aderem a substâncias nocivas, como produtos farmacêuticos.

Como os Microplásticos Entram no Meio Ambiente?

Os microplásticos entram na cadeia alimentar e na atmosfera de várias maneiras. Alguns começam como fragmentos de itens de plástico maiores, que então se degradam em pedaços cada vez menores até se tornarem partículas de 5 mm ou menos de largura. A maioria é tão pequena que é invisível sem aumento. Os animais os comem e são arrastados pelo vento. Os microplásticos entram em nossos sistemas quando comemos animais ou respiramos ar ou simplesmente comemos alimentos nos quais as partículas foram depositadas. Cox disse:

Como colocamos muito plástico em diferentes ambientes, não é de se surpreender que ele encontre seu caminho para o nosso interior.

Uma grande surpresa para os pesquisadores foi que as pessoas que bebem água exclusivamente de garrafas de plástico consomem anualmente 100.000 ou mais partículas de microplásticos, em comparação com as pessoas que tomam água da torneira. Menciona Cox: É um aumento de 22 vezes no consumo de plástico de somente um aspecto do estilo de vida”.

Eliminação de Microplásticos com Tratamento de Efluentes

As plantas de tratamento de efluentes já removem uma quantidade significativa de partículas microplásticas da água, mas o enorme volume de efluentes gerados significa que muitos ainda estão chegando. A Water UK, um grupo comercial de purificação de água no Reino Unido, relatou o seguinte:

A indústria da água não tem experiência ou tecnologias atuais para separar os microplásticos, e o tratamento deles pela indústria da água nunca foi explorado.

Mas a digestão anaeróbica pode eliminar uma parte significativa dos microplásticos do lodo do tratamento de efluentes e os processos de membrana estão mostrando grande interesse na filtração de partículas. Embora o problema seja muito recente para que a indústria da água possa resolvê-lo completamente, é provável que isso mude à medida que o corpo de pesquisa sobre o assunto continue a crescer.

Fonte: Portal Tratamento de Água